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Já chegou às livrarias O Quilombo Orum Aiê, o novo álbum de André Diniz que diferente da maior parte de suas obras anteriores, Diniz não só escreveu a história como a ilustrou também, com forte inspiração na arte africana. O livro tem 110 páginas e é um lançamento do selo Galera Record.

O Impulso HQ conversou rapidamente com André Diniz a respeito da publicação, sobre o que ela conta, qual foi o grande desafio em se produzir e as quais as referências visuais que o autor se utilizou, já que segundo ele próprio, o Quilombo Orum Aiê é o começo de uma nova fase no seu trabalho.

Confira:

Impulso HQ: O que o leitor vai encontrar em O Quilombo Orum Aiê?
André Diniz:
Essa HQ é talvez o trabalho que mais gostei de ter feito e que mais gostei do resultado de tudo o que eu fiz até então. O cenário é o Brasil escravista, mas a HQ vai muito além de uma recriação histórica.

A fuga do personagem principal – um jovem escravo apelidado de Capivara – a um quilombo utópico, onde tudo seria perfeito, é uma história que saiu bem de dentro de mim, por mais que o cenário e a época me sejam bem distantes.

A HQ traz humor, aventura e drama, e acho que indiretamente ela retrata também a passagem da época dos últimos resquícios de inocência do jovem Puara o mundo real, sem disfarces.

Também curti bastante a oportunidade de mostrar o quanto àqueles tempos foram muito mais interessantes do que se costuma mostrar em livros e novelas, onde os escravos são sempre mostrados como passivos e iguais entre si, cortando cana na fazenda e dormindo trancados na senzala.

O Quilombo Orum Aiê mostra os escravos urbanos, insubmissos e com suas diferenças – ressaltada principalmente através do personagem Abul, recém-trazido da África, de um povo que segue o islamismo.

A trama também mostra a Revolta dos Malês, a maior revolta escrava já ocorrida no Brasil, na Salvador de 1831.

IHQ.: Qual foi o grande desafio da obra?
A. D.:
A pesquisa foi bem puxada e levou meses, justamente para que eu não caísse em estereótipos. Eu me propus desde o começo a não cair em lugares-comuns quando se retrata o período da escravidão, e também não quis que em momento algum a HQ tivesse um tom didático ou que a trama perdesse em ritmo para passar informações ao leitor. Creio sinceramente ter conseguido essas vitórias.

IHQ.: Por que você desenhou a história e não apenas escreveu como nas suas outras obras? Quais as referências visuais que você utilizou?
A. D.:
Essa HQ é o começo de uma nova fase no meu trabalho. A   partir dela, quero desenhar minhas próprias histórias e já tenho outros álbuns prontos e fechados com editoras, só aguardando o momento certo de serem lançados.

Inclusive, pela primeira vez desenhei o roteiro de outra pessoa. É uma lenda africana deliciosa adaptada pela Jacqueline Martins, que já tem algumas páginas disponíveis no meu site Nona Arte.
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Para conferir algumas páginas de O Quilombo Orum Aiê, visite o site Nona Arte, clicando aqui.

Renato LebeauentrevistasAndré Diniz,áfrica,escravidão,Galera Record,Jacqueline Martins,Nona Arte,Quilombo Orum Aiê,Revolta dos MalêsJá chegou às livrarias O Quilombo Orum Aiê, o novo álbum de André Diniz que diferente da maior parte de suas obras anteriores, Diniz não só escreveu a história como a ilustrou também, com forte inspiração na arte africana. O livro tem 110 páginas e é um lançamento do...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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