Espaço Comic Lounge

Para quem for na Comic Fair esse fim de semana não pode deixar de visitar dois espaços na feira dedicados para quem gosta de parar um pouco a correria e curtir um momento de paz e tranquilidade e ainda apreciar raridades impressas dos quadrinhos.

Estou falando dos espaços e Exposição de HQs Raras, com curadoria do professor Alexandre Callari e da Comic Lounge.

Começando com a Exposição de HQs Raras que está localizada na parte da direita do pavilhão no sentido de quem entra pela entrada das caravas, você verão que não há nenhum sinal de que lá estão expostas as HQs, mas confie, elas estão lá!

E estão lá em excelente estado de conservação! Apesar de estarem expostas de maneira discreta, em balcões com caixas de vidro para evitar que alguém tente manusear as publicações, é possível perceber todo o cuidado que o dono das obras e curador da exposição Alexandre Callari tem com cada exemplar.

E realmente na exposição está um pequeno pedaço da história dos quadrinhos no Brasil. O acervo tem desde um suplemento juvenil datado de 1936, passando por exemplares da primeira revista com óculos 3D no país, a Cinerama 3D, uma curiosa caixinha com a capa ilustrada com o Dick Tracy.

Curioso também são as obras que traduziram os nomes dos super-heróis como o exemplar de dezembro de 1953 da Super Mulher. Isso mesmo! Foi assim que traduziram Mulher Maravilha em sua primeira aparição no Brasil nessa edição da editora Orbis.

A exposição também conta com exemplares de revistas em quadrinhos de super-heróis da época da RGE, como um almanaque do Fantasma de 1976 e da Editora Ebal.

São tantas as curiosidades que a equipe do Impulso HQ conversou com Alexandre Callari, dono das raridades e que explica melhor toda a história da exposição. Acompanhem:

Impulso HQ: Qual é a história dessa exposição?
Alexandre Callari:
Essa exposição foi criada para rodar os Sescs do estado de São Paulo. Ela estreiou no Sesc Pompéia no ano passado, nesse ano já passou pelo Sesc de Araraquara e Sesc Taubaté. Posteriormente ela passará pelo Sesc Prudente e em Matão em outubro. Para a Comic Fair tive a ideia de abrir espaço e entrei em contato com a organização do evento. Eles adoraram a idéia e trouxemos para o pavilhão de forma reduzida.

IHQ: A exposição em seu formato original é composta com quantas obras?
A.C.:
Minha coleção particular inclui só super-heróis e ela já passou o numero de 10 mil exemplares. Para a exposição nos Sescs trabalhamos em média de 150 revistas. Aqui na Comic Fair por questões de espaço estamos trabalhando com 60 revistas, mas também estão aqui só o filé. Estamos com gibis desde da década de 1930 até 1980.

IHQ: Como foi a busca por essas HQs raras?
A.C.:
Coleciona revistas há 23 anos. È algo que faço desde a adolescência. Foi em 1987 que eu herdei a coleção do meu tio, eu ganhei os primeiros mil gibis dele e decidi daí em diante ser colecionador. Já é mais que um hobby é algo que eu sinto prazer em fazer. Eu compro tudo que sai em banca e hoje com a facilidade da Internet eu encontro obras raras pelo Brasil inteiro.

IHQ: Sua coleção é centrada em apenas quadrinhos que foram publicados no Brasil ou você tem alguma raridade internacional? Você tem toda a sua coleção catalogada?
A.C.:
Tenho pouca coisa internacional. Tenho algumas raridades internacionais, mas não contabilizo elas. Meu interesse mesmo são os quadrinhos nacionais.

Tenho toda a minha coleção perfeitamente catalogada no Excel que separa elas por editoras, nome da revista e subtítulo se ela tiver e data de lançamento.

IHQ: Falando um pouco sobre o que está exposto aqui na Comic Fair, uma curiosidade é o suplemento juvenil de 1936. Você também corre atrás desse tipo de material?
A.C.:
Esse é o suplemento mais antigo que tenho. Estamos falando de uma era pré-gibi. Até a década de 1950 os jornais tinham suplementos completos de quadrinhos. Então era publicada Fantasma, Mandrake, Tarzan e coisas desse gênero.

IHQ: Aqui na exposição tem algum exemplar que seja o seu xodó ou que tenha alguma história curiosa para contar?
A.C.:
Tenho algumas coisas interessantes aqui. Por exemplo, o Batman foi essencialmente publicado pela Ebal, mas ele saiu também pela editora o Globo na revista Shazam. O curioso é que o personagem saiu com o nome traduzido então essa é uma das raras oportunidades de ser ver em uma revista ele ser chamado de Homem-morcego aqui no Brasil. Também traduziram o nome Bruce Wayne para Bruno Miller, não me pergunte por que!

Também está exposta aqui a edição número dois do Superman, que é a primeira revista que a Ebal lançou que tinha um super-herói na capa e não de uma coletânea.

Temos aqui também a primeira aparição do Conan o bárbaro pela editora Minami & Cunha, um exemplar raríssimo, muito difícil de se encontrar.

Temos outras coisas como a chegada do 3D no Brasil com a revista Cinerama. O personagem que eles utilizaram foi o Thor de Joe kubert. É uma revista que teve 400 mil exemplares de tiragem com duas impressões e data de 1953. Muito difícil de ser encontrada.

IHQ: Outra peça que chama a atenção é a caixa que está o estampado o personagem Dick Tracy. Qual é a história dessa publicação?
A.C.:
Esse é o famoso tijolinho que foi chamado na época. A edição que está aqui é a do Dick Tracy, mas cada número da coleção tinha um personagem diferente, como Mickey e outros personagens infantis. Foram mais ou menos 36 volumes e a do Dick Tracy é a número nove que data de 1941 publicada pela editora o Globo. Esse material é pré RGE (Rio Gráfica Editora).

IHQ: Você tem alguma publicação rara de algum desenhista nacional?
A.C.:
Tenho coisas antigas que não estão presentes aqui. Na década de 1950 teve muita coisa que saiu, e esse material faz parte da exposição que acontece nos Sescs. Tenho trabalhos iniciais do Gedeone, Nico Rosso, Flavio Colin e os grandes nomes dos quadrinhos do país, mas infelizmente por causa de espaço eles não estão presentes na Comic Fair.

IHQ: Quem quiser entrar em contato com você para levar a sua exposição para outro evento como faz?
A.C.:
É só mandar um e-mail para [email protected]

IHQ: Mas devido a raridade dos quadrinhos como é que faria esse transporte?
A.C.:
Todo o manuseio sou eu que faço pessoalmente. Ninguém coloca as mãos nas revistas porque são realmente revistas muito caras algumas estão acima da cada dos mil reais, então não confio em outras pessoas para lidar com esse tipo de material tão delicado. O suplemento, por exemplo, é papel jornal, então é um material quebradiço que não pode ficar pegando.

Evidentemente quando acontece algum evento que queria levar a exposição nós contabilizamos custo de transporte e o seguro das revistas.

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E depois de saber mais sobre a história das publicações de quadrinhos no Brasil e curtir toda a Comic Fair nada melhor que relaxar certo?

E como a organização do evento também teve essa preocupação a equipe do Impulso HQ foi conferir o Comic Lounge espaço onde você pode ler seu manga ou comics gratuitamente, ler o que quiser, e só se preocupar em devolver no final. O texto é do nosso colaborador Iuri Martins.

Comic Lounge

O Comic Lounge, ao cantinho da Comic Fair, permaneceu abandonado, exceto por seus três fiéis representantes, até a metade do dia. O restante do evento parecia mais interessante com suas inúmeras atrações, até que as mochilas começaram a pesar e as pernas começaram a cansar.

O espaço estava reservado para o simples prazer de ler um quadrinho confortavelmente. Três prateleiras de HQs e alguns puffs pelo chão deixavam o lugar bastante agradável.

Estava disponibilizada uma pequena variedade de revistas, porém alguns títulos interessantes como Três Dedos: um Escândalo Animado, Tintin no Tibet, Maus e Retalhos, autobiografia de quase seiscentas páginas de Craig Thompson. Sendo todas elas, entretanto, leituras não muito rápidas.

Por volta das quatro da tarde, os puffs estavam todos ocupados, mas a estante foi pouco usada. O Lounge foi mais usado para ler os quadrinhos recém comprados, conversar, desenhar e, na maior parte, dormir.

O que já foi publicado sobre a Comic Fair:

Palestra Fabrízio Yamai na Comic Fair: Como foi

Entrevista: Logan Barros – Modelismo e Molde

Palestra Emílio Baraçal na Comic Fair: Como foi

Comic Fair 2010: Como foi – primeira parte

Renato LebeauentrevistasAlexandre Callari,Comic Fair,Comic Lounge,HQs RarasEspaço Comic Lounge Para quem for na Comic Fair esse fim de semana não pode deixar de visitar dois espaços na feira dedicados para quem gosta de parar um pouco a correria e curtir um momento de paz e tranquilidade e ainda apreciar raridades impressas dos quadrinhos. Estou falando dos espaços...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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