Para encerrar a série de posts sobre o 27º Troféu Angelo Agostini, o Impulso HQ entrevistou Worney de Almeida, editor, pesquisador de quadrinhos. Worney é um dos grandes responsáveis pela elaboração e andamento do prêmio, e há anos organiza a cerimônia de entrega dos troféus.

Ao fim da premiação conversamos com Worney a respeito das suas considerações sobre o evento e é claro, não poderíamos de deixar de perguntar sobre as frequentes críticas que o Troféu Angelo Agostini tem sido alvo em suas últimas edições.

Confira agora, nesse rápido bate-papo com Worney de Almeida, as opiniões dele a respeito das críticas e saiba como você leitor pode participar das reuniões da AQC (Associação dos Quadrinhistas) e ajudar com ideias para o próximo Ângelo Agostini.

Impulso HQ: Indo direto ao assunto. É a vigésima sétima edição do Troféu Ângelo Agostini e mais uma vez foi alvo de críticas na Internet. Você sempre defendeu que a premiação é decida pelas reuniões da AQC. Então como participar dessas reuniões?
Worney de Almeida:
As decisões sempre são tomadas de forma aberta. Por exemplo, há 17 anos não tem diretoria, porque as pessoas resolveram que não deveria ter. As reuniões são sempre abertas.

Tínhamos um problema internético. A página não era atualizada e com problemas internos que tivemos a página não era administrada e acabamos gerando um monstrão, que não era administrado. Esse ano resolvemos fechar a página a abrir um blog. Então está sendo mais fácil as pessoas verem a associação e suas atividades, por exemplo, esse convênio com os coreanos, que o Bira comentou, foi também devida a essa facilidade do blog.

IHQ: Quem não é de São Paulo e não pode comparecer a reunião, como faz para participar e mandar as opiniões e sugestões?
W.A.:
No blog mesmo. Lá tem o endereço para as pessoas entrarem em contato. A ideia é que as pessoas mandem mensagem. O que a gente percebe é que tem muitas pessoas querendo participar.

IHQ: Que local acontecem as reuniões e quais as datas?
W.A.:
As reuniões acontecem na Biblioteca Monteiro Lobato, no espaço da Gibiteca. Não tem data especifica. O que fazemos é divulgar a data no blog da AQC e as pessoas se reúnem. A média é de 6 a 10 pessoas, e são com essas pessoas que a gente conta e discute.

IHQ: Qualquer pessoa pode mandar a sua sugestão para o Troféu Angelo Agostini?
W.A.:
Sim. Não só para o próximo Angelo Agostini, mas também para outros projetos. Por exemplo, estamos desenvolvendo a Picles nº1, que será uma revista de humor, tamanho formatinho, 36 páginas da capa ao miolo, colorida e com um tema só, que será a presidenta Dilma Rousseff. Então que tiver material, e vale Cartum, charge, história em quadrinhos até 3 páginas, caricaturas e texto de humor, é só mandar. Vamos reunir por volta de 17 artistas com uma média de 2 páginas para cada um. Vamos selecionar o material e levar para uma editora para publicar.

Creio que esse formato pequeno tem grandes chances de ser publicado, mas não dá para chegar em uma editora sem nada na mão. Algumas pessoas já estão mandando material e já estamos analisando.

IHQ: Há quem diga que as reuniões da AQC é um formato ultrapassado. O que você acha sobre isso?
W.A.:
A AQC foi criada há 27 anos atrás, em uma situação política e econômica e mesmo da categoria, diferente daquela época. Na verdade a nossa pretensão na época era ser uma entidade sindical. Chegamos a ser uma entidade pré-sindical, mas isso não foi para frente. É evidente que a situação política e de mercado de quadrinhos mudou. A própria situação das pessoas está diferente, elas se tornaram mais consumistas e individualistas.

Quando criamos a associação as pessoas era mais solidárias e procuram se associar, e olha que quadrinhista é um profissional solitário, muito mais agora que existe a Internet. Pode ser que agora a concepção da AQC com a sua ideia original esteja ultrapassada. O problema é que não pode se mudar nada porque as pessoas não comparecem as reuniões para participar.

IHQ: Umas das recorrentes críticas ao Troféu Ângelo Agostini é o fato dele ser uma votação aberta. Foi divulgado que o número de votantes dessa edição foi de 246 pessoas. Você acha esse número significativo para uma votação aberta?
W.A.:
O ano passado teve cerca de 315, e este ano 240 votantes. Vão dizer que baixou bastante, mas não é isso. O que tem que ser observado é que cada vez mais as pessoas estão perdendo o interesse pelo quadrinho nacional e se você considerar o número de profissionais que se dedicam exclusivamente para os quadrinhos o número vai dar por volta de 300.

Existem 400 mil pessoas lendo a turma da Mônica é verdade, mas esse leitor só lê Turma da Mônica, do mesmo jeito que a cada dia tem mais pessoas lendo mangá que só compram esse tipo de quadrinho. Por outro lado tem menos pessoas lendo aventura no estilo norte americano, e nós somos fruto desse período de quadrinho americano. Toda influência da EBAL, todos editores de terror e etc. Agora está nascendo uma safra nova de leitores e produtores que criam no estilo mangá. Juntando tudo isso, temos a seguinte situação: menos gente interessada em quadrinhos, então é provável que o nosso público de quadrinhos diminua mais.

IHQ: Você acha que o número de votantes foi devido a campanha que cada quadrinista fez ou as pessoas deixaram de votar?
W.A.:
Em cima das considerações que falei anteriormente, além do fato que deveríamos ter conseguido divulgar mais o prêmio, você tem essa quantidade de pessoas de 300 pessoas, mas essa sempre foi a média de todos os anos. Se você me perguntar se teve alguma vez que foram 400 pessoas, a reposta será não, nunca teve. O que existe é um público constante que se interessa pelo quadrinho nacional, e um público que se interessa em votar.

Sobre a questão da campanha é uma atitude legítima, me desculpem, mas é legitima. O cara fala assim “eu quero que o meu álbum ganhe, então eu vou fazer campanha vou ligar para os meus amigos”, ele tem esse direito. Podem falar que assim pode dar um resultado deturpado, que o ganhador desenha muito mal, mas isso nunca aconteceu.  Isso porque existe uma depuração natural, por mais que o cara faça campanha, sempre o material de uma qualidade melhor ganha. É só você pega a lista de todos os ganhadores de melhor desenhista do Angelo Agostini você vai ver que 90% refletem o mercado da situação de quadrinhos .

IHQ: No começo do ano houve uma pequena polêmica em relação aos mestres de quadrinhos por causa de um nome que constava na relação. Você chegou até a mandar um e-mail para esclarecer a situação. O que foi essa discussão?
W.A.:
A primeira coisa é que as pessoas não lêem os critérios participação do prêmio. Não sei se é preguiça, ou má vontade, mas o fato é que muitas pessoas não lêem os critérios na cédula de votação.

Nos critérios de mestre tinha uma lista de pessoas. Adotamos um critério agora que para um nome estar na lista o profissional tem que estar vivo. O profissional vai ganhar um prêmio de mestre, vai ser votado e homenageado em vida. Na maioria das vezes vai ser o único troféu nos 30 anos em que ele trabalhou com quadrinhos.

Estabelecemos o seguinte critério: o profissional que já faleceu e que já estava na nossa lista já virou Mestre “Pós Morte” – eu acho que é uma palavra meio ruim – agora só votamos em profissionais que estão vivos. Outro critério é que o profissional tem que ter pelo menos 25 anos de produção de quadrinhos nacional. Outra coisa, Maurício de Sousa, Ziraldo e Angeli já ganharam como mestre, então eles não podem ganhar novamente nessa categoria.

Sobre o nome que disseram que estava na lista, ele não tem 25 anos de produção de quadrinho nacional. O nome dele nem estava na lista, vejam a cédula. Internet é uma coisa interessante. As pessoas acreditam no que não lêem.

IHQ: Como esses constrangimentos podem ser evitados então?
W.A.:
É só ler os critérios. Já cansei de ler na categoria lançamentos o votante colocar Tom & Jerry, Batman e etc., está no critério? Não está porque nem é quadrinho nacional. Recebi uma mensagem pouca malcriada de um editor de quadrinhos perguntando como nome dele não está entre os melhores desenhistas e como a publicação dele não estava como melhor lançamento.

Primeiramente eu respondi o seguinte: não existe lista de desenhista, por isso que você não esta na mesma. Se você desenhou durante o ano as pessoas podem votar em você. A segunda coisa é que a revista está no número 11. O critério da votação é revista nº1 ou edição especial. Você não esta na lista porque não está no critério.

Ai vão falar que os nosso critérios são de 20 anos atrás. Tem razão são de 20 anos atrás, mas as pessoas têm que ir às reuniões para que isso mude. Por exemplo, esse ano, através das reuniões chegamos à decisão de criar uma nova categoria, a de Melhor Lançamento Independente. Se chegou a conclusão que é injusto uma publicação concorrer com um álbum por melhor que seja, se ele foi produzido de forma independente, não tem como ele concorrer com uma editora grande Editora Abril, Panini ou mesmo uma Zarabatana.

IHQ: Para o próximo Angelo Agostini, você já está pensando em novos critérios, como por exemplo, o do Márcio Baraldi que publicamente pediu para ser retirado da cédula para abrir espaço para novos nomes?
W.A.:
Sinceramente eu não estou pensando em nada agora. A gente começa a construir por volta de outubro a edição do ano seguinte. Nas reuniões da AQC e discuti além de outras coisas, o formato do Angelo Agostini. O que a gente espera é que em outubro de 2011 possamos contar com todo mundo que tenha opinião e queira participar.

O que acontece é que o cara mete o pau, mas efetivamente ele não mete as caras. Ele tem que ir lá e dizer que quer melhorar esse prêmio ou dizer que quer acabar com esta “bomba”, e dizer que as outras premiações são melhores, mas tem que ir lá e não ficar falando pela Internet. Tem que botar as caras e falar com as pessoas. Isso é um critério democrático.

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O Impulso HQ agradece a Worney de Almeida pela entrevista cedida.

É isso leitor, agora você já sabe como participar e dar as suas opiniões e sugestões para o Troféu Angelo Agostini. Não deixe de conferir o blog oficial da AQC e participe das discussões e reuniões promovidas por esses profissionais que acreditam e não desistiram do Quadrinho Nacional.

As lindas fotos desse post são de autoria de Sissy Eiko.

Renato LebeauentrevistasAngêlo Agostini,AQC,Worney de AlmeidaPara encerrar a série de posts sobre o 27º Troféu Angelo Agostini, o Impulso HQ entrevistou Worney de Almeida, editor, pesquisador de quadrinhos. Worney é um dos grandes responsáveis pela elaboração e andamento do prêmio, e há anos organiza a cerimônia de entrega dos troféus. Ao fim da premiação conversamos...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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