William Cabral e Sérgio Bulla são dois artistas e bem underground que trabalham nas ruas de São Paulo.

William Cabral é um nome promissor que está despontando no novo cenário da HQ nacional, é ex-aluno de Eugênio Colonnese que junto com o também talentoso Sergio Bulla, ganha a vida fazendo retratos artísticos nas ruas de São Paulo e também produzindo HQs independentes para a Júpiter 2.

Conheça mais sobre o trabalho desses dois artistas em entrevista concedida ao Rod Gonzalez.

Rod Gonzalez: Desenha desde que idade e quando começou a curtir quadrinhos?
Sérgio Bulla:
Desde criancinha. Assim que fui alfabetizado.
William Cabral: Desde dos 6 anos de idade. Gosto de quadrinhos desde que me conheço por gente.

R.G.: Quais seus ídolos nos quadrinhos mundiais e nacionais?
SB:
Internacionais: Jonh Buscema e Roy Thomas. Gosto também do trabalho de Gene Day em Mestres do Kung Fu. Já os nacionais: Gosto do trabalho do William, talento que eu ajudei a desabrochar, e também do Adauto Silva.

WC: Internacionais: Jack Kirb, Stan Lee, Jhon Buscema, Neal Adams, Jhony Romita, Gil Kane, Gene Colan, Burne Hogart e tantos outros. Meus ídolos nos quadrinhos nacionais são: Eugênio Colonesse, Emir Ribeiro, Gedeone Malagola, Rodolfo Zalla, Shimamoto e Maurício de Sousa. Infelizmente conheço pouco dos quadrinhos nacionais até começar a trabalhar neles.

R.G.: Qual é a maior influência artística no seu desenho?
SB:
Michelangelo e Da Vinci.
WC: Acho que os quadrinhos podem ser definidos antes e depois de Stan Lee e Kirb (Quarteto Fantástico, 1961).

R.G.: Como você começou a fazer retratos artísticos?
SB:
Depois de desenhar de tudo, decidi pelo desafio e retrato é o mais difícil, é o último estágio.
WC: Sempre gostei de retratos, mas só comecei a trabalhar retratos com a necessidade e o desemprego.

R.G.: Possuem alguma formação artística? Qual?
SB:
Sou totalmente autodidata.
WC: Cheguei a entrar na faculdade de Belas Artes pra fazer Bacharelado em Pintura, Escultura e Gravura, mas não concluí por falta de dinheiro, fora o curso do Colonnese.

R.G.: Você pode nos contar qual a realidade do retratista artístico do Brasil nas ruas de São Paulo?
SB:
É dramática!
WC: Há aqueles que admiram os retratistas, mas há muita gente que nos detestam, chegando até a chamar de marginal, vagabundo e excêntrico.

R.G.: É possível sustentar sua família só com o dinheiro que ganha fazendo retratos?
SB:
É possível desde que você renuncie a diversão e trabalhe todos os dias.
Faço isso há mais de dez anos.
WC: É possível contanto que você abdique de muitas coisas e trabalhe de segunda a segunda.

R.G.: A polícia implica com os retratistas? Como ela costuma agir em relação a vocês?
SB:
A polícia civil e militar não, mas a GCM, as vezes, tem me prejudicado me tirando dos locais.
WC: A metropolitana juntamente com o rapa levaram meus desenhos na época do Pita (prefeito). Na segunda vez, não tendo recuperado os desenhos da 1ª, até sai rolando no chão com sei lá quantos rapa até que comecei a gritar pelos meus direitos Constitucionais e eles não levaram meus desenhos. Atualmente às vezes eles mandam você sair do local.

R.G.: Fale um pouco dos seus trabalhos. Quais HQs já produziram?
SB:
Participei da Thutharella, Mirza e Velta e de Pedro e Margot (uma HQ minha e do William).
WC: Já desenhei Thutharella, Mirza, Velta, Blenq, Raio Negro, Heróis Acadêmicos, CSB, Vigilantes, Capitão 7 (colorindo uma capa de Shimamoto) criei uma história de vampiro-romântica chamada Pedro e Margot juntamente com Sergio Bulla e atualmente estou criando um faroeste e desenhando outro com roteiro de José Salles.

R.G.: Os demais retratistas também curtem HQs? Falem um pouco sobre como são seus colegas de profissão.
SB:
Pelo que observo e converso eles passam pelas mesmas dificuldades que eu, existe também muita desunião entre nós por causa da vaidade, orgulho e ganância.
WC: O Sergio gosta muito do Conan fase Buscema/Roy Thomas, tem o Célio que já trabalhou com quadrinhos e gosta de Mágico Vento e Tex. O Célio diz que se decepcionou muito com quadrinhos na época. Os meus colegas de trabalho vão sobrevivendo como eu, mas parece que quanto mais verdadeiro e sincero você é no seu trabalho mais a vida fica árdua.

R.G.: Você acha que se houvesse um mercado maior para os quadrinhos nacionais essa seria uma opção a ser levada em conta pelos retratistas artísticos de rua?
SB:
Tenho certeza disso.
WC: Se houvesse mais mercado seria ótimo, mas poucos retratistas gostam ou sabem fazer quadrinhos.

R.G.: Aonde vocês costumam trabalhar? Existe algum ponto-fixo onde as pessoas interessadas possam encontrá-los?
SB:
Geralmente estou no centro de São Paulo ou regiões próximas. O modo mais prático é no meu celular, 72637738, e marcar algum local de encontro.
WC: Eu ando muito, mas às vezes fico na Ipiranga c/ São João altura do número 880, ou na Paulista. Finais de semana eu fico próximo à marquise do Ibirapuera.

R.G.: Sei que vocês também trabalham com HQs sob encomenda. Como um roteirista ou editor pode entrar em contato com vocês?
SB:
Só ligar no celular. Meu e-mail: [email protected]
WC: Por telefone: 33628957 ou cel. 82762075. Meu e-mail: [email protected]

R.G.: O que acham do mercado de histórias em quadrinhos do Brasil acreditam nele?
SB:
Sim, firmemente.
WC: Acho que está em ascensão. Acredito nele.

R.G.: Vocês já trabalharam comigo em HQs do meu personagem Blenq, poderiam falar um pouco sobre o personagem e esse trabalho?
SB:
Passei todo trabalho na mão do William por falta de tempo.
WC: Tentei dar ao Blenq uma cara brasileira, tipo mistura de Português com Índio. Gostei das histórias que tratavam de ecologia e o problema das drogas.

R.G.: E sobre a Thutharella?
SB:
Fiz alguns desenhos apenas. Mesma coisa.
WC: Thutharella já tem cara de clássico dos quadrinhos, um ícone, um ser mitológico, além de ser uma beldade! Uau!

R.G.: Vocês também trabalharam com as clássicas Mirza e Velta, poderiam falar um pouco sobre as personagens e o trabalho que tiveram?
SB: Mesma
coisa. Passei quase tudo pra ele.
WC: Foi uma honra trabalhar com Mirza e Velta, que estão no mercado há tanto tempo. Como a Mirza que é de 1967 (ano do meu nascimento). O trabalho que fiz foi juntar Mirza e Velta numa mesma história do Emir Ribeiro. Imagina juntar aquelas maravilhas tão diferentes numa mesma história – foi inspiração do começo ao fim!

R.G.: Deixem uma mensagem para o pessoal que está lendo:
SB:
Desenhem todos os dias!

WC: Não desistam nunca, agarrem o que acreditam mesmo se sentindo derrotados no fundo de um atoleiro. Vão em frente e trabalhem arduamente todos os dias. Se acreditar numa força superior peça forças, inspiração e intuição.

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O Impulso HQ agradece mais uma vez a Rod Gonzalez por sua gentileza em enviar a entrevista e permitir que ela seja publicada.

Renato LebeauentrevistasBLENQ,Burne Hogart,Capitão 7,CSB,Emir Ribeiro,Eugênio Colonesse,Eugênio Colonnese,Gedeone Malagola,Gene Colan,Gil Kane,Heróis Acadêmicos,Jack Kirb,júpiter 2,Jhon Buscema,Jhony Romita,José Salles,Mauricio de Sousa,Mirza,Neal Adams,Raio Negro,Rodolfo Zalla,Sergio Bulla,Shimamoto,Stan Lee,Thutharella,Velta,Vigilantes,William CabralWilliam Cabral e Sérgio Bulla são dois artistas e bem underground que trabalham nas ruas de São Paulo. William Cabral é um nome promissor que está despontando no novo cenário da HQ nacional, é ex-aluno de Eugênio Colonnese que junto com o também talentoso Sergio Bulla, ganha a vida fazendo...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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