Após a palestra na Comic Fair, o Impulso HQ teve uma rápida conversa com Will, para que ele esclarecesse melhor alguns pontos mencionados na apresentação do coletivo:

Impulso HQ: O que mudou na cena independente do surgimento do Quarto Mundo pra cá?
Will:
As pessoas despertaram mais para essa coisa dos quadrinhos independentes. O Quarto Mundo ajudou a dar fôlego na produção independente, não que antes não tivesse, quadrinhos independentes sempre existiram no Brasil, mas o Quarto Mundo ajudou no sentido de: “Opa, tá rolando de novo o quadrinho independente”. E uma coisa a destacar é a qualidade das publicações, em relação a conteúdo, visual e acabamento gráfico.

IHQ: Na palestra, o Alex Mir disse que a cada evento vocês conseguem um público novo e, depois, você mencionou que o público do Quarto Mundo não é necessariamente o público de quadrinhos. Você saberia informar o perfil do público que lê as publicações do Quarto Mundo?
Will:
O público que consome o Quarto Mundo é um público que também consome outras mídias, música, cinema etc. Ele não é aquele público só ligado a quadrinhos. Acho que ele [o público] não lê [as publicações do Quarto Mundo] por ser quadrinhos, ele lê porque a história é legal e esta no formato quadrinho – que é uma mídia bacana.

Publicações do coletivo Quarto Mundo

IHQ: Como é o retorno do público nesses eventos que o Quarto Mundo participa?
Will:
Hoje a gente participa de menos eventos, nos concentramos mais nos principais deles. Houve uma época, no começo, em que a gente participava de muitos eventos, mas ai vimos que não tínhamos pessoas suficientes para participar [de tantos eventos]. Também participamos de eventos que foi zero em vendas, um fiasco total.

Lógico que em eventos menores, vendas menores. Agora, participar de um FIQ ou um Fest Comix é muito mais compensador em termos de vendas e de contatos. Aqui, nós estamos numa outra configuração do Anime Friends, se fosse como as versões antigas, pra gente não compensaria mais, nada contra o fanzine, mas pra gente não compensaria mais [nota do editor: nesta edição, o coletivo estava pela primeira vez com um Stand exclusivo, nas edições anteriores o coletivo participava na Fanzine Expo, lugar do evento dedicado aos fanzines – a estrutura geralmente é apenas uma mesa na qual o fanzineiro pode expor seu material].

Daniel Esteves no stand do Quarto Mundo. Não peguei o nome da menina para legenda!

IHQ: Durante a palestra, vocês mencionaram que faltavam mais publicações em estilo infantil e mangá no Quarto Mundo. Como é trazer tantas publicações para cá, menos mangás, num evento freqüentado principalmente por fãs de mangás?
Will:
O público que freqüenta o Anime Friends também freqüenta o Fest Comix. O mangá está presente em vários eventos que o Quarto Mundo participa. Então, há o público que já nos conhece de outros eventos.

Quanto ao público que não nos conhece, a diversidade [das publicações do Quarto Mundo] é tão grande que se esse público der uma chance, ele vai gostar de alguma coisa. É impossível não gostar de alguma coisa, porque aqui tem quase tudo: humor, terror, suspense, cotidiano, romance, policial, ficção científica, enfim muita coisa. E de qualidade.

Hugo Nani faz caricatura ao vivo no stand Quarto Mundo

IHQ: E tem aquele lance de formar público? Conversar com as pessoas, perguntar o que elas gostam…
Will:
Uma coisa legal é isso: a pessoa vem para o stand e aqui vai encontrar um autor, pelos menos um autor, e são aqueles autores que já estão acostumados com eventos e conhecem o material e podem indicar algo para o leitor, que também pode perguntar para esse autor “por que aqui você fez assim? ali você fez assado? etc.” e isso é muito bacana.

IHQ: Falando um pouco do Quarto Mundo, deu uma enxugada no número de participantes, não?
Will:
É uma coisa natural, as pessoas entram para participar e às vezes pensam que Quarto Mundo é uma coisa que o coletivo não é, não deu o retorno que a pessoa pensou que daria etc. Mas é um processo natural, algumas pessoas saem, outras entram.

Atualmente temos cerca de 50 colaboradores. Até o começo de 2009 chegamos a ter mais de 100 pessoas. Agora deu essa enxugada, mas, como disse, é um processo natural.

Cadu Simões, que não faz mais parte do coletivo, esteve presente para dar uma força aos amigos

IHQ: Mas o coletivo continua aberto a novos integrantes?
Will:
Continua. Se você tem uma revista e quer distribuir e divulgá-la, o coletivo pode ajudá-lo nisso. Mas tem uma contrapartida, você tem que ajudar o Quarto Mundo de alguma forma.

IHQ: Mas não é ai, nessa ajuda ao coletivo, que fica muito difícil para o autor? Ele já é o desenhista, roteirista e editor do trabalho e ainda tem que se comprometer ir a eventos, ou participar do núcleo de tradução, ou qualquer outro núcleo dentro do Quarto Mundo…
Will:
Eu sou autor, desenhista, editor e também participo de eventos. O Daniel Esteves também: ele edita, escreve, conversa com os desenhistas, corre atrás de gráfica, faz o trabalho dele na escola e participa dos eventos.

Will

IHQ: Mas você concorda que isso é uma pegada mais pesada?
Will:
Sim, mas alguém tem que fazer.

IHQ: Para finalizar, que dica você daria para quem está começando agora?
Will:
Continue fazendo, faça cursos, se aprimore, se junte com amigos, vá a eventos… e continue fazendo.

Alexandre ManoelentrevistasComic Fair,Quarto Mundo,WillApós a palestra na Comic Fair, o Impulso HQ teve uma rápida conversa com Will, para que ele esclarecesse melhor alguns pontos mencionados na apresentação do coletivo: Impulso HQ: O que mudou na cena independente do surgimento do Quarto Mundo pra cá? Will: As pessoas despertaram mais para essa coisa dos...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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