O quadrinhista mineiro Wellington Santos, autor das HQs do herói urbano Vulto, concede entrevista exclusiva para o Impulso HQ e fala sobre sua trajetória, o mercado de quadrinhos e futuros projetos.

Impulso HQ: Como e por que você começou a se interessar por quadrinhos?
Wellington Santos:
Meu interesse por quadrinhos começou na minha infância, antes mesmo de saber ler, adorava “Turma da Mônica” e “Disney”. Aos 12 anos conheci os quadrinhos dos “Super Heróis”, que já conhecia pelos desenhos animados da TV e me tornei grande fã, sonhando produzir meus próprios personagens e publicá-los algum dia.

IHQ.: Qual é o seu personagem favorito? E a sua história predileta?
W.S.:
Superman, Batman, Demolidor e Justiceiro. Há várias histórias, sinceramente fica difícil citar uma única… Superman o homem de aço (John Byrne), Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons), Demolidor A Queda de Murdock (Frank Miller e David Mazzuchelli), dentre uma porção de outras e adoro o Menino Maluquinho e a Turma do Pererê do grande Ziraldo.

IHQ.: Que artistas influenciaram sua obra?
W.S.:
Sempre fui fã de vários artistas brasileiros como, Allan Alex, E.C Nickel, Flávio Colin, Ofeliano, Julio Shimamoto. Adoro os trabalhos do meu conterrâneo e “xará” Wellington Srbek, que produziu várias obras maravilhosas dentre elas, “Estórias Gerais”.

Dos quadrinhos internacionais John Buscema, John Romita, Mike Zeck, Jim Lee, Marc Silvestri, em especial John Byrne, por ser um autor completo (roteirista, desenhista e arte finalista). Ele produziu e continua produzindo, vários trabalhos capazes de mudar a trajetória de diversos personagens. Acredito que levo um pouco da arte de cada um deles no meu trabalho, apesar de ter um estilo próprio.

IHQ.: Sua trajetória é recente, mas bastante expressiva num contexto que oferece tantos desafios ao autor nacional. Você esperava tamanha repercussão?
W.S.:
Puxa, obrigado pelo elogio… bondade sua! Vulto realmente vem tendo uma boa repercussão, e espero continue ganhando espaço e conquistando o público por esse Brasilzão!

IHQ.: Como surgiu o Vulto? Como foi o caminho entre a concepção do personagem e a primeira revista impressa?
W.S.:
Essa vai ser longa! Em 89 voltei a colecionar quadrinhos depois de um tempo afastado e nesta época o Batman completara 50 anos. Ele estava em diversas revistas, colecionáveis e no cinema, era o auge da “Batmania”. Eu adorava o Demolidor e o Justiceiro, que estavam começando a ser publicados no Brasil, puxa… Eu pus na cabeça que queria produzir quadrinhos e acabei reunindo esses três personagens num sujeito que seria o “Vulto” rsrs…

Levou muito tempo até que eu conseguisse publicar minha primeira revista, e durante esse período, freqüentei grupos de quadrinhos, li muito sobre sua produção, participei de eventos e procurei informações com os autores. Fiz dezenas de histórias com uma galeria de personagens que criei em 1989.

Já fiz charges pra jornais, desenhos pra editoras e tudo isso me ajudou muito. Tentei publicar meus quadrinhos através de editores, patrocinadores e leis de incentivo, mas acabei fazendo isso (depois de muita luta!!!) de forma independente, em 2005, com a revista “Vulto o vigilante”.

IHQ.: Fale um pouco sobre o universo do Vulto. Quais os principais aspectos de suas aventuras? Há interação com demais heróis publicados pela Júpiter II?
W.S.:
Vulto é um herói urbano que atua em Belo Horizonte, sempre à noite, combatendo principalmente o tráfico de armas e drogas, atuação de figurões do crime e corrupção. É o universo cotidiano do submundo de toda grande cidade…
Por enquanto ele só atuou sozinho em suas aventuras, mas eu gostaria muito de publicar histórias dele com outros personagens da Júpiter.

IHQ.: Como você passou a publicar pela SM / Júpiter II Editora? Você tem “carta branca” para suas HQs exatamente como quer?
W.S.:
Comecei a publicar com o editor José Salles em 2007, eu já tinha lançado minha primeira revista e era um leitor da SM Editora, o Salles conhecia o Vulto e tinha gostado do meu trabalho, eu tinha uma nova história pronta, mas estava com dificuldades em editá-la então, através de uma carta ele me informou sua decisão de publicar o Vulto.

Sim, tenho total liberdade pra produzir minhas revistas. O Salles me disse que gosta tanto do meu trabalho que já o envia direto pra gráfica ao recebê-lo em CD, deixando pra ler só quando a revista está pronta. É uma grande prova de confiança e por isso, procuro fazer sempre o melhor a cada edição.

IHQ.: Como é o retorno dos leitores?
W.S.:
Sempre muito significativo, pessoas de todas as regiões do Brasil procuram pelo Vulto e sempre se mostram muito, ficam empolgadas com minhas revistas. Tenho recebido muitos elogios de leitores e até de autores famosos do cenário nacional de quadrinhos e isso é muito gratificante. O público define o sucesso ou fracasso de um personagem e só tenho a agradecer aos meus leitores.

IHQ.: Existe algo de que você tenha se arrependido de ter feito ou não com o Vulto até agora?
W.S.:
Não, nunca me arrependi de nada feito com o Vulto, pois vejo os quadrinhos como um trabalho em constante evolução e felizmente tenho percebido isso a cada edição, principalmente pelos comentários que recebo por parte dos leitores, autores e do meu editor.

IHQ.: Como você vê o personagem no contexto dos quadrinhos nacionais?
W.S.: Acho que o Vulto é mais um dos personagens brasileiros com grande potencial e que vem buscando, cada vez mais, um espaço de destaque no cenário nacional de quadrinhos.

IHQ.: Sua mais recente publicação comemora os 20 anos do Vulto com uma história em que criador e criatura se encontram. Como surgiu a idéia para essa série?
W.S.:
Eu queria produzir uma história diferente das anteriores, onde eu pudesse apresentar o Vulto através do olhar de um cidadão comum. Achei que seria interessante se eu mesmo fosse esse cidadão nesta aventura em que me encontraria com ele e acabaria dando uma forcinha.

IHQ.: Há algum personagem que você gostaria de trabalhar, mas ainda não teve oportunidade?
W.S.:
Bom, eu gosto de trabalhar com meus próprios personagens, tenho outros e gostaria de produzi-los sim, mas por enquanto vou me concentrar nas aventuras do Vulto.

José Salles e Wellington Santos

IHQ.: Existem projetos em andamento? O que podemos esperar e o que pode nos contar de novidades?
W.S.:
Sim, há projetos em andamento! Para próxima edição teremos mais duas histórias, uma toda produzida por mim onde o vigilante de BH enfrenta diversas situações sob fortes chuvas e uma escrita por José Salles e ilustrada por Zilson “Zeck” onde será revelado o que motiva o Vulto a ajudar pessoas.

Em ambas o personagem estará salvando vidas e reforçando sua imagem de herói. Há também histórias de convidados prontas para próximas edições e mais ideias para novas aventuras com o Vulto.

IHQ.: Além de Vulto, quais seus outros projetos futuros?
W.S.:
Eu tenho recebido convites pra capas, ilustrações e produção de outras histórias, pretendo participar ao máximo de outros projetos, acho que isso é muito importante e sem dúvida, ajuda a firmar meu nome no cenário nacional de quadrinhos. Mas prefiro deixar que os materiais sejam publicados primeiro…rsrs

IHQ.: Se você tivesse que recomendar um trabalho seu, para alguém não familiarizado com a sua obra, que título você sugeriria?
W.S.:
“Vulto o vigilante”, pois este álbum de 88 páginas apresenta a origem do Vulto, seus aliados e rivais, enfim todo seu “universo”. E depois as demais, pois como disse acima, a cada edição o Vulto tem melhorado bastante!

IHQ.: O que você acha da invasão “quadrinhos japoneses” feitos por brasileiros?
W.S.:
Puxa, eu não conheço nada sobre os quadrinhos japoneses, só sei que eles são muito bem produzidos e que conquistam públicos imensos pelo mundo todo.

IHQ.: E os quadrinhos europeus? Você admira algum autor ou obra em especial?
W.S.:
Dos europeus, só conheço quadrinhos de “western” dos italianos e admiro muito os desenhos do Claudio Villa (Tex) e Ivo Milazzo (Ken Parker).

IHQ.: Qual sua opinião sobre os artistas nacionais que se dedicam mais ao mercado internacional, como Fábio Moon e Gabriel Bá, Rafael Grampá, Ivan Reis, Rafael Albuquerque, Eddy Barrows e etc.?
W.S.:
Produzir quadrinhos no Brasil é um hobby, muitos destes artistas e tantos outros já publicaram por anos no nosso mercado, no entanto precisaram buscar o mercado exterior pra serem reconhecidos, respeitados e conseguirem se sustentar.

O mercado internacional é muito bem estruturado, por isso paga (e bem!) aos autores. Acho legal que artistas brasileiros tenham ganhado espaço no mercado internacional. Isso nos dá credibilidade e pode atrair atenções para os quadrinhos produzidos em nosso país.

Conheço pessoalmente Eddy Barrows e admiro muito seu trabalho, acho que TODOS os autores brasileiros, que trabalham dentro ou fora do Brasil merecem todo respeito, pois são batalhadores de verdade!

IHQ.: Como estão os quadrinhos nacionais atualmente? Melhor do que quando você começou? Pior? Quais as vantagens e desvantagens nesses 5 anos?
W.S.:
Os quadrinhos vêm conquistando espaços cada vez mais importantes nos últimos anos, sem dúvida alguma hoje é melhor e mais fácil se produzir HQ do que há 10 anos atrás… Há um número bem maior de eventos, pessoas interessadas em produzir e publicar material nacional.

Autores e editores vem fazendo sua parte, e agora cabe ao público fazer a deles, valorizando e dando o apoio necessário à produção brasileira pra que ela se fortaleça e se desenvolva cada vez mais! TODOS NÓS SOMOS PARTE IMPORTANDE NA SOLIDIFICAÇÃO DA HQB!

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O Impulso HQ agradece a Wellington Santos pela atenção e entrevista cedida. Para quem se interessar em conhecer mais sobre o personagem Vulto, mande um e-mail solicitando o álbum “Vulto o vigilante” [email protected] e as demais revistas pelo [email protected]

Dennis RodrigoentrevistasHQB,Júpiter II,Vulto,Wellington SantosO quadrinhista mineiro Wellington Santos, autor das HQs do herói urbano Vulto, concede entrevista exclusiva para o Impulso HQ e fala sobre sua trajetória, o mercado de quadrinhos e futuros projetos. Impulso HQ: Como e por que você começou a se interessar por quadrinhos? Wellington Santos: Meu interesse por quadrinhos começou...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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