Ele dispensa apresentação. Para os leitores de quadrinhos de super-heróis dos anos 1990, principalmente da Marvel Comics, Roger Cruz representa um dos artistas mais expoentes da sua geração.

Depois de mais de 20 trabalhando com o mercado norte-americano, Roger em 2010 surpreendeu o público brasileiro com a sua HQ autoral Xampu Lovely Losers e nesse ano lançou o sketchbook Nudes In Fury, uma compilação de ilustrações eróticas.

O Impulso HQ conversou com Roger Cruz, durante o Rio Comicon, e o quadrinhista falou sobre a sua carreira e quais os seus planos para o futuro. Confira:

Impulso HQ: Do início da sua carreira até hoje, o que mais mudou no mercado editorial de quadrinhos no Brasil?
Roger Cruz:
Nunca tive muito contato com o mercado nacional, o contato que eu tive foi bem no começo da minha carreira, onde eu trabalha em editoras pequenas e de conteúdo erótico. Naquela época era muito difícil, não tinha mercado praticamente. Hoje estou vendo esse caminho novo, que é o dos independentes, que começou com os gêmeos Bá e Moon.

Xampu não é exatamente uma HQ independente, mas era um bom momento para lançar esse projeto que é muito antigo. Eu já estava há 20 anos trabalhando para o mercado americano e vi essa possibilidade desse pessoal produzindo e achei que fosse um bom momento. Eu já tinha as histórias escritas então resolvi parar um pouco com o mercado americano e decidi fazer as quatro edições.

É muito difícil apontar exatamente aonde isso tece início. Começa com uma pessoa mostrando o caminho. Não sei te dizer exatamente quem são essas pessoas. Não sei dizer se foram os gêmeos, porque na verdade eles não criaram esse movimento, mas eles trouxeram novamente para o mercado essa produção com histórias que fogem se super-heróis, e que mostram a vida cotidiana. Isso já tinha antes, mas o mercado estava muito voltado para quadrinhos americano de super-heróis, e agora isso voltou com tudo porque essa juventude está querendo ver isso.

Acho que as coisas são cíclicas, talvez daqui a pouco comece novamente o quadrinho europeu. Não tem como prever.

IHQ: Ser popular tanto aqui no Brasil como no exterior atrapalha na hora de produzir?
R.C.:
Isso é uma coisa que eu estava conversando outro dia. Eu estava assistindo X-factor na TV e eu via todas as pessoas que iam lá e eram perguntadas por que elas queriam ganhar o prêmio, elas respondiam que queriam ser famosas. E isso me faziam perguntam porque elas sempre tinham a motivação errada, pelo menos na minha opinião.

A motivação de você querer fazer alguma coisa é você gostar daquilo e querer fazê-la mais do que tudo, e não ganhar prêmio. A minha motivação sempre foi gostar desenhar, e isso é uma coisa que eu não troco por outra posição. Então nunca tive pressão enquanto a isso, nem em relação ao público ou em estar em exposição. Minha preocupação é sempre fazer o meu melhor. Não estou em competição com outros artistas, e sim comigo mesmo.

Ser popular não acrescentou em nada, aliás, isso é uma coisa que eu não gosto muito. Sou muito tímido, então eu gosto quando não me reconhecem muito.

IHQ: Depois de um bom tempo publicando no exterior, em 2010, você surpreendeu uma grande geração que não conhecia o seu trabalho autoral. O Xampu é o verdadeiro Roger Cruz?
R.C.:
É um dos. Não tenho apenas histórias parecidas com Xampu, por exemplo, Gutigutz é uma outra faceta do meu trabalho, que é um trabalho de humor, que eu gosto muito de fazer.

Xampu é bastante de mim, porque coloquei muito de mim naquele trabalho porque parte também de memórias de pessoas que eu conheci e de histórias que eu queria contar sobre elas. São histórias bem comuns e eu acho que até por isso que as pessoas que leram gostaram e se identificaram bastante.

Xampu é Roger Cruz, o Gutigutz também e super-heróis foi por um tempo. Acho que nada é tão definitivo também. Não era o Roger Cruz quando eu desenhava apenas super-heróis, porque eu já tinha a ideia de migrar. Conheço muitos artistas que querem desenhar super-heróis pelo resto da vida, mas isso é uma realidade pra ele, cada um tem uma. Eu tenho três ou quatro diferentes.

IHQ: O seu mais recente lançamento é Nudes In Fury. Por que lançar um sketchbook agora com uma carreira consolidada?
R.C.:
Mas porque não? É um trabalho que eu fiz e compilei. Não é bem um sketchbook, tem muitas coisas ali que foram bem trabalhadas, então eu chamo de Artbook. Tenho planos para lançar um sketchbook e não sei como direcionar, porque eu tenho armários cheios de sketch que eu faço rotineiramente. Um dia pretendo fazer uma compilação disso.

Eu não vejo muito essa questão do momento. Eu nem penso muito nessa questão mercadológica. Foi assim com o Xampu, eu parei tudo naquele momento. Eu tinha trabalhos para a produzir para o mercado americano, mas eu avisei antes que eu não iria fazer mais aquele trabalho porque eu tinha que terminar o Xampu.

Sobre o sketchbook, eu tinha começado a desenvolver um trabalho com hachuras que rendeu muitos desenhos e pretendo lançar também no futuro.

IHQ: Você acha que o leitor brasileiro vai começar a ter uma cultura de comprar sketchbook?
R.C.:
Eu espero que sim. Eu compro muito o material que vem de fora, eu pelo menos adoro. Não sei se o publico que lê quadrinhos aqui no Brasil, que lê não só pelos desenhos, mas também pelas histórias, não sei se eles se interessariam tanto pelo sketchbook. Mas eu acredito que tem mercado porque vendeu um bom número de Nude In Fury, então eu acho que tem um interesse.

IHQ: Quais são os seus planos para os projetos futuros?
R.C.:
Gutigutz é um porque ainda não publiquei. E esse é um projeto que eu pretendo lançar com uma certa sequência, porque na minha cabeça as histórias são intermináveis. Quero fazer os dois álbuns seguintes de Xampu para terminar o arco. Eu gostaria de fazer um livro com aquarelas, uma história em quadrinho toda aquarelada. Tenho muitas histórias escritas, mas ainda não têm forma de álbum ou de um gibi.

IHQ: Para o próximo semestre teremos algum novo álbum de Roger Cruz?
R.C.:
Além da Gutigutz tem uma outra ideia que é lançar de forma independente um livro com dicas de desenhos. Será uma publicação de aprenda a desenhar anatomia e perspectiva. Eu comecei esse projeto para um aplicativo do Iphone, e eu produzi muita coisa que não foi utilizada no aplicativo, então eu quero continuar e lançar isso em um formato barato para compartilhar com a galera e com aquela moçada que sempre me pergunta.

Renato LebeauentrevistasNudes in Fury,Roger Cruz,Xampu Lovely LosersEle dispensa apresentação. Para os leitores de quadrinhos de super-heróis dos anos 1990, principalmente da Marvel Comics, Roger Cruz representa um dos artistas mais expoentes da sua geração. Depois de mais de 20 trabalhando com o mercado norte-americano, Roger em 2010 surpreendeu o público brasileiro com a sua HQ autoral...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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