Entre as atividades programas entre a parceria do Impulso HQ com o Soc! Tum! Pow!, estão entrevistas conjuntas com os quadrinhistas falando sobre os seus projetos e carreiras. Elas serão dividas em partes iguais e publicadas no mesmo dia nos sites.

Hoje daremos início a essas entrevistas com o Nestablo Ramos Neto, criador do universo Zoo, e que teve o álbum publicado pela HQM Editora, em 2009. O autor já começou a postar novidades sobre a continuação da HQ em seu blog oficial, portanto nada melhor do que estrear a parceria entre os sites, sabendo mais sobre o projeto que em 2010 ganhou o Troféu Bigorna, na categoria Pblicação de Aventura/outros, e que foi selecionado pelo PNBE.

Confira abaixo a entrevista com Nestablo, que de quebra cedeu aos dois sites duas imagens exclusivas de Zoo. Você confere uma aqui no Impulso HQ e a outra diretamente no Soc! Tum! Pow!

Impulso HQ: Quando você criou Zoo, você pensou em algum tipo específico de público?
Nestablo Ramos:
Procurei alcançar a todos. Acho que o mercado nacional não pode se dar ao luxo de fazer projetos para este ou aquele público, as chances de sucesso são maiores quando fazemos um produto para todos. Acho bem mais legal assim, quando todos podem ler o que você criou. Zoo é o tipo de HQ feita para conscientizar, e isso deve chegar a todas as pessoas.

IHQ: Não dá para negar que Zoo é uma crítica (aos abusos em animais). Podemos chegar a conclusão que essa é a sua posição também? Você faz parte de algum movimento em defesa animal?
N.R.:
Com certeza é a minha posição. Não acho que os animais precisem sofrer para o nosso conforto ou prazer. Não faço parte de nenhum movimento, mas conheço e tenho amigos que fazem. Quando estava pesquisando para o livro participei de alguns movimentos. Conseguimos que a justiça tirasse os animais de um circo que queria se apresentar aqui em Brasília e entregá-los aos zoológicos de alguns estados, inclusive aqui mesmo no Distrito Federal.

Não sou muito fã de zoológicos, mas acho que os animais do circo terão uma vida melhor neles do que fazendo truques bobos para nos divertir. Gosto de visitar os animais deste circo que ficaram no Zoo daqui e recentemente estive lá. Tem um rinoceronte branco que chegou num estado lamentável e hoje está outro animal, mais ativo e tranqüilo. O trabalho das pessoas de grupos de direitos dos animais é muito importante, sem eles para se manifestar pelos animais a situação seria bem pior.

IHQ: Algo marcante em Zoo são as características dos personagens animais que refletem pessoas, como as expressões e comportamento. Quais foram os seus estudos para chegar a esse resultado?
N.R.:
Foi e ainda é um pouco complicado adaptar alguns animais para a forma humana. Alguns são mais difíceis que outros, mas nada que um bom tempo para exercitar isso não resolva! (risos). Quanto à personalidade de cada um, me inspirei em algumas pessoas que conheço e adicionei detalhes que achei que seriam bem interessantes para cada um. Muito trabalho de observação, coisa que adoro fazer.

IHQ: Zoo já teve alguma consequencia desagradável? Algum episódio com algum radicalista?
N.R.:
Não, pelo contrário. O livro teve uma aceitação excelente! Quem é defensor dos direitos dos animais adorou e quem não é, também. Crianças e adultos estão lendo, era isso que eu queria! Acho que consegui agradar a todos.

Vegetarianos fizeram uma divulgação enorme no Orkut e outros meios digitais, colavam algumas imagens e postavam o link do blog e como saber mais sobre o livro. Para não dizer que não poderia ser melhor, o livro foi selecionado pelo PNBE, então agora ele vai para as escolas do Brasil! Estou no céu! (risos)

IHQ: Você já teve receio de publicar algum desenho que fez para Zoo com medo das represálias? Já que a história trata humanos como animais? Qual?
N.R.:
Sim! Um dos “comerciais” do universo Zoo, a capa da revista Nham Nham. Nesta capa mostro a personagem Ana Maria Pata segurando um Bebê assado e algumas “dicas de culinária”. (risos). Não foi publicado porque nós (eu e o editor Carlos Costa) não queríamos correr o risco do livro ser recusado pelo governo.

Até achamos que daria para pôr, mas retiramos um dia antes de ir para a gráfica. Foi melhor assim, mesmo sendo uma representação do que fazemos com os animais, muita gente poderia não aceitar se colocar no lugar do bebê! (risos). A imagem pode ser conferida no blog.

IHQ: Já foi dito que toda a ideia de Zoo surgiu quando você viu na TV uma modelo desfilando com roupas feitas com peles de animais, e somente alguns meses após ela ter dito que nunca o faria. Na série a gata Ísis é uma fortíssima referência a modelo, de modo que talvez possamos até dizer que foi com Ísis que tudo se originou. Porém, ela ficou bastante apagada no primeiro volume. Ela será melhor explorada na continuação?
N.R.:
O projeto nasceu com a Ísis como protagonista principal, mas ela precisava de alguém mais forte ao seu lado, pois não ficaria muito fácil de acreditar que uma modelo seria capaz de fazer tantas coisas para proteger humanos, assim criei uma fotografa, uma chimpanzé com cara de nerd e que seria a fiel parceira de Ísis.

A personagem ficou tão legal que resolvi usar um macho, não por ser machista, longe disso (risos), mas porque o design do personagem como macho ficou muito mais expressivo e porque seria um contraste bem melhor um casal que uma dupla de fêmeas.

A Ísis tem um papel muito importante na trama, ela representa o que boa parte das pessoas são, não querem o mal dos humanos, mas temem se envolver e muitas vezes se omitem. No caso dela, só quer seguir seu caminho sem maiores perturbações, mas as ações de Sims parecem persegui-la. Eles não se gostam, mas se ajudam no fim das contas e isso é bem interessante. Não, não há nada entre eles (risos). São completamente opostos.

O lance deles é mais aquela história de amigos de sexos diferentes que conseguem ser apenas amigos, no caso deles, amigos que não se curtem muito. Não sei se deu pra entender! (risos).

Imagem enviada exclusivamente para a entrevista

IHQ: Sabu teve um papel importante ao revelar aos Amigos da Humanidade não só a origem de Naiana como também as manipulações que os animais em Zoo sofrem pelas mãos dos “sabidos”. Sem dúvida o tigre é um personagem que não tem como não gostarmos, pois é extremamente profundo e bem construído. Podemos esperar ver Sabu e Sita no segundo álbum?
N.R.:
Com certeza! Sabu e Sita são a manifestação da indignação e revolta de todos que sofrem vendo os horrores que os animais passam. São aquela parte da gente que gostaria de fazer a justiça com nossas próprias mãos, fazem a justiça deles da maneira que acham certo.

Estão livres das “amarras”, como ele mesmo disse e essa deve ser uma sensação maravilhosa. Sita é a companheira fiel e consciência do marido. Estão com presença garantida no livro 2 e 3. Adoro esses personagens.
______________________________________

Gostou de saber mais sobre o Nestablo Ramos Neto? Então não perca tempo e veja a outra parte da entrevista no Soc! Tum! Pow!, clicando aqui. Lá você saberá mais sobre a continuação de Zôo e sobre outros projetos do quadrinhista.

Confira também a Resenha HQB de Zoo, clicando aqui.

Renato LebeauentrevistasNestablo Ramos Neto,ZooEntre as atividades programas entre a parceria do Impulso HQ com o Soc! Tum! Pow!, estão entrevistas conjuntas com os quadrinhistas falando sobre os seus projetos e carreiras. Elas serão dividas em partes iguais e publicadas no mesmo dia nos sites. Hoje daremos início a essas entrevistas com o Nestablo...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe