Klebs Jr. é diretor da Escola e estúdio Impacto Quadrinhos e trabalha para o mercado internacional de quadrinhos há mais de 30 anos. Durante a sua palestra na Comic Fair, Klebs Jr. fez questão de enfatizar como o artista não deve ser unicamente talentos, ele deve ser um bom profissional.

Sendo o estúdio um local de agenciamento de quadrinhistas para o mercado estrangeiro, Klebs Jr. falou com propriedade sobre o assunto e como o comprometimento é fundamental para a carreira do artista.

O Impulso HQ conversou com Klebs Jr. sobre a questão do papel de um agente de quadrinhistas e como funciona toda essa relação. Ele nos conta qual mais sobre os critérios que ele utiliza para avaliar se o quadrinhista está preparado ou não para o mercado estrangeiro, qual a sua função como agente, as regras que ele apresenta quando vai agenciar, e muito mais. Confira:

Impulso HQ: Qual é a função de um agente de quadrinhos?
Klebs Jr.:
O agente é a ponte entre o artista e o estúdio que vai levar o desenho para uma Editora Americana. Por causa da língua a maioria dos desenhistas não tem acesso aos editores, número de telefone, e-mail e muito menos visitar as editoras ou ir às feiras em San Diego, por exemplo.

Meu trabalho é primeiro filtrar o pessoal profissional, analisar se está basicamente em um patamar vendável profissional, porque não posso mandar qualquer trabalho, já tem que pré-selecionar, se o quadrinhista domina anatomia, narrativa, desenho etc… pelo menos em nível profissional e vendável para que o editor goste.

Meu papel é esse “facilitador”, eu filtro e aviso se o cara tem um trabalho profissional ou não, quando tem ajudo a preparar as amostras da maneira mais profissional possível e envio para os editores. Se aprovado ele envia o trabalho para o artista, eu traduzo os roteiros pego referência etc., e fico cobrando do artista sobre o prazo que é algo importantíssimo. Recebo o pagamento e passo o dinheiro para conta da pessoa.

IHQ: Quando você traduz roteiro, o desenhista não tem dificuldade sobre o entendimento, ou sobre o que o roteirista quis transmitir?
K.Jr.:
Hoje é muita coisa e não traduzo tudo sozinho, tenho uma equipe que cuida disso. Quando o desenhista não conhece o personagem ou nave de um universo muito específico, ou como é a mansão do personagem, a arma x e etc., ele fala direto comigo e se ainda tiver alguma duvida eu falo direto com o editor ou roteirista, para deixar o roteiro mais claro possível para o artista.

IHQ: Sua função é filtrar o artista que já está pronto ou não, qual é o seu critério?
K.Jr.:
Sou muito tranquilo, calmo, e se não fosse não ficaria nesta carreira, porque preciso ser o carrasco para o editor e para o artista. O editor me cobra para o artista sobre prazo, e o artista me cobra para o editor da referência, pagamento. Eu sou um para raio, todo mundo reclama comigo, tenho que ter muito jogo de cintura.

Klebs Jr. e Eddy Barrows no stand da Impacto Quadrinhos

IHQ: Você já teve que passar por alguma situação adversa porque não aprovou algum trabalho?
K.Jr.:
O artista em geral é muito sensível e egocêntrico. Se você fala que alguma coisa não ta boa ele logo acha que é com ele, principalmente quem esta começando. Quem já esta no mercado não é assim.

Quem está começando houve uma critica ex: esta figura não esta legal, esta anatomia não esta bacana, o cara pensa que não gosto dele, ou que é o meu gosto pessoal meu. Meu gosto pessoal não tem nada há ver. Eu simplesmente mostro para o artista o nível de desenho que ele tem que ter, narrativa, acabamento para ele conseguir vender o trabalho para o editor, este é o filtro que eu tenho que fazer.

Quando o artista não está com um desenho legal, se a narrativa não esta boa, ou se a atitude profissional não está adequada, eu tenho que avisar está pessoa para que não se queime no mercado. O mercado americano é implacável, queimou adeus.

IHQ: Na sua palestra você falou da pluralidade de estilos brasileiro que está em alta no mercado estrangeiro devido a sua aplicação em diversos títulos. Como você aborda o editor quando vai fazer uma apresentação do artista e seu estilo?
K.Jr.:
Existem dois tipos de encaminhamento: primeiro aberto quando o editor tem uma vaga na revista Star Wars e uma saga de três números, por exemplo. Mando várias opções estilo, do realista ao mangá, e o editor escolhe um ou dois artistas fazer um teste especifico da série. A própria editora ou a Jorge Lucas aprovam e o trabalho começa.

A segunda maneira é quando o editor vem atrás de um artista e já pede um trabalho específico.

IHQ: É obvio como desenhista e artista profissional você comentou a questão de prazo e ter um bom relacionamento com o editor. Você deixa estas regras claras para os artistas gerenciados?
K.Jr.:
Sim. No site da Impacto, dentro da área do estúdio, tem uma página chamada teste, onde eu tento passar essas preocupações para o artista como profissionalismo, cumprir prazo, atitude profissional, não brigar etc. Quando a pessoa vem trabalhar comigo eu faço um teste de quatro paginas para eu sentir se vai ele vai ser profissional ou não. Não importa o que aconteceu no passado, preciso para semana que vem, para eu saber todos os aspectos profissionais do artista.

IHQ: Você começou sendo desenhista no mercado Norte Americano, por que virar agente de quadrinhistas?
K.Jr.:
Foi engraçado, faz mais ou menos uns 15 anos, os artistas da época iam em casa e dizia “Kleb você podia ser agente, eu sou desenhista não sei dessas coisas”. Por causa da Impacto ser escola tinha muita gente boa, talentosa e o mercado americano vendo isso começou a me procurar, através de estúdios e editoras.

Estava preparando tanta gente boa e mandava para estúdios de agenciamento que tínhamos parceria na época. Por eu ser desenhista e saber o que é prazo, o que é profissionalismo, consegui ter muita identificação, melhor com artista e o editor.


IHQ: No Brasil não tem muitos agentes, dois ou três senão me engano. Lá fora esse mercado de agentes também é restrito?
K.Jr.:
Há alguns agentes no mercado americano, que tem estrutura não só de quadrinhos como de cinema, literatura e entretenimento em geral. Os Estados Unidos tem uma estrutura de utilização de agenciamento maior ex: todos os atores de Hollywood têm agentes, é normal para que o artista não fique perdendo tempo com negociação, dinheiro, contrato. Todos os detalhes do trabalho é o Agente que cuida.

Renato LebeauentrevistasComic Fair,Klebs Jr.Klebs Jr. é diretor da Escola e estúdio Impacto Quadrinhos e trabalha para o mercado internacional de quadrinhos há mais de 30 anos. Durante a sua palestra na Comic Fair, Klebs Jr. fez questão de enfatizar como o artista não deve ser unicamente talentos, ele deve ser um bom...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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