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Autoretrato de Julia Bax

No começo da semana colocamos um post sobre a participação da brasileira Julia Bax em uma webcomic chamada Mr. Trildok Sings the Blues no site ZUDA Comics.com, site pertencente a DC Comics.

Nacisda em Belém do Pará, a ilustradora, roteirista e desenhista de historias em quadrinhos Julia Bax, já tem uma longa experiência no mercado editorial nacional, sendo considerada uma das grandes surpresas da extinta revista Kaos!, ganhando o prêmio de desenhista revelação no Troféu HQ Mix 2006.

Também já produziu para os Estados Unidos para a Boom Studios, Devil’s Due e Marvel Comics e atualmente mora na França há quase um ano, sua primeira experiência de viver em outro país.

O Impulso HQ conversou com Julia Bax que durante a entrevista fala sobre a sua estréia nas webcomics, como é morar na França e produzir para um outro país e o que tem de bom nas bancas francesas, se a visão de quadrinhos é uma mídia para garotos é uma visão brasileira e é claro sobre a sua carreira e seus planos para o futuro.

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Imagem promocional de Mr. Trildok Sings the Blues, produzida por Julia Bax

Acompanhem a entrevista:

Impulso HQ: Como é morar na França, produzir uma webcomics para um site americano e fazer a tradução do roteiro para os leitores brasileiros que não dominam o idioma inglês? Como aconteceu todo esse projeto para o Zuda Comics?
Julia Bax:
Bom, eu gosto dessa coisa multicultural! O trabalho pros americanos já vem de mais longe, faz uns quatro anos que publiquei pela primeira vez por lá. Então o Zuda acabou sendo uma opção natural pra tentarmos vender nosso peixe, assim por dizer.

E como muitos dos meus apoiadores incondicionais são meus amigos, colegas, familiares e fãs (eu tenho fãs???) não queria que todos eles tivessem que votar em alguma coisa que não sabiam o que dizia! Como o bom senso ensina, não assine nada sem ler… =)

Acabei fazendo a tradução bem simples que vocês podem ler. Pra aqueles que se arriscam no inglês, acho mais legal ler no original.

Mas não quero que ninguém fique de fora! Inclusive se ganharmos vou fazer isso sempre pra que todos possam acompanhar.

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IHQ.: Fale um pouco sobre a estória Mr. Trildok Sings the Blues. Sobre o que trata a HQ?
J.B.:
A HQ é sobre um monstro infernal, que pausa sua batalha pela conquista do mundo por causa da depressão apos o divorcio! É uma mistura de horror, mitologia e bastante humor! Não vemos muita ação nas primeiras paginas, mas a idéia é que tenha ação e aventura também. Temos o monstro e o seu inimigo mortal, o herói bonitão – ai cada um pode escolher pra quem torcer!

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IHQ.: É a sua primeira webcomics? Qual a principal diferença na produção quando se trata de uma webcomic em relação à impressa?
J.B.:
É sim minha primeira produção de quadrinhos pra Internet.

A diferença principal está no formato. Ninguém tem uma tela vertical, então o Zuda exige que sigamos o formato de tela convencional, 800 x 600.

Não tinha muito o habito de produzir nesse formato, então foi um pouco sofrido. Acho que se tiver que fazer mais, já estarei mais acostumada! Cruzando os dedos! =)

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IHQ.: Você tem uma variedade de trabalhos que vão desde HQs de super-heróis a ilustrações de livros infantis. Qual você prefere produzir e por quê?
J.B.:
O que eu quero mesmo na vida, é poder variar minha produção. Gosto muito de livros infantis, e gosto muito também de quadrinhos. Quero produzir coisas bonitas, interessantes, cativantes, independente da área. Quero muito ainda na minha carreira ter a chance te produzir alguma coisa pra jogos, pra animação, pra cinema…

Os livros infantis, apesar de ser uma área nova e ainda pouco explorada pra mim, são xodós. Quero mesmo fazer mais coisas nesse pique, principalmente livros de literatura.

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IHQ.: O seu traço característico confere uma personalidade aos seus trabalhos única e diferenciada. No seu blog é possível ver ilustrações com traços bem mais delicados e outras mais densos. Como você define o estilo que irá usar em cada projeto?
J.B.:
Depende da história e do publico alvo! Meus livros infantis na aquarela são completamente diferentes dos meus quadrinhos de horror, como esse do Zuda.Às vezes entro em parafuso, porque tenho muitos jeitos de finalizar diferente. Tenho um pouco de inveja de quem consegue manter a unidade.

Mas não é muito a minha, como podem perceber pelos trabalhos no blog e no meu site. Quem sabe com mais experiência, vou acabar decidindo por um deles e mantendo.

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IHQ.: Como você analisa a Julia que estreiou na Revista Kaos para a atual? Quais são as principais diferenças?
J.B.:
Nossa, sou outra pessoa. Sem duvida. E na minha opinião, meu desenho melhorou bastante. Meu trabalho de cor. Hoje consigo trabalhar com volumes mais tranqüilamente, e isso ajuda mesmo com trabalhos em linha clara. Estou mais experiente também na narrativa. E mais rápida pra produzir!

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IHQ.: A sua formação em economia já te deixou em dúvida sobre para qual caminho seguir? Quando foi que você descobriu que poderia viver de ilustração?
J.B.:
Já parei sim, durante dois anos, na faculdade, pra trabalhar com economia. Mas no fim, decidi que não era meu caminho. Adorei o curso, acho fascinante e ainda volta e meia leio algo sobre o assunto.

Mas pra trabalhar mesmo, mão na massa, é com desenho. Descobri que poderia viver de desenhar quando conheci a Quanta Academia de Artes. Lá foi onde me deparei com os profissionais e a coisa ficou mais real!

E o apoio deles foi essencial.

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IHQ.: A vida na França te deu a possibilidade de conhecer todo um novo mercado de HQ. Quais são os pontos fortes que poderiam ser aplicados no Brasil?
J.B.:
Nossa, a qualidade, quantidade, e variedade da produção de HQ aqui é fenomenal. Superior, na minha opinião, ao que é produzido nos EUA (de um modo geral). Tem coisa ruim também, mas umas coisas tão legais, que se eu voltasse pro Brasil agora, já teria valido a pena minha estadia só por ter conhecido alguns trabalhos que não chegam jamais ao Brasil.

A França não é só Moebius, galera. Editoras Brasileiras! Publiquem Christophe Blain! Laureline Matiussi! Goossens!

Na boa, tem tanta coisa legal que recomendo a vocês aprenderem francês só pra poderem consumir. Ah, e eu gosto do desenho do Moebius, ta? Não estou desmerecendo. =)

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IHQ.: Depois da sua vivência na França, você acredita que quadrinhos ainda é um produto mais masculino, ou isso é uma visão brasileira?
J.B.:
Acho que é uma visão do mercado de super-heróis. Quando você sai dos super-heróis, não tem esse problema. É um problema do gênero, e não da mídia. Aqui, boa parte das mulheres da minha idade consomem quadrinhos. Aliás, os franceses amam quadrinhos e tratam como arte mesmo.

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Página da participação de Julia Bax no álbum MSP50, lançado em 2009

IHQ.: Quais são os planos para o futuro e os seus próximos projetos?
J.B.:
Mmm por enquanto quero promover o Zuda e encerrar alguns trabalhos pendentes! Mas tenho um monte de idéias e possibilidades rolando, e ultimamente tenho tido muito mais vontade de escrever e criar. Espero que muito em breve tenha boas notícias pra contar!

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O Impulso HQ agradece Julia Bax pela entrevista e lembramos a você leitor que para acessar a Mr. Trildok Sings the Blues no Zuda Comics, é só clicar aqui.

Renato LebeauentrevistasDC Comics,Julia Bax,Marvel Comics,Mr. Trildok Sings the Blues,Zuda ComicsAutoretrato de Julia Bax No começo da semana colocamos um post sobre a participação da brasileira Julia Bax em uma webcomic chamada Mr. Trildok Sings the Blues no site ZUDA Comics.com, site pertencente a DC Comics. Nacisda em Belém do Pará, a ilustradora, roteirista e desenhista de historias em quadrinhos Julia...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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