Caricatura de Choi, produzida pelo cartunista Cicero

Jin Woo Choi que cuidou do departamento de Cartum Digital do 15º SICAF, evento que premiou no ano passado o gaucho Rafael Correa e os finalistas William Martins (SP) e Daniel Ete (Campinas), recentemente visitou o Brasil em uma missão de selecionar trabalhos de profissionais para montar duas exposições com trabalhos representativos da cultura latino-americana.

O coreano que deixou SICAF logo após o vencimento do seu contrato, agora representa outra empresa, o ICAFE, e falou com o Impulso HQ sobre a sua viagem e seus objetivos para as exposições. Sobre SICAF, Jin deixa claro que agora não sendo mais um membro oficial da organização os seus comentários são a sua opinião, não tendo nenhuma ligação ou representatividade nas ações futuras da antiga empresa que trabalhava.

Impulso HQ: Qual foi o impacto da exposição ao SICAF arte brasileira na Coréia?
Jin Woo Choi:
Deixe-me explicar sobre a organização do SICAF, acredito que é um pouco diferente do sistema/organização em relação as convenções Comic Con e outros festivais de outros países. A SICAF (Seoul International Cartoon & Animation Festival) tem várias divisões entre a sua organização, entre elas a divisão da exposição, outra de animação, festival de cinema, caricatura digital e etc. Eu era gerente de divisão Caricatura digital até o ano passado. Informações detalhadas sobre a organização do SICAF podem ser conferidas em seu site oficial.

No ano passado foi realizada SICAF de 20 a 24 de julho e havia mais de 10 exposições de quadrinhos / desenho animado durante esse período e uma delas focava os quadrinhos da França, Inglaterra, Espanha, Itália, África, Cuba, Brasil e etc., e se chamava “Exposição Global: O mundo através da história em quadrinhos”. Cerca de 80 obras de 41 artistas de 8 países foram exibidos nesta exposição. Mais informações sobre essa exposição você encontra aqui e aqui.

Choi e Ziraldo, no Rio de Janeiro

Nos links fica claro que a exposição não estava concentrando-se principalmente em quadrinhos brasileiros em si, mas sim, no amplo mundo dos quadrinhos ou desenhos animados. Obras brasileiras eram uma parte da exposição.

São mais de 10 seções na exposição SICAF, então eu sinto muito que as obras que mostram brasileiros não foram impactantes / impressionantes naquela época, contra o meu primeiro plano. Para torná-lo certo de novo, e essa é minha opinião, não a opinião oficial do SICAF, eu sugeri que deveríamos nos concentrar no que a arte ou o artista em si tem a dizer, sem combinar outras obras.

Quadrinhos / desenhos animados das Américas não são bem introduzidos na Coréia, então eu esperava que esta exposição fosse uma questão artística, mas temo que não foi tão bem essa questão não foi reconhecida pelo público na Coréia.

Choi e o cartunista e editor Otacilio Assunção (Ota), no Rio de Janeiro

IHQ: Mais uma vez você está no Brasil para pesquisar o talento brasileiro para expor na Coreia. Como será a parceria entre ICafe e os profissionais selecionados?
J.W.C.:
A ICafe já promove exposições. Tivemos uma exposição de Jean Jacques Sempe e uma exposição Tezuka Osamu especial na Coréia, cerca de 2 anos. Mais informações nesse artigo.

Antes de eu vir para a América Latina, tive uma reunião com o diretor ICafe e expliquei o meu plano: “Vou conhecer os artistas americanos ‘latinos’ face a face durante a minha viagem e trazer seus trabalhos para a Coréia, assim poderíamos considerar uma Exposição Latino-americana no próximo ano”

Ele mostrou interesse, mas também enfatizou novamente que ele precisa para ver as obras primeiro e depois que ele vai tomar uma decisão se ICafe terá uma exposição na América Latina funciona ou não no próximo ano. Então eu sou muito cuidadoso para dizer como será a parceria entre ICafe e artistas profissionais selecionados. Acho que podemos falar sobre essa parceria mais tarde, depois de tudo decidido e confirmado.

Não visitei só Brasil. Conheci o Uruguai, Argentina, Chile e irei passar na Bolívia, Peru, Colômbia e Cuba. O foco da minha viagem não é apenas em artistas brasileiros, mas todos da América Latina.

Posso adiantar que há um caso que mostra o início da parceria entre Coréia e Brasil. Haverá um intercâmbio cultural entre a ICafe e uma Comic Con brasileira com trocas de livros de quadrinhos como uma doação. Não posso mencionar qual Comic Con brasileira é essa, pois o processo está em andamento. Essa troca cultural vai acontecer em breve, e acho que vai ser o início de uma parceria que espero podemos ampliá-la.

Caricatura de Choi, produzida por Lipe Dias

IHQ: Até quando um profissional pode enviar artes para a sua avaliação e qual a melhor forma de fazê-lo?
J.W.C.:
Tenho muitas obras (quadrinhos) de artistas brasileiros de quando eu estava no Brasil e já foram enviados para minha casa na Coreia do Sul por correio aéreo. Volto para a Coréia em meados de maio, e vou mostrar todo o material para o diretor da ICafe que vai avaliar e decidir para que eu possa dizer sobre a opinião oficial / resultado da organização em torno de junho a agosto deste ano. Espero trazer uma boa notícia.

IHQ: Quando os artistas selecionados terão um retorno sobre a exposição e quando é planejado?
J.W.C.:
Só posso responder a essa pergunta depois decidido ou confirmado. Lamento, mas isso muito importante, então tenho que ter o cuidado ao responder.

Choi ao lado dos quadrinhsitas Leonardo Melo, Andre Praxedes e Andre Caliman, na Gibiteca de Curitiba

IHQ: Você vai passar por vários países da América do Sul. O ICafe está preparando uma exposição para cada nação, ou será uma exposição que reúne artistas de todos esses países?
J.W.C.:
Quando me reuni com o diretor da ICafe, ele me disse duas possibilidades para esta exposição. A primeira proposta é mostrar a história dos quadrinhos da América Latina. Acredito que Isso é muito importante porque nós coreano não temos informações sobre as HQs dessa parte do mudo.

A segundo alternativa é desenvolver uma exposição de um representante famoso dos quadrinhos da América Latina, assim como Osamu Tezuka do Japão teve a sua exposição especial. Por essa linha, por exemplo, seria uma exposição de Ziraldo do Brasil ou Quino da Argentina

Esse tipo de proposta também é importante porque atrai o público coreano e poderíamos produzir uma questão cultural na Coreia como esta exposição, que seria a primeira de Ziraldo na Ásia.

Caricatura de Choi, produzida pelo cartunista Cicero

IHQ: Sobre a troca de cultura. Veremos aqui no Brasil alguma exposição de quadrinhistas e cartunistas coreanos sobre os costumes da Coréia?
J.W.C.:
Essa é outra questão que eu só posso responder depois tudo decidido ou confirmado.

IHQ: Neste período de troca de informações e visitas ao Brasil o que mais te surpreendeu sobre a nossa produção de quadrinhos e desenhos animados?
J.W.C.:
Antes de ir para a América Latina, eu não tinha muita informação sobre os quadrinhos, desenhos animados e ilustrações do continente. Me sinto como uma criança na escola primária porque estou aprendendo tudo agora. Mas eu posso dizer uma coisa clara, a experiência foi muito além da minha expectativa. Sou surpreendido todos os dias porque sempre vejo novos trabalhos aqui.

Renato LebeauentrevistasICAFE,Jin Woo ChoiCaricatura de Choi, produzida pelo cartunista Cicero Jin Woo Choi que cuidou do departamento de Cartum Digital do 15º SICAF, evento que premiou no ano passado o gaucho Rafael Correa e os finalistas William Martins (SP) e Daniel Ete (Campinas), recentemente visitou o Brasil em uma missão de selecionar...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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