felipefoto2014_para divulgaçãoSemana de Carnaval, e nós do Impulso HQ não poderíamos deixar de falar no assunto sem abordar os quadrinhos. Já é de longa data que a maior festa popular do Brasil é retratada por nossos artistas, seja como crítica social, humor, terror e etc., portanto, para encerrar essa semana de folia, nós entrevistamos o diretor de cinema e autor da HQ “CLAUN: a saga dos bate-bolas”, de Felipe Bragança, que foi publicada em novembro de 2014 pela Boitempo Editorial.

Felipe fala ao Impulso HQ como foi a sua experiência como Bate-bola, quem são os homens e mulheres que participam desses grupos, e principalmente, o futuro do projeto. Confira!

Impulso HQ: Quando foi o seu primeiro contato com os Bate-bolas?
Felipe Bragança: Cresci entre o centro do Rio de Janeiro e a Baixa Fluminense. Na Baixa Fluminense era comum a presença desses grupos nos anos 80. Quando pequeno, minha fantasia favorita de carnaval, para os bailes mirins, era a de Clóvis.

IHQ: Como foi o seu período como integrante do grupo? O que você levou dessa experiência para a HQ?
F.B.: Eu sou bate-bola. Já saio com as turmas há 6 anos. A experiência física e mágica e ritualística de fazer parte desses grupos me ajudaram a entender o lugar deles no imaginário da cidade. Tanto na HQ quanto na web-série, CLAUN pretende visitar o que há de mitológico, simbólico e sintomático nesse universo quando penso a minha cidade, o Rio de Janeiro.

Claun_foto2IHQ: Fora do Carnaval, quem são os bate-bolas? Você vivenciou essa experiência também?
F.B.: São pessoas, homens e mulheres, que vivem em sua maioria na Zona Norte e Oeste do Rio, e formam famílias em torno dos grupos. Os líderes têm, em geral, forte senso crítico da realidade cultural da cidade e fazem de seus grupos uma forma de promover essa estética do sonho, da brincadeira e do mistério em ruas e becos da cidade totalmente esquecidos por outras formas de expressão artística.

IHQ: Na HQ percebe-se é há um forte laço entre os Clóvis e o misticismo. O quanto da mística apresentada nos quadrinhos pode ser considerada real?
F.B.: A origem dos bate-bolas, dos Clóvis, está misturada com a forma como o espaço urbano recebeu e digeriu referências algumas festas pagãs europeias e também algumas figuras das religiões africanas. A figura do Clóvis é um encontro de representações europeias dos demônios do carnaval com a representação africana dos fantasmas e espíritos. É claro que tudo isso se dilui no cotidiano e os grupos não estão ligados diretamente a nenhuma religião. Mas suas origens são sociais mas também místicas.

Claun_foto1IHQ: Por que retratar os bate-bolas como “super-heróis”? Há realmente esse folclore envolta desses personagens do Carnaval?
F.B.: Para mim, eles são super-heróis. Sem aspas. São figuras que há mais de cem anos enfrentam de forma debochada, brincalhona e ritual, a repressão social e as tentativas de esmagar as manifestações de rua populares. O que o projeto CLAUN faz é idealizar isso e levar isso ao ponto do fantástico e do gênero. Mas culturalmente são sim cavaleiros em defesa de uma coisa simples: a liberdade de ir e vir e de se perder na cidade.

IHQ: Você produziu uma websérie com a mesma temática. Quais foram as suas principais dificuldades para a transposição para os quadrinhos?
F.B.: Desde o começo o projeto CLAUN foi pensado como web-série, HQ e futuramente uma plataforma online interativa. As narrativas se entrecruzam e se complementam. Meu trabalho como diretor já flerta há muito com o imaginário de gêneros muito trabalhados em HQS: como os super-heróis e a fantasia. CLAUN levou isso a uma outra camada de linguagem apenas.

Claun_1IHQ: Esse foi o seu primeiro trabalho com HQs. Como foi essa experiência?
F.B.: Foi delicioso. Já tenho o costume de desenhar e pensar meu cinema dentro de uma lógica de composição espacial e de ritmo muito próxima aos quadrinhos. De alguma forma, aqui pude, junto com os desenhistas, exercer esse diálogo de forma mais direta. Eu brincava com eles: “Vocês são minha equipe, meus fotógrafos. E o set são as folhas de papel e as telas dos seus computadores.”

IHQ: A série irá continuar? Quando e em qual mídia?
F.B.: Sim, estão previstos mais capítulos para a web-série, uma plataforma online jogável e um possível segundo livro HQ.

IHQ: Fora a saga dos bate-bolas, você está envolvido com outros projetos em quadrinhos?
F.B.: Por enquanto, não. Sou diretor de cinema e o cinema está me puxando de volta para o set. Mas quem sabe eu volte no futuro a pensar numa outra HQ, com outro tema.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/02/Claun_open-1024x696.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/02/Claun_open-300x300.jpgRenato Lebeauentrevistasa saga dos bate-bolas,Boitempo Editorial,Claun,Felipe BragançaSemana de Carnaval, e nós do Impulso HQ não poderíamos deixar de falar no assunto sem abordar os quadrinhos. Já é de longa data que a maior festa popular do Brasil é retratada por nossos artistas, seja como crítica social, humor, terror e etc., portanto, para encerrar essa semana...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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