Carolina Munhóz é uma verdadeira garota prodígio. Escreveu seu primeiro livro aos 16 anos de idade. Como ocorre com a maioria dos profissionais em início de carreira, passou muitos anos ouvindo não das editoras para conseguir publicar sua obra.

Aos 21 anos seu sonho de publicação se realizou e o livro A Fada (de ficção juvenil), foi publicado pela editora Arte Escrita, desde então, Carolina vive outra batalha: a divulgação do material.

Na Comic Fair, Carolina Munhóz, fazendo cosplay da personagem de seu livro, apresentou-se ao público, divulgou sua obra e, depois da palestra, conversou com a equipe do ImpulsoHQ. Na entrevista, ela nos conta um pouco mais sobre sua trajetória e a realização de alguns de seus grandes sonhos. Confiram:

Impulso HQ: Entre o período em que você escreveu a obra até o momento em que conseguiu publicá-la, mais ou menos um espaço de 4 anos, você mudou alguma coisa na história?
Carolina Munhoz:
Eu tentei ser mais o fiel possível a primeira obra que fiz. Quando passa o tempo, sua cabeça muda, você quer mudar um detalhe ou outro, mas eu me proibi. Tanto que, enquanto eu procurava editora, não li o livro, para não modificá-lo. Eu só mudei alguma informação quando fui a Londres, que é o cenário do livro, e vi que uma coisa ou outra eu tinha errado ao descrever o cenário. No restante eu me mantive fiel ao meu pensamento de 16 anos.

IHQ: Qual é a trama do livro?
C.M.:
O livro conta a história de uma menina chamada Melanie Aine das Fadas, uma menina de 18 anos que descobre, do nada, que é princesa de uma outra dimensão. Essa dimensão é FairyLand, o mundo das Fadas. Ela tem uma missão em Londres a cumprir para poder ingressar na dimensão. Nesse momento, ela conhece um rapaz misterioso, de uma família bruxa, e eles acabam se envolvendo. É um livro de romance, aventura, muita ação e ficção, para todas as idades, tanto homens quanto mulheres. É um livro bem mágico.

IHQ: Quando você, com 21 anos, publicou o livro, teve alguma surpresa ao ler algo que você escreveu cinco anos antes?
C.M.:
Sim. Eu coloquei tanta informação minha, tantas características minhas na personagem que eu olho e falo: “Nossa, esse era o pensamento que eu tinha sobre amor naquela época, esse era o pensamento que eu tinha sobre raiva ou sobre felicidade”. Mas hoje em dia eu fico feliz de poder mostrar como era o meu pensamento nessa idade e agora, quando estou escrevendo outros livros, eu falo: esse vai ser a marca dos meus 21anos. E quem sabe, quando eu estiver com 80 anos e escrevendo meu milésimo livro ele terá também meu pensamento de velhinha.

IHQ: O que te levou a ser escritora? Quando a professora na escola pergunta aos alunos o que eles querem ser quando crescer, dificilmente alguém diz que quer ser escritora.
C.M.:
Verdade. Eu nunca pensei que seria escritora, foi a partir do momento que eu escrevi que pensei: “Nossa Senhora, vou ser escritora”. Eu não pensava em ter essa carreira, mas depois de escrever eu decidi que essa era a minha vocação, que era isso que eu queria fazer da minha vida, mas acho que o momento de virar escritora foi quando eu comecei a ler outros livros e pensei que poderia escrever o meu; foi a partir desse momento que eu vi que alguma coisa poderia acontecer e eu poderia escrever meu próprio livro.

IHQ: Aos 16 anos você já era uma leitora voraz?
C.M.:
Eu leio, com muita freqüência, desde os 11 anos. Também trabalhei em livraria, então eu lia cerca de 10 livros por mês e sempre nessa área de ficção, de magia, que eu sempre gostei muito. O livro, para mim, é um refúgio da realidade. Ainda tenho lido bastante, acho importante o escritor ler outros escritores para notar como esta o mercado.

IHQ: Como foi, aos 16 anos, correr atrás de alguma editora para publicar seu livro?
C.M.:
Muito difícil, até hoje continua sendo a parte mais difícil porque editora no Brasil, infelizmente, é muito mais voltada ao material estrangeiro e aos autores que já são publicados. Foi uma época de muita luta, 4 anos sofrendo, levando não, mas existe algumas editoras que estão com as portas abertas para novos escritores e eu acho que o Brasil precisa mais e mais dessas editoras. Se uma pessoa quer ser escritora não desista ao primeiro não de uma editora porque essa situação vai se repetir muito em sua vida.

IHQ: Você tem feito muitas palestras em escolas, poderia nos dizer um pouco mais sobre essa tarefa?
C.M.:
Desde que eu lancei o livro tenho palestrado bastante em escolas e em eventos literários. Nas escolas eu falo como é o processo de criação de um livro, criação de personagens, cenários etc.

ImpulsoHQ: Partiu de você a iniciativa das palestras?
C.M.:
Sim. Todo mundo me falava: “poxa Carol, quando você começou escrever, você queria certas informações que não tinha, porque você não conversa com o pessoal interessado em escrever?” Ai, eu comecei aos poucos a pensar: “poxa, eu posso fazer uma palestra disso, posso ir a escolas e mostrar para garotada que não é só a vovó que lê, que escreve, jovens também escrevem e que existe também ficção de magia no Brasil, não são somente os livros estrangeiros que têm isso”. Então, eu criei esta palestra e acho que os alunos têm curtido bastante saber como é o dia a dia de um escritor.

IHQ: E como tem sido as palestras?
C.M.:
Já dei palestras para a 4ª série até a faculdade. A palestra é para todas as idades porque fala sobre livros, e livros é para todas as idades, e incentiva a leitura – é importante, no Brasil, que se incentive à leitura. A primeira pergunta que as pessoas fazem é: “Você é escritora? Mas você é tão jovem”. Depois, a garotada se solta, eles perguntam como foi a idéia do livro, muitos alunos me mandam seus livros ou poesias querendo opinião. Tem sido bem bacana; e eles podem tirar suas dúvidas, tem muitos que querem publicar e não sabem como seguir um caminho e hoje em dia eu posso passar um pouco da minha experiência.

Pelo menos uma pessoa que escreve acaba aparecendo em cada palestra. Eu acho muito legal porque normalmente o escritor pensa: “Ah, mais um concorrente”, eu acho que não existe isso, este é o momento do Brasil mostrar que tem muito escritores bons, com histórias legais e eu gosto de incentivar este pessoal a publicar. Quem sabe um dia a gente possa mostrar para o mundo que a literatura brasileira é muito grande e diversificada. Acho bacana mostrar para os escritores iniciantes o que eles podem fazer.

IHQ: Como você vê seu trabalho aqui na Comic Fair? Não te parece meio deslocado?
C.M.:
Todo mundo acaba tendo essa impressão, mas achei que foi o publico perfeito para atingir porque desde pequena eu gosto de anime, de HQ e ia nos eventos e pensava: “Poxa, um escritor de um livro deve ser bem vindo a este tipo de evento porque é um publico que gosta de ver TV, gosta de ver filme, gosta de ler e gosta muito de fantasia”.

São os leitores que eu estou procurando. Nos eventos que tenho freqüentado, eventos como a Comic Fair, eu posso mostrar meu livro de ficção, eu posso mostrar meu trabalho. Aqui o pessoal me recebeu muito bem e estou muito orgulhosa de participar de um evento como este.

IHQ: Você fez uma viagem à Europa para divulgar seu trabalho?
C.M.:
Eu fui pensando em conseguir uma chance de divulgar o meu trabalho e acabou acontecendo. A Radio Record de Londres, filial da Record brasileira, abriu as portas para mim e me entrevistou. Foi muito bacana porque a entrevista foi em Londres, cenário do meu livro, e foi transmitida para toda Europa – quem estava na França, na Itália, em todo o canto da Europa podia ouvir a rádio naquele momento.

Foi bem legal para mim como escritora, porque quando eu vou aos meios de comunicação eles valorizam isso e valorizam meu trabalho. Eu quero um dia poder mostrar meu livro para fora também, aos poucos estou conseguindo isso.

IHQ: O livro foi traduzido para algum idioma?
C.M:
Ainda não. Estou conversando com algumas editoras, focando um pouco o idioma espanhol, mas eu pretendo um dia publicar meu livro nos Estados Unidos e na Inglaterra, que é o meu sonho.

ImpulsoHQ: Atualmente você esta mais concentrada na divulgação deste livro ou escrevendo o próximo?
C.M.:
Ano passado decidi que quero, realmente, ser escritora – larguei meu emprego e foquei nisso. Por isso, de outubro até esse momento eu estava focada na divulgação de A Fada, queria muito que saísse na mídia e aos poucos foi saindo.

Agora, estou escrevendo a continuação do livro – o pessoal das palestras curtiu muito a Mel, querem saber o que vai acontecer com ela e então eu acabei fazendo a continuação da história, que esta ainda na metade do projeto. Também estou escrevendo uma coleção de magia que logo vem por ai.

IHQ: Para encerrar, que dica você daria ao pessoal que esta começando?
C.M.:
A primeira dica é: registre seu livro, é super importante para sua segurança e é barato, na biblioteca nacional custa R$ 30,00. Não divulgue muito seu material se ele não estiver registrado.  Na procura por editora, pesquise bastante no mercado qual é o tipo de editora que publica trabalhos do mesmo gênero que o seu; eu cometi erros no começo ao procurar editoras que não publicavam ficção.

Mas a dica mais importante é: não desista do seu sonho porque todo mundo vai querer te ver fracassando, mas se você lutar bastante, independentemente de querer ser médico, escritor ou motorista, vai conseguir realizar seu sonho.

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O Impulso HQ agradece a Carolina Munhóz pela colaboração e entrevista cedida.

Alexandre ManoelentrevistasA Fada,Arte Escrita,Carolina MunhozCarolina Munhóz é uma verdadeira garota prodígio. Escreveu seu primeiro livro aos 16 anos de idade. Como ocorre com a maioria dos profissionais em início de carreira, passou muitos anos ouvindo não das editoras para conseguir publicar sua obra. Aos 21 anos seu sonho de publicação se realizou e o...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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