lux-4Impulsivos leitores, hoje a entrevista é com Bruno Elias, game Designer da Mago Cinzento, empresa brasileira de games criada em 2014, que atualmente está com diversos projetos em andamento, incluindo um game chamado LUX que terá o seu universo expandido em uma HQ.

A Mago Cinzento é composta João Mario (Diretor de Arte), Anderson Philip (Analista de Aplicações), Arthur Costa (Desenvolvedor Web), Magno Rocha (Sound Designer), Yargo Targlia (Roteirista), Invandenberg Filho (Ilustrador), Vademir Segundo (Animador), Matheus dos Santos (Tradutor) e Bruno Elias que contou ao Impulso HQ um pouco mais sobre a empresa, sua visão sobre o mercado de games no Brasil, e é claro, sobre Lux, um dos futuros projetos da produtora paraibana.

luxImpulso HQ: Você pode explicar pra quem não conhece o que um Game Designer faz?
Bruno Elias: O Game Designer faz o projeto do jogo. Gera as mecânicas, os conceitos e os levels. Toda essa parte do projeto do jogo quem faz é o Game Designer.

IHQ: Você pode nos contar um pouco mais Lux e da onde surgiu a ideia de transformar o game em HQ?
B.E.: Veio de um dos ilustradores que trabalha na Mago. Ele trabalhou muito tempo com quadrinhos e foi professor de HQ. A gente sempre leu muitos quadrinhos, então para complementar a história (que é muito grande), os quadrinhos foi uma das coisas que a gente resolveu usar pra dar mais suporte.

IHQ: Fale um pouco sobre a história de Lux. Quando o game estará disponível?
B.E.: Dia 22 de dezembro vai sair a primeira versão de Lux com a primeira parte, que é o Modo Arena e no dia 20 de fevereiro vai sair a versão História deste capitulo e é totalmente de graça. Junto com o capitulo, vai vir a HQ que a gente também está trabalhando e posteriormente vai sair um jogo pra celular.

A história do jogo ela é bem clichê. Pegamos aquela velha historia de “A Luz contra as Trevas”, só que usamos essa base pra criar os nossos deuses. Criamos um panteão entre a luz, as trevas e o tempo e que eles vivem em harmonia até que as trevas são corrompidas pelos sentimentos humanos e viram o Caos que mata um dos seus irmãos (que é a Luz) e da origem a Guerra das Eras.

lux-2IHQ: A HQ vai ser completamente Online ou vai ter a versão impressa?
B.E.: Inicialmente ela vai ser completamente online e ela conta a história do Caos.

IHQ: A pintura digital é um dos pontos fortes de Lux, e podemos analisar esse fato pelas artes conceituais que foram divulgadas até agora. Quais artistas de HQs serviram de inspiração para o projeto?
B.E.: O João Mario, que é o Diretor de Arte, poderia falar melhor sobre isso, mas eu vou falar da parte do roteiro, já que eu mexo diretamente com essa parte do projeto. Tem um quadrinho chamado Moby Dick, não sei se vocês já viram, esqueci quem é o artista agora, a gente usou muito ele como referência quando decidimos qual era o traço de arte que a gente ia usar nos quadrinhos. No roteiro em geral a gente usou os clássicos: Frank Miller e Alan Moore.

Eles foram as nossas referências principais pra criar a história mais densa. Tanto que, no quadrinho, a gente usa coisas bem características de Miller. Sombra e luz são representadas em preto e branco e silhueta dos personagens. Usamos bastante desse artifício, principalmente para contar a historia da Gênesis. Dentro do quadrinho usamos outro estilo de ilustração, puxado mais pra pintura digital em alto nível que a gente usa nas postagens e outras coisas.

lux-3IHQ: Quais jogos e HQs inspiraram vocês pra produzir Lux?
B.E.: A gente se baseou bastante em jogos dos anos 90 como Castlevania, Megaman e Metroid. Castlevania é uma referência clara do Lux. A gente fez uma série de homenagens e não escondemos isso, são homenagens mesmo. A gente tem muita referência de animações japonesas como Parasyte e Dragon Ball. Há no jogo até um “Lucius-Ken”, uma clara brincadeira com o Kaioken.

IHQ: Há planos para fazer o Merlin, por exemplo, que vimos na carta de apresentação? Pode nos falar mais um pouco sobre o que é o Merlin e como pretendem fazê-lo?
B.E.: Estávamos dando uma olhada nesses microcomputadores que estavam surgindo no mercado como Raspberry e aí surgiu a ideia da gente fazer um videogame pra jogos independentes que rodasse jogos da Unity, que a galera faz, jogos de Construct e a gente deu uma pesquisada e criou o projeto Merlin. O objetivo é fazer uma operação em Linux que rodasse em cima de um microcomputador como Raspberry e você tivesse uma interface onde você acessasse os jogos da galera e tivesse uma store online e publicasse seu jogo.

IHQ: Qual foi a maior dificuldade que vocês já encontraram na hora de iniciar a empresa, de publicar e divulgar o game Lux?
B.E.: O maior problema que a gente enfrenta é que como iniciamos um projeto totalmente independente, não fomos atrás de investimento. Pretendemos mostrar o que a gente pode fazer, então muitos da equipe trabalham em outros lugares e com a Mago Cinzento ao mesmo tempo. Essa é a maior dificuldade, o tempo. Trabalhar 8 horas em um lugar e à noite trabalhar mais 4 horas e virar final de semana. É bem difícil.

IHQ: O mercado brasileiro está começando a crescer agora e várias empresas de desenvolvimento de jogos estão surgindo. Como você analisa o atual momento?
B.E.: Somos o quarto maior mercado de jogos do mundo, então da galera que consome jogo tem muita gente que produz games. Aqui na Paraíba, temos a associação que é o Ping. Na Bahia há uma associação e em Brasília também. Tem muita gente desenvolvendo e têm muita coisa boa sendo produzida no Brasil e muita coisa transmídia, como quadrinhos com jogo.

lux-5IHQ: Como vocês da Mago Cinzento enxergam o cenário de produção nacional daqui a 10 anos?
B.E.: Eu acho que a gente pode ser um dos maiores desenvolvedores de jogos do mundo. Podemos ficar conhecidos como os japoneses ou como os americanos, porque temos muita gente boa e muita produção muito boa. Tem jogos como Crossfire, que é conhecido internacionalmente, tem Aritana que tá vindo aí também. Há vários jogos muito bons. Tem um pessoal aqui de Campina Grande que tá fazendo uma versão de um jogo chamado Lampião Verde, não sei se vocês escutaram, que tá com uma repercussão nacional interessante. A qualidade do pessoal é muito boa aqui.

IHQ: Apesar de o povo ser extremamente competente, um dos maiores problemas é o preconceito com desenvolvedor brasileiro, assim como nas HQs nacionais. Em sua opinião, você enxerga algum preconceito com o desenvolvedor brasileiro?
B.E.: Com o mercado inicial sempre tem preconceito porque a galera acha que é mais amador. Foi o que aconteceu com as HQs. O pessoal não levava muito a sério as nossas HQs, achavam que eram projetos mais amadores e tal, mas são quadrinistas extraordinários que tem no Brasil. É a mesma coisa com jogo. O preconceito continua sem conhecer o produto. Geralmente tem que fazer sucesso lá fora pra que a galera daqui venha consumir.

lux-6IHQ: Você tem algum conselho para as pessoas que estão começando agora a desenvolver e programar jogos?
B.E.: O primeiro é o básico, se você realmente gostar daquilo, passe muitas horas trabalhando. Para desenvolver, passe o máximo de tempo que você conseguir pra ficar bom. Não vai cair do céu. Oito horas por dia, igual trabalho. É desse jeito mesmo. Se você quer fazer jogo, trabalhe o máximo que você puder. Se você quer fazer quadrinho, leia quadrinhos europeus, quadrinhos americanos, quadrinhos japoneses, tenha uma gama de conhecimentos massa dentro da área. Estude roteiro e escreva, porque a prática leva a perfeição.

Não se apegue a outros projetos. A gente já fez outros projetos além do Lux e fomos vendo qual ficaria melhor pra gente desenvolver. Roteiro a gente já fez alguns que não deram certo e foram descartados. Sempre melhorando. Refazer não é errado porque você aprendeu e agora consegue fazer certo.

***

Para todos aqueles que se interessaram, não deixem de conferir a página da Mago no Facebook, clicando aqui. E quem quiser ter um gostinho do jogo, aqui está um link para um teste de combate que a Mago disponibilizou. Lembrando que Lux (modo história) sairá junto com a HQ dia 20 de Fevereiro de 2016.

E então, Impulsivos Leitores, o que acharam do jogo?

Deixem o seu comentário.

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