Tudo bem, já tem um tempo que falamos sobre a HQ “Perdido e Mal Pago” aqui no Impulso HQ, mas tivemos a chance de trocar uma ideia com o autor da história, Bob Fingerman. Em entrevista por e-mail, Fingerman contou sobre como é ter uma HQ publicada em outro país após mais de dez anos de seu lançamento, explicou sobre como utilizou sua vida para construir a trama e também o que o motivou a voltar a escrever a série depois de tanto tempo. Confira!

Impulso HQ: Como você se sente ao ver seu trabalho ser publicado em outros países, mais de uma década depois do lançamento original? Saberia dizer se “Perdido e Mal Pago” teve uma boa repercussão no Brasil?
Bob Fingerman:
É sempre bom expandir minha audiência e poder inserir meu trabalho em países com outras culturas. Antes de sair no Brasil, a HQ já tinha sido publicada na Espanha e na Itália. Não tive nenhum retorno em relação à edição brasileira. Espero que esteja indo bem!

IHQ.: Quais outros países vão poder acompanhar Rob e Sylvia?
B.F.:
A história será publicada na França este ano pela editora “Les Humanoïdes Associés”, e espero que eles consigam publicar a história em outros países também.

IHQ.: Sobre a história, eu acredito que muitos leitores podem se identificar facilmente com Rob, suas preocupações, seus problemas e dúvidas sobre sua carreira. Você já tinha isso em mente quando começou “Perdido e Mal Pago”?
B.F.:
Bom, existem algumas coisas que são bem específicas para o personagem Rob e, consequentemente, para mim. Mas eu também acho que ele passa por momentos que são mais universais e que as pessoas possam se identificar. E se não se identificarem diretamente, podem ao menos se entreter com a história.

IHQ.: Você já disse em entrevistas que “Perdido e Mal Pago” não é pura autobiografia, mas sim baseada na sua vida. Quanto da sua vida naquela época está presente na história?
B.F.:
Uma boa parte. A história sempre foi baseada na minha vida na época em que eu era mais jovem, e eu também sempre me utilizei da cronologia. Mas conforme a história avança, eu vou ficando menos preso às minhas próprias experiências. Como um autor de ficção, eu sentia que se eu apoiasse muito a história na minha própria vida, isso acabaria limitando muito a série. Então, a melhor maneira é misturar ficção pura com experiências da vida real.

IHQ.: A personalidade forte de Rob e Sylvia, mesmo em questões difíceis como aborto, leva a HQ a um patamar além do simples humor. Quando você escreveu a série, você chegou a ter dúvidas se deveria maneirar em algum momento, ou simplesmente deixou a narrativa fluir? Esse tipo de questionamento acontece com frequência com autores de quadrinhos?
B.F.:
Não posso falar por outros autores, mas no meu caso, eu nunca quis fazer algo que fosse somente cômico, ou somente dramático. O humor é a maior parte (eu espero!), mas como é uma história com base na vida real, tem de haver momentos mais pesados. O objetivo sempre foi alcançar um equilíbrio, mas pendendo mais para o lado do humor.

IHQ.: Para os leitores americanos, “Perdido e Mal Pago” já é uma série consolidada há mais de uma década, mas a história só foi lançada no ano passado no Brasil – e só a primeira parte. O que devemos esperar da segunda parte?
B.F.:
O relacionamento deles (Rob e Sylvia) seguindo em frente. É engraçado não querer dar “spoilers” sobre uma HQ publicada nos anos 90, então eu diria apenas para esperar para ver.

IHQ.: 2014 é um ano especial para você e “Perdido e Mal Pago”, já que a série está de volta! O que esperar da história daqui para frente? E o que te levou a voltar a escrever a série depois de tanto tempo?
B.F.:
Trabalhar na coletânea que reuniu toda a história de “Perdido e Mal Pago” (*publicada em 2013 nos EUA) acabou reativando essa vontade de voltar com a série. Além do mais, durante todos esses anos eu pude resolver os problemas que eu tinha para continuar a trama, e agora posso ver os rumos da história com clareza.

IHQ: Sei que é cedo para perguntar, mas quando você acha que as novas histórias serão publicadas aqui no Brasil?
B.F.:
Não sei dizer, mas espero que isso aconteça.

IHQ.: Dá para perceber pelas referências à cultura pop que você gosta muito de TV. Com esse novo “boom” de adaptações para séries de TV, você acha possível que “Perdido e Mal Pago” acabe na televisão? Você tem algum plano concreto para uma adaptação para a TV?
B.F.:
Planos concretos não, mas certamente uma esperança extremamente concreta e um grande desejo de ver isso acontecer. Cruze os dedos por mim.

IHQ.: Além de “Perdido e Mal Pago”, veremos algum outro trabalho seu publicado por aqui? Vi que além dos quadrinhos você escreveu alguns romances que foram bem recebidos. E uma curiosidade, li que você fez uma paródia do Ranxerox uma vez, o Wanxerox. É possível achar isso na internet?
B.F.:
Wanxerox é de 30 anos atrás! Eu ainda era um adolescente quando fiz aquilo. Ainda bem que não tenho aquilo disponível. Era bem grosseiro, imaturo e nojento. Em relação aos meus livros, eu adoraria vê-los publicados no Brasil. Algum voluntário?

IHQ.: Alguma coisa que gostaria de acrescentar?
B.F.:
Apenas para ficarem atentos para o lançamento da segunda parte, e vamos esperar que as novas aventuras estejam disponíveis num futuro próximo. Obrigado!

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Vale lembrar que o segundo volume de “Perdido e Mal Pago” está com o lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. E para acompanhar o trabalho do autor acessem o site www.bobfingerman.com.

Thiago LiberalentrevistasBob Fingerman,Gal Editora,Perdido e Mal PagoTudo bem, já tem um tempo que falamos sobre a HQ 'Perdido e Mal Pago' aqui no Impulso HQ, mas tivemos a chance de trocar uma ideia com o autor da história, Bob Fingerman. Em entrevista por e-mail, Fingerman contou sobre como é ter uma HQ publicada em outro...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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