Quadrinhista fala ao Impulso HQ sobre o seu mais recente projeto Duas Luas e confira páginas exclusivas!

André Diniz com certeza é um dos maiores nomes dos quadrinhos autorais de sua geração, e que ainda conseguiu se consolidar em um mercado publicando em várias editoras no Brasil, e agora também na Europa. O quadrinhista irá lançar a sua nova HQ em Portugal, durante o Festival Internacional de Banda Desenhada, em Amadora.

A HQ Duas Luas, ilustrada por Pablo Mayer, é um dos destaques da editora Polvo no Festival em Amadora que ocorre entre 25 de outubro a 10 de novembro. Essa é a primeira vez que um trabalho de André Diniz será publicado no exterior antes que no Brasil.

Além de marcar presença e lançar Duas Luas durante a 24º edição do festival, na ocasião Diniz promove também seus outros trabalhos e participa da exposição coletiva “Seis Esquinas de Inquietação” que reúne trabalhos de seis autores brasileiros contemporâneos: André Diniz, Marcelo D’Salete, Pedro Franz, Diego Gerlach, André Kitagawa e Rafael Sica.

Roteirizada por Diniz, Duas Luas mistura drama e humor para contar a história de Nilo, um boa-praça que toca o bar que herdou de seu pai. Porém, com muitos problemas, Nilo não consegue mais dormir. O sono não vem, mas os sonhos sim; e saem do controle. Aos poucos, realidade e sonhos se misturam e Nilo precisa enfrentar seus problemas em meio aos delírios e fantasias do mundo onírico e aos fantasmas de seu inconsciente.

Conversamos com André Diniz para saber um pouco mais do autor sobre a obra e esse seu momento na carreira:

Com essa publicação direto para Portugal, podemos dizer agora que você já está dentro do mercado europeu. Qual é a principal diferença que você sente no público leitor do Brasil e da onde os seus quadrinhos foram publicados na Europa?
Antes de Duas Luas, meu outro livro publicado na Europa foi Morro da Favela, a biografia do fotógrafo Maurício Hora, do Morro da providência, no Rio. A forma como o público brasileiro e o estrangeiro recebe esse título especificamente é bem diversa, pois lá fora essa realidade é desconhecida, enquanto aqui nós pensamos que conhecemos. Talvez tenha sido essa a maior diferença que pude perceber, vamos ver com Duas Luas!… Quanto ao público português e o meio dos quadrinhos por lá – autores, jornalistas, blogueiros – fui muito, muito bem recebido. Posso dizer a essa altura que tenho vários amigos portugueses.

Em seus recentes lançamentos, o leitor consegue perceber como característica a “contestação social” com temas que envolvem pobreza, desigualdade e escravidão. Em Duas Luas, veremos essa característica também? Como?
Sim! Embora não seja o tema principal da HQ, é mais o cenário onde se dá a verdadeira história.

Depois de escrever e desenhar os seus últimos trabalhos, como é ver outro ilustrador dando vida ao seu texto?
Havia tempo que eu queria voltar a escrever para outro desenhista. Não faço isso desde “7 Vidas”, que saiu em 2009. Se há uma boa sintonia entre roteirista e desenhista, a HQ enriquece muito, pois cada um acrescenta suas nuances à história final. Sou fã do Pablo Mayer faz tempo e fiquei muito feliz quando ele caiu na minha “cantada” para embarcar no Duas Luas.

Você escolheu o ilustrador ou foi uma decisão da editora?
Foi uma escolha minha. O roteiro já estava pronto e várias páginas já estavam desenhadas quando a HQ foi apresentada à Polvo.

Há planos ou negociações com alguma editora nacional publicar Duas Luas?
Tenho novidades pro Brasil pra logo, logo, é só o que eu posso dizer por enquanto!

André Diniz já ganhou 17 prêmios, entre eles troféus HQMIX de melhor roteirista, melhor site e melhor graphic novel. Seus livros O Quilombo Orum Aiê e O Negrinho do Pastoreio foram selecionados pelo PNBE – Programa Nacional Biblioteca na Escola e distribuídos para todas as bibliotecas de escolas públicas do Brasil. Entre seus trabalhos mais conhecidos, estão Fawcett, 7 Vidas, O Quilombo Orum Aiê, Morro da Favela e A Cachoeira de Paulo Afonso.

Essa não é a primeira vez que Diniz publica o seu trabalho fora do país. Em 2012, “Morro da Favela” foi publicado na França (“Photo de La Favela”), Portugal e Inglaterra (“Pictute a Favela”). Para a França, fez ainda as ilustrações para as edições traduzidas para o francês de O Menino do engenho, de José Lins do Rêgo, e O Quinze, de Rachel de Queirós, para a editora Anacoana.

Agora é só aguardar e ver qual editora irá publicar aqui no Brasil mais esse trabalho de André Diniz, que com certeza, assim como os anteriores, irá agradar e muito, os fãs do bom quadrinho.

Renato LebeauentrevistasAndré Diniz,Duas Luas,Pablo Mayer,PolvoQuadrinhista fala ao Impulso HQ sobre o seu mais recente projeto Duas Luas e confira páginas exclusivas! André Diniz com certeza é um dos maiores nomes dos quadrinhos autorais de sua geração, e que ainda conseguiu se consolidar em um mercado publicando em várias editoras no Brasil, e agora...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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