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Depois de conversar com o colorista Artur Fujita, agora é a vez do seu parceiro de trabalho no álbum “Outlaw: the Legend of Robin Hood”, Sam Hart.

Sam é o britânico-brasileiro mais talentoso dos quadrinhos (talvez o único. Mas isso não tira seu mérito). Brincadeiras a parte, o trabalho de Sam é excelente e vamos conhecer um pouco mais sobre ele aqui.

Durante a entrevista, Sam Hart fala sobre quando surgiu o seu interesse por HQs, fala sobre aQs relação arte-mercadoria que envolve os quadrinhos, sua experiência como professor na Quanta Academia de Arte e a importância das publicações independentes para o crescimento da arte seqüencial no país, e muito mais.

Entrevista:

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Impulso HQ: Você lia quadrinhos durante sua infância na Inglaterra? Houve algum álbum que não saiu no Brasil, e que você gostou muito de ler?
Sam Hart:
Lia muito 2000AD, Beano, Dandy, Whizzer and Chips e Action. Os personagens preferidos eram Rogue Trooper, Bananaman, Billy the Cat e Desperate Dan.

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IHQ: Como surgiu o interesse pelo desenho? Qual foi sua grande inspiração para seguir esse caminho?
S.H.:
Acho que toda criança desenha, eu só me interessei a ponto de não parar.

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IHQ: Como você desenvolveu essa idéia para que pudesse se tornar um profissional da área?
S.H.:
Foi com 6 anos de idade, ao ver uma revista do Super-homem, com capa do José Luis-Garcia Lopez e desenhos do Curt Swan, que resolvi que era isso que eu ia fazer.

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IHQ: Uma dificuldade que os artistas iniciantes enfrentam é a remuneração. Essa dificuldade em ter um “ganha-pão” com a produção de quadrinhos afasta muitos pretendentes para outras profissões. Qual a alternativa que você adotou para poder trabalhar com HQs?
S.H.:
Trabalho com ilustração de revistas e jornais, como a Veja e Folha de São Paulo, e aulas na Quanta e em bibliotecas da Prefeitura de São Paulo, além das HQs. Teve uma época que era só ilustração, mas aos poucos a HQ está ocupando uma parte cada vez maior do meu tempo.

Fiz bastante fanzine na época da escola e faculdade, depois colaborei e editei algumas revistas, como a revista Kaos!, “na faixa”. Hoje contribuo com fanzines só depois que já garanti as contas do mês.

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IHQ: Além de álbuns profissionais, você também produziu quadrinhos independentes como o SchemHa-Mephorash(Golem), com roteiro da Marcela Godoy. No seu ponto de vista, qual a importância das publicações independentes para o crescimento da arte seqüencial no país?
S.H.:
Acho muito importante para o amadurecimento profissional, a realização de projetos pessoais e expansão das temáticas e, consequentemente, do mercado. É importante buscar uma profissionalização do autor e dos projetos, e aos poucos vemos frutos: aulas de HQ em bibliotecas da Prefeitura, projetos selecionados e patrocinados pela Secretaria do Estado, mais projetos nacionais de álbuns nas grandes editoras.

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IHQ: Como, muitas vezes, uma HQ não é produzida por uma só pessoa, pode existir um conflito entre o pensamento dos diversos artistas (roteirista, desenhista, colorista, arte-finalista…) e comprometer o trabalho. Você passou por situações desse tipo em algum momento da sua carreira? O que você aprendeu com elas?
S.H.:
Nunca tive nenhuma HQ alterada a tal ponto de ter problemas, mas desde cedo sei que essa é uma mídia colaborativa: estão todos trabalhando com o mesmo objetivo, e claro que há influências de todos no processo. Procuro conversar o máximo possível com os envolvidos, para deixar claro minhas expectativas e vice-versa.

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IHQ: Você também é professor de quadrinhos na Quanta. De que forma isso influi no seu desenho?
S.H.:
O fato de ter que verbalizar e passar novamente pelos processos de criação de desenhos e HQs ajuda bastante na feitura dos próprios trabalhos. Várias vezes encontrei soluções para páginas e narrativas na temática da aula – e claro que há áreas do desenho em que é possível estudar a vida toda: perspectiva, anatomia, narrativa, por exemplo.

Também estar cercado por grandes profissionais da HQ, como vários dos professores da Quanta, faz você se esforçar mais a cada trabalho.

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IHQ: E que experiência isso trás para você como pessoa?
S.H.:
É uma parte importante da vida, a social, a comunicação direta através da fala, que não é parte do desenho – que é solitário e comunicação através de um intermediário, o papel. Como dizia Goethe: “O talento forma-se na solidão; o caráter, no tumulto da sociedade.”

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IHQ: Como você encara a relação arte-mercadoria que envolve os quadrinhos (assim como qualquer forma de arte vendável)?
S.H.:
De uma mini-coluna que escrevo chamada “Relações” no site Papo de Artista:
Arte Comercial: quadrinhos, ilustração, design, algumas formas de fotografia e música fazem parte de uma contradição em termos, a arte comercial.

Arte é algo único, original, expressão pessoal, sentimental e momentâneo: comercial implica em produção para as massas, relação com o observador e influências do mercado, com prazos e qualidade mínima garantida que independem do sentimento ou situação do criador.

Se o profissional vai produzir independente de suas condições, o artista por outro lado é totalmente influenciado por suas emoções e experiências.

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IHQ: O que você diria para pessoas que pretendem seguir a carreira de ilustrador, mas que ainda não possuem nenhuma experiência?
S.H.:
Ganhem experiência, publiquem onde for, façam fanzines, cursos e principalmente: não desistam.

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IHQ: Para terminar, existe algum motivo especial para morar no Brasil e não na Inglaterra?
S.H.:
O calor, a praia, as pessoas, amigos, minha esposa. 🙂

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O Impulso HQ agradece a Sam Hart pela entrevista e finaliza colocando abaixo o video da publicação Outlaw: the Legend of Robin Hood.

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