A seguir a quinta parte da entrevista.

Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.
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E a fundação da Metal Hurlant, a revista que iniciou os quadrinhos adultos no mundo?

“Metal Hurlant é Moebius, Druillet e Dionnet. A revista virou uma lenda, e agora na França saem livros e matérias sobre ela, sempre. Tudo começou com as L’echo de savannes. Bretécher, Mandrika e Gotlib são os nomes importantes. Em 1974 a L’echo de Savannes se afunda pois o distribuidor foge com o dinheiro. O conceito de Metal Hurlant vem de NikitaMandrika.

Nós, Dionnet, Druillet e Moebius decidimos fazer o título viver. Foi uma explosão de inteligência e talento. Como editor, Dionnet achava sempre novos autores e artistas. Mas na época éramos muito jovens, não tínhamos como gerenciar dinheiro ou da gestão de uma editora… Passamos nosso tempo a falir, era um pesadelo. Tornou-se uma revista maldita, e acabamos vendendo-a.

De qualquer forma foi a primeira revista de quadrinhos francesa editada nos EUA, como Heavy Metal, e teve quinze edições Européias. Era monstruoso, tinha edições na Alemanha, Itália, Espanha, Grécia… Uma coisa inacreditável. Nós inventamos um novo conceito de quadrinhos, como fez a Pilote, na época.

Metal Hurlant correspondia as necessidades de uma nova geração, que precisava de algo de novo. Queríamos criar nossa própria revista sem estar prisioneiros de quem quer que seja. Goscinny, o grande criador da banda desenhada moderna, o criador de Asterix, era o editor da Pilote e me dava liberdade lá, mas os outros não me entendiam, me consideravam um louco. Vimos que não tínhamos mais futuro na Pilote e tínhamos que criar nossa própria revista. Isso trouxe relações tensas, coisas que acontecem mesmo, e que Dionnet conheceu quando Metal Hurlant foi comprada.

Por isso fizemos Metal Hurlant, que se tornou uma revista lendária. Não param de sair livros sobre ela. A gente ainda é entrevistado dez vezes por ano sobre Metal Hurlant. Deve ser como quando chegam para os Beatles e pedem para eles contarem sua história, deve chegar uma hora em que…. (risos) Mas não podemos falar “parem de nos importunar” já que efetivamente aconteceu alguma coisa na história dos quadrinhos que foi magnífico.

Não podemos esquecer que nos EUA, fora do sistema da Marvel e da DC já haviam os Comix Underground, tínhamos a mesma idade, a mesma geração, e nós já trocávamos informações com os desenhistas de lá, por telefone ou correio, e tudo funcionava. Não tínhamos fax ou email, mas tínhamos correspondência mental. Antes da Heavy Metal mandávamos álbuns Franceses para os EUA e recebíamos revistas Underground Norte-Americanas.

Tínhamos uma correspondência de imaginário e de geração, uma verdadeira troca, esse banho cultural. Com a Metal Hurlant descobrimos que havia um publico em todo mundo que queria aquilo, ou já fazia aquilo. Era o mesmo pessoal que escutava rock progressivo, e depois o punk. Foi uma difusão mundial underground. Fabuloso. Foi uma época sublime, mítica e inesquecível, insensata, mas financeiramente catastrófico. Nós éramos artistas, e não editores. Era horrível e maravilhoso.

A França teve dois grandes editores de quadrinhos: René Goscinny, que me disse “Eu não entendo seu trabalho, mas você tem público e algo a dizer” e ele não se enganou, e Jean Pierre Dionnet, que foi o segundo Goscinny em relação a Metal Hurlant, ele que trouxe todos os jovens autores a revista, que abriu as portas.

Quase nos tornamos o Canal + da época. Tivemos pedidos de produtores de cinema, desenho animado. Nós assustamos os outros editores da época, Casterman, Dargaud, pois crescemos e oferecíamos algo único, que assustava. Goscinny sabia ser um homem de negócios, pois tinha o Asterix. Ele havia sofrido muito em sua infância, era um autor e um redator chefe, e era um homem de negócios, e com Pilote ele permitiu que loucos como eu surgissem. Isso foi fabuloso, isso era Maio de 68 e foi extraordinário. Em primeiro lugar Goscinny, depois, Dionnet, Pilote e Metal Hurlant. “Pessoalmente me custou muito dinheiro, eu era um membro da sociedade.”

Você teria interesse em relançar a revista, novamente?

“Um louco me ligou dizendo “Eu tenho dinheiro e estou pronto para lançar Metal Hurlant novamente” . Desliguei e ele nunca mais me ligou. Eu fiz como todo mundo, quando a revista acabou, eu fui para outras editoras. No começo a Heavy Metal só publicava material da Metal Hurlant. Mas depois se abriu para trabalhos de outras casas. A coisas se diversificou. Metal Hurlant deixou marcas nos EUA. Lá eles não tem álbuns, só revistas. Nós influenciamos os Americanos a começar a fazer álbuns.”

O que pensa de artistas que copiam seu estilo?

“O plagio não me incomoda. Se fosse uma merda, ninguém iria querer copiar. Faz parte do jogo. Como meu trabalho não é tão ruim assim, fiz várias pequenas crias pelo mundo.

Mas eu perdi muito dinheiro, eu era um dos HumanoidesAssociés, afinal. Mas, deixamos um legado. A Heavy Metal está aí até hoje.”

Haviam dois artistas Brasileiros na Hurlant, Sérgio Macedo e Alain Voss, como julga seus trabalho?
“Formidáveis, escolhas de Dionnet, que era alma de Metal. Nunca vi escolhas ruins na metal. Era a mesma escolha sólida da Pilote, direcionado para a ficção científica e ao erotismo, a fantasia, com artistas de outros países.

Dionnet que juntava artistas de vários países, e nisso vieram os Brasileiros. Dionnet queria juntar uma grande variedade de criadores.”

Renato LebeauHeavy Metal,Joaquim Ghirotti,Philippe DruilletA seguir a quinta parte da entrevista. Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista. ______________________________________________________________ E a fundação da Metal Hurlant, a revista que iniciou os quadrinhos adultos no mundo? “Metal Hurlant é Moebius, Druillet e Dionnet. A revista virou uma lenda, e agora na França saem livros e matérias sobre ela, sempre....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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