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Texto de: Rod Conzalez

Manoel de Souza é o editor da revista Mundo dos Super-Heróis, considerada a melhor publicação do país, onde comanda uma grande equipe de especialistas em HQs, cada qual com seu gênero de preferência específico, formando um quadro completo.

Também lançou o álbum História do Brasil em Quadrinhos. Durante a entrevista ele revela como foi a criação da publicação que já acumula prêmios como o Troféu HQMix e esse ano recebeu a indicação de Melhor Mídia sobre HQs, quais são os seus super-heróis brasileiros preferidos e também sobre os planos para as próximas publicações.

Entrevista:

Rod Conzalez: Pra quem ainda não sabe, além de ser editor da revista *Mundo dos Super-Heróis* você também já criou seus próprios personagens em revistas artesanais e fanzines. Manoel, existe a possibilidade de você voltar a fazer HQs?
Manoel de Souza:
Sim, claro. Tenho sempre dezenas de projetos na cabeça. Umdeles é uma série de HQs que mistura ficção científica e crônicas urbanas. Tenho um roteiro de umas 10 páginas escrito mas não acho tempo para terminá-lo. Antes pretendo firmar o nome da Mundo dos Super-Heróis no mercado e expandir o grupo.

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R.G.: Eu sei que você já está cansado de responder isso, inclusive foi uma das pautas da sua entrevista no Jô, mas a questão é inevitável, conte um pouco de quando você criou seus próprios heróis em revistinhas na infância/adolescência.
M.S.:
Sempre gostei de HQs e isso se intensificou a partir de 1985, quando eu tinha 12 anos. Comecei a copiar desenhos de gibis da Marvel e tomei gosto pela coisa. Logo criei meus personagens – Tornado, Dínamo Fantasma, Agente Philip, Shaolin e outros – com direito a revista (a Black-Out) e até editora (Editora Obra-prima). Durante uns três anos, criei umas 200 páginas de HQs em diversas revistinhas desenhadas a mão mesmo. Sempre digo que isso aconteceu por dois motivos: paixão por HQs e porque na minha rua não tinham meninas bonitas para eu correr atrás.

R.G.: Como surgiu a oportunidade de você editar a revista *Mundo dos Super-Heróis* ?
M.S.:
A história é bem longa. O projeto já existe há uns 15 anos, desde quando eu estudava desenho na Escola Técnica Carlos de Campos e criei o fanzine Ovo. Depois de formado, comecei a trabalhar como ilustrador e, em seguida, como diagramador de revistas. Criar uma revista sobre quadrinhos sempre esteve em meus planos e tentei desenvolver o projeto de diversas maneiras, mas a coisa não engrenava e eu nunca estava satisfeito com o resultado.

Isso acontecia porque minha formação era muito complicada. Vim de uma família muito pobre, sempre estudei em escola pública, morava fora de São Paulo, não consegui fazer faculdade… Em resumo: minha limitação de conhecimento era principal barreira. Por isso, durante mais de 10 anos trabalhei como editor de arte na Editora Europa – em revistas como a Natureza e Fotografe Melhor – e me dediquei ao máximo em aprender as outras etapas de uma revista: fotografia, redação de textos, edição de matérias e liderança.

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Literalmente me matei de trabalhar e criei uma carreira sólida: primeiro como assistente de arte, depois como editor de arte, depois como diretor de arte, depois como repórter…

Em 2002 veio a primeira tentativa séria de o projeto rolar. Comecei a desenvolver uma edição extra da Revista dos Curiosos, um dos títulos da Editora Europa, editado pelo Marcelo Duarte (do Guia dos Curiosos). Seria uma edição extra chamada Mundo Pop. Acertamos a pauta e comecei a desenvolver. A idéia era algo parecido com as revistas Flashback e Crash. Detalhe: as duas nem existiam na época.

Infelizmente, por motivos internos, a Revista dos Curiosos foi cancelada e meu projeto também. Mantive o contato com o Marcelo e insisti em lançarmos o projeto da Mundo Pop em forma de livro por sua editora Panda. A idéia seria algo como o Almanaque dos Anos 80.

Detalhe: esse livro ainda nem existia na época. O Marcelo não topou, mas gostou da minha insistência e sugeriu que eu escrevesse um livro sobre séries de TV. Oito meses depois, lançamos o livro Loucuras dos Seriados da TV, pela Panda Books. Rendei certo burburinho na mídia e até fui entrevistado no Jô Soares. Isso foi no fim de 2004, mesmo
período que me tornei editor-chefe da revista Natureza, na qual eu já trabalhava como editor de arte e repórter.

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Bom, depois de aprender na marra como se edita uma revista (em um ano e meio já dominava o processo de criar mensalmente a Natureza), decidi voltar ao meu projeto original da Mundo Pop e enchi o saco do meu chefe lá na editora Europa. Até que o convenci a lançarmos uma edição especial sobre o Superman para aproveitar o lançamento do filme Superman Returns.

O projeto foi aprovado e comecei a montar uma equipe de colaboradores. Os dois primeiros foram o Toni (Antônio Santos) e o Morelli (André Morelli). Depois vieram minha irmã (Valéria de Souza), Sílvio Ribas (do livro Dicionário do Morcego) e Maurício Viel (do site RetrôTV). Foi essa galera que me ajudou na primeira edição da Mundo.

Escrevi boa parte da revista, editei tudo e ficou muito legal. Ah, uma curiosidade: mudamos o nome de Mundo Pop para Mundo dos Super-Heróis para encaixar melhor com o tema de quadrinhos e para evitar falar de apenas um personagem. Com isso, pude criar diversas seções na revista com tudo que sempre quis ver em outras publicações e
não achava. Falar sobre heróis nacionais era uma dessas coisas. Assim surgiu a Mundo conforme vocês conhecem.

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R.G.:A revista *Mundo dos Super-Heróis,* desde o seu primeiro número, dá espaço para os super-heróis brasileiros. Como que despertou em você o interesse nos super-heróis nacionais?
M.S.:
Gosto muito de quadrinhos nacionais. Em especial os de humor, a área em que a HQ nacional realmente tem um trabalho mais relevante. Acho alguns heróis brasileiros bem interessantes, mas a coisa ainda é muito amadora e não tem uma personalidade própria. Minha idéia com a seção Heróis BR é estimular uma discussão a respeito disso para ver se a qualidade aumenta. Acredito que isso é possível. E espero que dê certo, pois isso depende também da dedicação dos autores e da pressão dos leitores por trabalhos de mais qualidade.

R.G.: Agora uma pergunta embaraçosa: quais os seus super-heróis brasileiros prediletos (não vale não citar nenhum)?
M.S.:
Cometa, Mulher Estupenda e Gralha.

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R.G.: Já vi que em algumas edições vocês publicaram hqs de heróis brasileiros, e também li cartas de leitores aprovando e pedindo mais. Há possibilidade da revista *Mundo dos Super-Heróis* começar a publicar HQs nacionais em cada edição?
M.S.:
Acredito que não pois isso roubaria espaço de outras seções. Minha idéia – e sonho – é lançar uma revista específica ou livro sobre quadrinhos brasileiros. Já tenho o projeto todo detalhado e pretendo colocá-lo em prática ainda este ano. Mas será uma produção independente, sem vínculos com a Mundo dos Super-Heróis.

R.G.: Muitos acharam a revista muito ousada em dedicar algumas páginas para matérias com super-heróis brasileiros. Existe na internet muita gente que não gosta (ou DIZ que não gosta) de heróis brasileiros. Vocês recebem muitas cartas de leitores reclamando da presença de alguns super-heróis brasileiros presentes na *Mundo?
M.S.:
Sim. Mas existem mais mensagens de aprovação do que de reclamação. Por isso mesmo o assunto tem uma quantidade limitada de páginas na Mundo. Acho essa porcentagem bem adequada. Se baixar ou aumentar, atrapalha a receita da revista.

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R.G.: Então podemos ter certeza que os heróis brasileiros vão continuar com espaço garantido na revista?
M.S.:
Claro. É uma seção fixa. Já tenho planejadas muitas reportagens sobre heróis e autores brasileiros.

R.G.: No Brasil dificilmente publicações de quadrinhos são duradouras. Raras foram as revistas que conseguiram chegar na marca da edição 50, ou 100…Gosto muito da *Mundo dos Super-Heróis* e não gostaria de que a revista acabasse de repente deixando um vácuo nas bancas. O que você pode nos falar a esse respeito, o futuro da *Mundo *está garantido para os seus leitores?
M.S.:
O futuro da Mundo dos Super-Heróis depende do seu aumento de rentabilidade e expansão do grupo. Ela se paga, mas ainda não dá um lucro satisfatório. Já tomei muitas decisões a respeito e, logo teremos novidades. A meta é aumentar nosso núcleo. Outro sonho meu é tornar a revista mensal. Mas isso deve demorar um pouco mais.

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R.G.: Você pode nos adiantar alguns dos próximos enfocados da seção Heróis BR?
M.S.:
Infelizmente não. O conteúdo da Mundo é seu maior diferencial. Guardo minhas pautas com bastante sigilo. Mas asseguro que vou me esforçar para aumentar nossa qualidade e cativar nossos leitores. Mas as coisas devem ser acontecer com segurança, um passo após a outra.

Desde a primeira edição em junho de 2006 estamos criando nosso alicerce para a marca “Mundo dos Super-Heróis”.

R.G.: Valeu pela entrevista Manoel. Desejo toda a sorte do mundo pra revista *Mundo *(combinou)! Muito obrigado por dar oportunidade pros super-heróis brasileiros mostrarem suas caras!
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O Impulso HQ agradece mais uma vez a Rod Gonzalez por sua gentileza em enviar a entrevista e permitir que ela seja publicada.

Renato LebeauquadrinhosTexto de: Rod Conzalez Manoel de Souza é o editor da revista Mundo dos Super-Heróis, considerada a melhor publicação do país, onde comanda uma grande equipe de especialistas em HQs, cada qual com seu gênero de preferência específico, formando um quadro completo. Também lançou o álbum História do Brasil em Quadrinhos....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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