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A entrevista dessa semana no Impulso HQ é com Leandro Robles que em dezembro do ano passado lançou a sua primeira revista impressa independente, o Macaco Albino.

Leandro que é mais conhecido por seu trabalho voltado ao público infantil, surpreendeu ao lançar uma publicação mais voltada a um público mais maduro e apresenta um humor que as vezes beira ao nonsense.

Durante a entrevista o quadrinhista revela o porque decidiu lançar a publicação de forma independente, como foi o processo de transição de Macaco Albino para o impresso, tiras onlines e video e quais as mudanças que implicaram todas essas migrações de mídias, como é ver o ser personagem na visão de outros ilustradores, e com exclusividade para o Impulso HQ quais serão os quadrinhistas que estarão na segunda edição impressa do personagem, que está programada para o primeiro semestre, em meados de junho ou julho.

O Impulso HQ agradece a Leandro Robles pela colaboração e por ter dedicado o seu tempo em responder as perguntas para os leitores do site.

Entrevista:

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Impulso HQ: Lançar Macaco Albino de forma independente e em formato de bolso foi uma opção sua devido a quê?
Leandro Robles:
O principal motivo é que eu achei que encaixava bem. O Macaco Albino é pra ser um trabalho autoral, livre de censuras e regras. Achei que uma publicação independente, onde é permitido experimentar, era o melhor ambiente pra ele, no momento. Já o formato de bolso é uma delícia, fácil de transportar, bom de ler no ônibus, no metrô lotado…

IHQ:Os desenhos mais rascunhados, alguns podendo até identificar as linhas de construção, são propositais para ressaltar a independência da publicação?
L.R.:
Sim, propositais. Ocorreu pelo fato dele ter nascido no meu caderno de rascunhos. Sendo assim, busquei para ele uma linguagem rápida, verbalizando no Macaco idéias que estavam soltas por ali. Mesmo quando passei a fazer as histórias do Albino já pensando nelas publicadas, resolvi manter a mesma pegada de rascunho.

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IHQ: Seu trabalho é mais conhecido por ser mais voltado para o público infantil, que é um humor mais direto e inocente, já em Macaco Albino você o define como “um humor estilo cartum, verborrágico, com pitadas de nonsense, sarcasmo e ironia”, como é para você ter essa mudança de público?
L.R.:
Adoro fazer os dois. Me divirto muito com as criancices do Rafa, Coal, Chump, Sapo Dogueiro e todos na Escola de Animais. Dá pra mergulhar no universo da fantasia infantil. Já o Macaco Albino permite cavocar mais fundo, naqueles sentimentos e pensamentos que a gente engole seco e deixa bem escondidos. Dá pra flertar com a loucura do personagem, e botar um pé ou dois pra lá do limite do politicamente correto.

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IHQ: A revista conta com a participação de convidados como Gil Tokio, Beto Uechi, Leo Gibran, Daniel Bueno, Spacca, dando a visão deles do Macaco Albino, como é pra você ver o seu personagem com os olhos de outros artistas?
L.R.:
Não se esqueça do Pedro Sotto e do Tomo. Pra mim, foi uma grande honra, pois sou fã de todos esses caras. Me senti lisonjeado. Todos tiveram liberdade total de colocar seu traço ali e a usaram. O mais legal é notar as diferenças de estilo, o que torna o gibi mais rico.

É uma grande contribuição deles. Quem é fã de quadrinhos e ilustração, como eu, sabe que esse é o grande barato: ver como cada um cria seu universo particular em seus desenhos.

IHQ: Em uma das suas declarações sobre a publicação você diz:  “Os quadrinhos retratam devaneios, desabafos e presepadas deste aflito macaco”, de certo modo o leitor pode considerar esses desabafos sendo como seus?
L.R.:
As histórias são altamente baseadas em observações do mundo em minha volta, e algumas coisas que acontecem comigo, mas não só isso. Tem muito ali de coisas que me contaram, livros que li, filmes, noticiário… Penso que é impossível um autor não se colocar, pelo menos um pouco, em cada um dos personagens que cria.

Porém, não há nenhuma intenção de retratar uma vida real ali, e sim, recortes do cotidiano deste símio desmelaninado. Não é quadrinho auto-biográfico, do estilo Persépolis e American Splendor.

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IHQ: Percebe-se em Macaco Albino as experimentações tanto visuais, traços ágeis e estética rascunhada, como de idéias e situações, você considera essa variação entre uma história e outra o grande ponto forte de Macaco Albino, já que você tem toda a liberdade de colocá-lo aonde quiser sem deixar o personagem em uma situação incoerente com ele mesmo?
L.R.:
Sim, adoro isso. Se a história requer um pai de família, ele será um. Se requer um solitário, a mesma coisa. Não me preocupo com continuidade, não defini uma vida pra ele.

Da mesma forma que ele não tem emprego ou estado civil definidos, procuro variar seu humor também. Não quero mantê-lo sempre rabugento, reclamando, pois isso iria cansar. Então permito que ele seja bobo e se divirta em muitas situações.

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IHQ: Na época do lançamento de Macaco Albino, a obra teve um trailer animado como forma de divulgação, da onde surgiu a idéia dessa produção e qual foi o retorno do vídeo como veículo de propaganda?
L.R.:
O trailer foi produzido aqui no estúdio Pingado.com, a voz é minha, e a animação é do meu sócio Beto Uechi, e do Richard. A ação do trailer foi baseada na capa do gibi. Já a idéia de fazer o vídeo surgiu de papos nossos, de como divulgar o lançamento de uma forma divertida. Resolvemos pegar carona nesses “virais” de internet.

O retorno foi ótimo. Chegou a surpreender alguns, pois é uma forma inusitada de divulgar uma revista… Um efeito bacana, que eu não havia previsto, é que o trailer chegou a ser usado em reportagens de tv: o programa Pé na Rua, da TV Cultura, exibiu um trecho ao falar da revista e o mesmo deve acontecer com o programa Banca de Quadrinhos, do Canal São Paulo. (Para conhecer o trailer: http://vimeo.com/2548537 )

IHQ: Macaco Albino trilhou um caminho curioso, ele passou pelo seu caderno de rascunhos, foi digitalizado, virou tira virtual no site escoladeanimais.com, passou pelo vídeo e agora volta para o impresso virando uma publicação com título próprio. Como foi toda essa transição e devido às mídias que ele já percorreu, ele sofreu alterações para a sua adaptação?
L.R.:
Sim, sofreu mudanças. Não pela passagem pelo vídeo, pois esta foi muito meteórica. Foram só 30 segundos de fama… Mas em relação às hqs, no início elas eram feitas especificamente para o blog, então eu definia uma largura e o leitor ia descendo pela barra de rolagem… Depois ele passou por uma fase mais contida.

Coloquei uma camisa de botão no Macaco, lhe dei um emprego que ele odiava, defini melhor os coadjuvantes e passei a fazer tiras curtas, coloridas, num formato mais tradicional. As 42 tiras dessa fase estão neste gibi.

A mudança que venho notando atualmente, diretamente relacionada ao lançamento do Macaco Albino #1, é que me deu mais vontade de explorar a página. Tanto que a última HQ publicada no meu site não obedece o formato anterior, de largura fixa e barra de rolagem. Resolvi trabalhar melhor o design das páginas. Veja.

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IHQ: A revista não tem uma periodicidade fixa, mas os leitores já podem esperar um número 2? E essa publicação terá novamente a visão de outros artistas? Quais?
L.R.:
Sim! O número 2 já está no forno, e deve ser lançado ainda no primeiro semestre, em meados de junho ou julho. A grande novidade é que serão publicadas somente histórias , ao invés de tiras curtas.

É uma volta às origens do personagem, que assim tem mais espaço pra viajar na batatinha e ser mais verborrágico. O time de participantes já está fechado, e posso dizer que estou muito feliz com os craques que estou conseguindo reunir.

(Atenção: isso é em primeiríssima mão para o Impulso HQ)

Veja alguns nomes confirmados: Gustavo Duarte,  Hiro, Kako, Chico Bela, Jozz, Rodrigo Arraya, Fernando Ventura, Salvador, o roteirista Kaled Kalil Kanbour e o grande mestre Fernando Gonsales!

E ainda estou conversando com mais dois ou três nomes para fechar um elenco forte e competitivo, capaz de disputar títulos. Só espero que sobre espaço  para mim…

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IHQ: Para encerrar, você tem outros projetos para serem lançados de forma independente? E o que o leitor pode esperar dele?
L.R.:
Impresso, não. Só o Albino, mesmo.
Mas publico outros quadrinhos no meu site, o que não deixa de ser uma publicação independente…

Vou aproveitar este espaço para uma breve apresentação de cada um deles…

Escola de Animais, já citada, tira infantil que sai na Folhinha: http://www.escoladeanimais.com/galeria-1

Fétida Sopinha. Humor completamente pirado e non-sense: http://www.escoladeanimais.com/galeria-8

As Diabetes. Estas sim são tiras auto-biográficas. Retratam a minha convivência com essas minhas companheiras para toda vida: http://www.escoladeanimais.com/galeria-18

Sou Corinthians! Comentários em forma de tiras, do que é torcer para este grande time: http://www.escoladeanimais.com/galeria-23

O Cobaia. Foi publicada na Folhateen há alguns anos. Tira dedicada a falar sobre o universo nerd. http://www.escoladeanimais.com/galeria-3

Renato LebeauBeto Uechi,Daniel Bueno,entrevista,Gil Tokio,Leandro Robles,Leo Gibran,Macaco Albino,Pedro Sotto,Spacca,TomoA entrevista dessa semana no Impulso HQ é com Leandro Robles que em dezembro do ano passado lançou a sua primeira revista impressa independente, o Macaco Albino. Leandro que é mais conhecido por seu trabalho voltado ao público infantil, surpreendeu ao lançar uma publicação mais voltada a um público mais...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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