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Gabriel Rocha é criador do Lagarto Negro, que em 2008 completou 10 anos na ativa!

Rod Gonzalez: Poderia nos dar uma pequena biografia sua?
Gabriel Rocha:
Você pode encontrar uma biografia minha no site Bigorna (clique aqui).
Vai perceber que não é muita coisa!

R.G.: Recentemente seu maior personagem, o Lagarto Negro, comemorou 10 anos de criação. Existe algo programado para comemorar a data?
G. R.:
Sim, há algumas previsões para comemoração dos 10 anos de criação do Lagarto Negro. Estão todos em andamento e sem definição de lançamento. Talvez a comemoração se prolongue por 2009. O bom de entrevistas na internet é que podemos divulgar os hiperlinks! Então clique aqui, e para ver a mais próxima de realização é a de iniciativa do Lucasi, noticiada, clique aqui.

O Lagarto Negro já fez uma breve aparição em uma edição extra de Vigilantes e Raicais, clique aqui

Vale dizer que todas essas HQs possuem um elemento em comum, que é a iniciativa dos autores envolvidos, aos quais sou muito grato pela gentileza em ceder seus talentos ao desenvolvimento destes trabalhos. Muito obrigado, pessoal!

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R.G.: O personagem e um dos super-heróis mais famosos do Brasil, quantas HQs do Lagarto Negro já foram produzidas?
G. R.:
É nada! Só quem conhece é a gente! Eheheheheh! E não estou escrevendo isso por modéstia de qualquer espécie! É a pura verdade! Quem sabe um dia…?! Foram produzidas poucas HQs. Uma boa parte está inédita, ou perdida. Tudo minha culpa! Abandonei o personagem por volta de 2002 e larguei tudo que estava em andamento.

Agora é complicado recuperar, mas muita coisa está voltando! Tenho uma listagem aqui, no final dessa página (clique aqui).

A listagem não inclui novas HQs, e precisa ser atualizada.

R.G.: Existem HQs inéditas?
G. R.:
Posso afirmar que, no momento, existem mais HQs inéditas em estado de produção do que HQs terminadas e já publicadas ou divulgadas. A produção de novas HQs é lenta devido ao processo de produção. As pessoas me procuram com idéias para desenvolver o personagem, eu costumo dar carta branca e fica tudo por conta dos colaboradores.

Estou cada dia mais liberal com essas coisas e algumas HQs já são feitas até mesmo sem meu conhecimento! Em geral, os colaboradores trabalham nessas HQs em seu tempo livre, e a verdade é que tempo livre é espécie em extinção. Estamos todos cada vez mais escravos da vida moderna e impedidos de nossas próprias iniciativas.

É preciso ter compreensão quanto a isso. Não vou atrás de ninguém com chicote porque assumiu algum tipo de responsabilidade em fazer uma HQ com Lagarto Negro. Não é nem justo e nem sadio.

Simplesmente prefiro deixar o barco correr solto para depois ter a surpresa de ver o personagem em alguma nova HQ! Dia de gibi novo, quem não gosta?

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R.G.: Recentemente você revelou que o personagem foi inspirado no Horácio (do Mauríco de Sousa). Nada mais acertado, afinal os dinossauros não deixam de ser os antigos lagartos. O que você têm a dizer aos que insistem em compará-lo ao Aracnidio estrangeiro?
G. R.:
Pior que ninguém acredita nisso! Uma das minhas HQs inéditas narra o processo criativo completo de elaboração do Lagarto Negro. Era para ser mais uma matéria-que-ninguém-lê lá do site, mas acabou virando roteiro, justamente por que conta uma história.

Já sabem, né? Vai demorar para ficar pronta! O que dizer aos que comparam ao Silver-Spider? Denorex!!!! Se parece, então parece mais não é! O que acho mais engraçado é que ninguém se liga no cinto de utilidades!

Hahahahahahah! E olha que está lá desde o começo! E o Lagarto Negro não gruda que nem chiclete, não foi mordido por merda nenhuma radioativa, não cuida de tia velha, não mora em caverna, não tem filme no cinema e nem balança em cipó de Tarzam.

Houve um tempo em que isso me incomodava e resolvi modificar o visual da máscara. Criei uma enquete no site, e constatei que muita gente se incomoda realmente com o visual da máscara. Isso é um problema real.

Mas a maioria optou por manter o personagem do jeito certo, do jeito que é. E assim permanece. Não sei o que está escrito aqui, pois não sei nada de inglês, mas gostei das figurinhas e vou compartilhar com essa entrevista (clique aqui).

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O Lagarto Negro foi criado para ser personagem de quadrinhos do gênero super-heróis, e possui muitas características comuns ao gênero. Normal. A bendita santa-imaculada-originalidade-sagrada-da-divina-fonte-criativa, pelo qual as pessoas tanto se auto-flagelam por aí, é só um fetiche ignorante.

Guardadas as devidas proporções, pois nunca fiz nada que se compare ao trabalho do mago inglês, quem é que pode dizer, por exemplo, que os personagens da Charton Comics são mais originais que os “Homens-Vigias”?!

R.G.: Você foi um dos responsáveis pela revista Impacto, que publicava Lagarto Negro, Velta, Redentor e outros. Gostava muita da revista, conte-nos sobre a experiência e sua avaliação de porque não deu certo.
G. R.:
O Crânio, do Francinildo Sena, seria a capa do número 3. Emir, Marcos Franco e Francinildo são algumas das pessoas com quem mantenho bom relacionamento até hoje, graças a essa revista, e isso é tudo que trouxe do bom. Publiquei do meu bolso, dinheiro guardado durante 3 anos de estágio remunerado.

Saiu por uma editora que dizia apoiar quadrinhos. Caí nessa e perdi meu dinheiro, perdi os encalhes e perdi fé neste tipo de iniciativa. Vendeu o suficiente para criar um capital de giro, e honrar todos os compromissos se a editora não sugasse tudo para sumir do mapa. Levei um tempo para me recuperar.

Gostaria de pelo menos reaver os encalhes, mas a essa altura só Deus sabe o que aconteceu com minhas revistas. A “Impacto Fabricado no Brasil” custava R$1,99 numa época em que os gibis custavam R$10,00. Se recebesse investimento, no lugar de ser saqueada, poderia ter recebido cores e aumentado o número de páginas. Quem sabe? :/

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R.G.: O que você achava da antiga cena de fanzines, onde havia intensa troca de correspondência, em comparação com a atual da internet?
G. R.:
Na verdade nunca fui parte disto. Antes de ser revista a impacto foi fanzine de fotocópia. E antes de ser fanzine de fotocópia, impressos em gráfica com tiragens de 3.000 exemplares, formato mini tablóide, distribuídos gratuitamente. O grupo era eu, Fred e Fabiano. Vendíamos anúncios, que pagaram as impressões e ainda deu lucro!

Mas só fizemos 3 números. Sabíamos que havia um grupo no Rio que se reunia para tratar de quadrinhos e chegamos a participar de um evento na Casa de Cultura Laura Alvim. Chegando lá fomos entrevistados (apenas o Fred na verdade) pela MTV como autênticos “fanzineiros obscuros”.

Devíamos ser mesmo “obscuros”, pois chegamos a ser maltratados por vender anúncios em nosso fanzine! Nesses eventos é que fui conhecendo pessoas, uma delas é um atual desafeto, mas que na época intermediou alguns contatos, entre trapalhadas e confusões.

A grande vantagem da internet é que tudo pode ser mais transparente. Antes a “intensa troca de correspondência” era editada e agora fica na rede. Mais fácil ver quem é quem. Ainda prefiro o dialogo aberto à conversa velada, métier ideal para fofocas e exageros. No diálogo aberto há menos disse-me-disse. A internet ainda não expurgou os anônimos, mas estes já existiam antes também. A maioria não perde nada por se revelar. Confesso não ter boa memória para nomes e números de telefone! Já me correspondi com muitas pessoas “pela primeira vez”!

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Assim como já perdi diálogos por responder a uns diálogos iniciados com outros. A internet facilita a organização da correspondência. Até pouco tempo confundia Miguel Rude com Rudimar Patrocínio… Me perdoem! Vocês devem achar que sou louco!

R.G.: Porque os super-heróis brasileiros causam tanta confusão, de um lado com fãs apaixonados e de outro com inimgos declarados?
G. R.:
Não percebo isso. Não são os personagens do gênero super-heróis, subgênero brasileiros, que causam tanta confusão. Os personagens são entes inanimados. Somos nós que os movimentamos em nossas mentes. As mentes das pessoas é que deviam se libertar dos disse-me-disse e métier inadequados. “Inimigos declarados”, porra cara, isso parece coisa de gibi!

R.G.: Você que é entendido do tema, qual o futuro dos super-heróis brasileiros?
G. R.:
Sem essa de entendido. Eu heim?! Nada disso! Não tenho bolas de cristal. Não posso falar por ninguém mais além de mim mesmo. Sendo assim, apostaria no aprofundamento dos estudos em roteiro. No estudo de uma técnica narrativa melhor. Num objetivo além da mera construção da mensagem narrativa. A subjetividade talhada em moldes narrativos complexos. Apostaria na escrita, na palavra.

Apostaria na crítica aberta e intercâmbio de idéias difusas. Apostaria também no Necronauta, pois vou comprar amanhã. No Francinildo Sena, no Marcos Franco, no Emir, e no elemento surpresa.

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O Impulso HQ agradece mais uma vez a Rod Gonzalez por sua gentileza em enviar a entrevista e permitir que ela seja publicada.

Renato LebeauquadrinhosEmir Ribeiro,entrevista,Francinildo Sena,Gabriel Rocha,Lagarto Negro,Marcos Franco,Mauríco de Sousa,Redentor,Rod Gonzalez,Velta,Vigilantes e RaicaisGabriel Rocha é criador do Lagarto Negro, que em 2008 completou 10 anos na ativa! Rod Gonzalez: Poderia nos dar uma pequena biografia sua? Gabriel Rocha: Você pode encontrar uma biografia minha no site Bigorna (clique aqui). Vai perceber que não é muita coisa! R.G.: Recentemente seu maior personagem, o Lagarto Negro, comemorou...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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