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No dia 27 de abril noticiamos sobre Felipe Sobreiro concorrer no Zudacomics, com a webcomic Earthbuilders, na qual foi responsável pelas cores e letras da HQ. (clique aqui para conferir).

A excelente notícia é que a competição se encerrou e Earthbuilders, foi a vencedora, e o Impulso HQ bateu um papo com Felipe sobre a sua carreira, Earthbuilders, Zuda Comics, webcomics, mercado mexicano de histórias em quadrinhos e é claro os seus próximos projetos.

No final da entrevista um declaração de Felipe Sobreiro sobre a vitória na competição e a próxima etapa.

O Impulso HQ agradece Felipe Sobreiro pela sua colaboração e deseja muito sucesso em seus futuros projetos e é claro não poderia deixar de parabenizar a equipe que desenvolveu Earthbuilders pela vitória no Zuda Comics

Entrevista

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Impulso HQ: Como foi o inicio da sua carreira? Seu pai que já desenhava influenciou nas suas referências e quais são elas?
Felipe Sobreiro:
Eu comecei a me interessar pelos quadrinhos justamente graças ao meu pai (www.milton.sobreiro.com), na época ele não estava envolvido ainda em HQ, mas fazia ilustrações editoriais e trabalho de publicidade, então tive a presença constante do “desenho como trabalho” desde cedo em casa.

As HQs com as quais entrei em contato graças à ele foram as coleções completas de Tintin e Asterix, num primeiro momento, e depois à grandes albuns em capa dura do Príncipe Valente e à edições da L&PM do Spirit e, o que mais me marcou, “O Homem é bom?”, de Moebius. Minha carreira em si começou por volta de 2001, 2002, graças à Internet.

Fiz vários contatos pelo mundo afora e comecei a fazer meus primeiros webcomics, pra sites hoje esquecidos como Pocaspulgas.com, Nextcomics.com e Opi8.com. Em 2004/2005 fiz meus primeiros quadrinhos “propriamente ditos”, participando de antologias na Inglaterra organizados por gente como Kieron Gillen e Alex De Campi.

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Página de THE NEW ADVENTURES OF SIGMUND FREUD

Em 2007 já publiquei na Heavy Metal e na antologia Popgun da Image, colorindo o trabalho do meu pai. Em 2008 participamos de várias revistas da BOOM! Studios e agora em 2009, além de estar avançando paralelamente vários projetos pessoais, colori EARTHBUILDERS (www.zudacomics.com/earthbuilders), que ganhou na competição de abril do Zuda Comics, da DC.

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IHQ: Por que se inscrever no Zuda Comics?
F.S.:
O Zuda tem várias vantagens, a principal delas é que, a diferença da grande maioria dos sites de webcomics, este tem o apoio de uma empresa grande por trás, neste caso a DC Comics. Sendo assim, eles podem pagar os criadores por páginas, e os webcomics que por lá passam tem muita difusão.

Outro aspecto interessante do Zuda, pros leitores, é que cada mês tem 10 novos webcomics disputando por uma chance de continuar a publicação, e aí é o voto do pessoal que define quais quadrinhos vão seguir adiante e quais vão ficar só nas 8 primeiras páginas.

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IHQ: Do que se trata a série Earthbuilders? Algum projeto de transformar a webcomic em impresso?
F.S.:
Earthbuilders é sobre a Frota de Terraformação, um grupo de cientistas que percorrem o universo transformando planetas estéreis em lugares habitáveis para a humanidade, criando novas “Terras”.

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A história mesmo começa quando, numa dessas novas colônias, começam a acontecer transtornos no clima e no ambiente, fazendo com que um time vá até lá pesquisar. Há uma força desconhecida por trás disso, algo que nem os Earthbuilders, que já rodaram a galáxia passando por vários planetas, tinham encontrado antes, e é isso aí que será explorado ao longo das próximas páginas.

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O Zuda tem dentro dos seus planos ir lançando pela DC coletâneas dos seus webcomics, os dois primeiros estão saindo agora, primeiro BAYOU (www.zudacomics.com/bayou) e mais adiante sai HIGH MOON (www.zudacomics.com/high_moon), então a possibilidade de lançar uma versão impressa do Earthbuilders é mais do que real!

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Página de REMNANTS (cores de Felipe Sobreiro)

IHQ: Qual a principal diferença que você considera entre a HQ impressa e a webcomic?
F.S.:
A principal diferença pra mim é a flexibilidade da mídia digital e sua acessibilidade… Você colocou na rede e já tem gente do mundo inteiro olhando, a HQ impressa por boa que seja sempre vai atingir um público menor. Pelo outro lado os webcomics são muito menos rentáveis, então os criadores tem que se virar e gerar renda com coletâneas, banners e venda de merchandising pra poder se sustentar.

Em termos de flexibilidade os quadrinhos online permitem novos formatos e maneiras de ler, não há páginas por virar então quem define como a leitura vai fluir é só a imaginação do autor. Também podem ser colocadas animações, elementos interativos e muito mais, é um leque de opções muito vasto e por enquanto só uns poucos tem explorado esses caminhos.

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Página de LIVING MORPHEUS (cores de Felipe Sobreiro)

IHQ: Na sua opinião a mídia web, eletrônica em geral, de quadrinhos pode substituir a impressa?
F.S.:
Eu acho que é a tendência, eu sou um pouco retrô e gosto dos quadrinhos e dos livros não só pelo conteúdo mas também por eles como objetos, então se por mim dependesse podiam existir pra sempre paralelamente as duas mídias, como acontece agora.

Mas com o advento do iPhone e do Kindle da Amazon, por exemplo, acho que mais e mais quadrinhos vão migrar pro digital, sendo que os custos são menores pras editoras (não há mais impressão, distribuição, pagamento de intermediários) e pros autores independentes que antes não tinham como custear a produção da sua obra.

Vai facilitar cada vez mais pro pessoal desconhecido ir aparecendo, sendo que as condições da competição vão se igualando.

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Página de MONA

IHQ: O formato dos webcomics tendem a ser diferente do impresso, eles são mais horizontais, isso no processo de criação ou adaptação de uma história facilita ou dificulta?
F.S.:
Isso depende, os webcomics que fiz foram específicamente pra rede desde o começo, então você já assume de cara a página horizontal e trabalha nela. Tem gente que na hora de adaptar pra Internet, corta à página ao meio pra que fiquem 2 páginas de webcomic, o qual é prático mas não indispensável, porque a tela é horizontal mas tem a vantagem de poder correr em qualquer direção.

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Página de ERA UMA VEZ

IHQ: Geralmente em um site de webcomics existem ferramentas como ZOOM IN e ZOOM OUT, o descolamento da página em um quadro e etc. Na produção de uma webcomic, esses fatores são levados em consideração?
F.S.:
Novamente, depende do caso. No meu caso, os webcomics que fiz eram convencionais, só que publicados na rede. Já quis fazer algum projeto que usasse recursos tecnológicos e que permitisse o leitor interagir de novas maneiras com a HQ, alterando-a, mas nunca tive a chance.

Já autores como Daniel Merlin Goodbrey (http://www.e-merl.com/hypercomics) e Scott McCloud (http://www.scottmccloud.com/1-webcomics/index.html) já andaram fazendo webcomics em formatos estranhos e que eram lidos em todas as direções, e que necessitavam de zoom in e zoom out para ser lidos.

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Página de MORDIDA

IHQ: Você tem grande contato com o mercado de quadrinhos mexicanos, por que você optou por ele?
F.S.:
No começo da década eu estava retornando de uma vida de quase 15 anos na Colômbia, e sofri um pouco de choque cultural ao voltar pro Brasil, eu tinha saido daqui muito pequeno e não me identificava com a cultura nacional, então tive mais afinidade num primeiro momento com o pessoal e com a cena de quadrinhos do México, que conheci acidentalmente em fórums da Internet.

Várias dessas relações eu conservo até hoje, e a grande maioria dos meus trabalhos tem sido em parceria com mexicanos como R.G. Llarena.

IHQ: É um mercado alternativo para quem pensa começar ou até mesmo quem procura opções diferentes do mercado norte americano? Qual a melhor maneira de conseguir oportunidades no mercado Mexicano?
F.S.:
Na verdade o México sofre dos mesmos problemas que o mercado de quadrinhos daqui, os autores nacionais contam com muito pouco apoio e tem que lutar muito pra conseguir sair adiante.

Lá o que domina são as versões traduzidas de Marvel e DC (que nem aqui) e reimpressões de HQs antigas de humor. Os autores mexicanos com os que tenho trabalhado tem a mesma idéia que eu: apontar pros Estados Unidos e pra Europa, onde as HQs são levadas mais a sério (e por isso mesmo as o espaço é menor para despontar).

Como alternativa pra quem quer publicar aqui eu acho meio improvável, só mesmo se alguém quiser atingir especificamente o público mexicano, mas não porque lá haja alguma abertura mais ampla em comparação com nosso mercado.

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Página de US VS. THEM

IHQ: Quais os próximos trabalhos que podemos esperar?
F.S.:
No momento temos uma graphic novel já quase pronta, escrita pelo R.G. Llarena e desenhada pelo meu pai, e mais outras propostas que estamos desenvolvendo e mostrando pra editores.

Eu fiz a capa e estou ilustrando uma história que vai sair na antologia brasileira INKSHOT (http://inkshot.blogsome.com/), organizada pelo Hector Lima. Também estou finalizando as cores de uma história ilustrada pelo Jorge Muñoz para o quarto volume da POPGUN. Tenho também vários embriões de roteiros que quero desenvolver no futuro, mas isso é mais pra frente.

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IHQ: Uma declaração sobre a vitória no Zuda Comics e qual o próximo passo?
F.S.:
A vitória foi muito sofrida, a gente teve que correr atrás de votos, atazanar amigos, parentes e conhecidos por votos, pagar banners. Em competições deste tipo a qualidade apenas não é suficiente, tem que fazer muita divulgação. Claro que se a HQ for boa você já está um passo à frente, mas sem anunciar em tudo quanto é lado, você perde terreno. A próxima etapa é assinar contratos, definir com os editores qual vai ser a periodicidade e ir fazendo as próximas páginas.

Renato LebeauEARTHBUILDERS,Felipe Sobreiro,milton sobreiro,webcomics,Zuda ComicsNo dia 27 de abril noticiamos sobre Felipe Sobreiro concorrer no Zudacomics, com a webcomic Earthbuilders, na qual foi responsável pelas cores e letras da HQ. (clique aqui para conferir). A excelente notícia é que a competição se encerrou e Earthbuilders, foi a vencedora, e o Impulso HQ bateu um...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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