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O Impulso HQ começa o ano com uma nova entrevista realizada com Cadu Simões, um dos fundadores do 4º Mundo, que foi realizada na época comemorativa de 1 ano de existência do coletivo.

Cadu Simões fala como surgiu a ideia de criar o grupo, sobre distribuição, como foi ganhar o prêmio HQ Mix ano passado e que mudou depois disso, as metas para 2009 e como se afiliar ao 4º Mundo.

As imagens de capas de HQs utilizadas para ilustrar o post foram retiradas do site do coletivo e de eventos que aconteceram em 2008.

Aproveitem a entrevista.
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Impulso HQ: Inicialmente como surgiu a idéia de criar o coletivo?
Cadu Simões: A ideia do coletivo surgiu de conversas ente eu e o Leonardo Melo, da revista Quadrinhópole. Já fazia algum tempo vinhamos colaborando entre nós em eventos de quadrinhos, e trocando nossas revistas para melhor distribuí-las nos pontos de venda.

Percebemos então que poderíamos trazer mais gente pra essas nossa “bricadeira” e expandir essa colaboração mútua entre os quadrinistas do Brasil todo. Foi assim então que criamos um grupo de discussão do Google Groups, incialmente com umas dez pessoas que eram amigos próximos, e partir dali mais quadrinistas foram entrando conforme a idéia por trás do coletivo foi se espalhando.

IHQ.: Teve muita resistência no começo?
C.S.: Não. A idéia do coletivo fluiu quase que naturalmente, pois todos os quadrinistas independentes possuem problemas comum, e percebemos então que seria muito mais fácil enfrentar esses problema conjuntamente.

O que houve de fato no começo foi muita discussão para definirmos exatamente qual seriam as nossas metas e objetivos, e como faríamos para alcançá-las. Foram quase seis meses apenas discutindo no grupo antes de lançarmos o Quarto Mundo oficialmente no FIQ de 2007.

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IHQ.:  A distribuição sempre foi um dos grandes problemas no mercado independente, como vocês planejam contornar essa e outras dificuldades para o próximo ano?
C.S.: Inicialmente o Quarto Mundo possuía um sistema de trocas de revistas entre seus integrantes para pode solucionar esse problema da distribuição.

Funcionava da seguinte maneira. Eu por exemplo trocava minhas revistas com as revistas do Leonardo Melo pra ele vender lá em Curitiba, enquanto o Melo me enviava as dele pra eu vender aqui em Sampa.

Como as trocas eram feitas por valores iguais, a grana do que ele vendia das minhas revistas em Curitiba ficavam pra ele, assim como o que vendia das revistas dele aqui em Sampa ficavam pra mim.

Mas conforme o Quarto Mundo foi crescendo e mais integrantes foram se juntando ao coletivo, esse sistema de trocas acabou se tornando limitado a nossa expanção. Então a partir do segundo semestre de 2008 começamos a adotar um sistema de dstribuição mais parecido com a de distribuidoras oficiais e baseado em consignação.

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Sendo assim, agora no Quarto Mundo temos integrantes que fazem o papel de distribuidores locais em cada cidade, recebendo as revistas dos distribuidores de outras cidades e repassando pros pontos de venda.

Desta forma, o controle do fluxo das revistas ficam centralizados e mais organizados. O quadrinistas também pode facilmente acompanhar como anda as vendas de suas revistas através de relatórios e planilhas que são disponibilizadas no grupo de e-mails. Assim, se um quadrinista percebe que sua revista está vendendo mais em uma cidade do que na outra, pode replanejar a sua distribuição, e enviar mais revistas para o ponto de venda que vende mais enquanto diminui a remessa de revistas para os pontos de venda que não possuem saída.

A meta para 2009 agora é fundamentar esse nosso sistema de distribuição e expandí-lo cada vez mais, para atingir o maior número de cidades, principalmente aquelas longe dos grande centros.

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IHQ.:  Ganhar o prêmio HQ MIX esse ano(2008) de contribuição aos quadrinhos deu um novo ânimo e aumentou a responsabilidade do coletivo?
C.S.: Sim. O premio foi um reconhecimento de nosso trabalho. Até então não sabíamos se estávamos de fato indo pelo caminho certo e esse reconhecimento através do HQMIx nos mostrou que o Quarto Mundo é de fato uma boa idéia e que devemos continuar trabalhando e nos esforçar cada vez mais para melhorar o coletivo.

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IHQ.:  O 4º Mundo está presente na maioria dos eventos de quadrinhos, o que garante uma exposição das atividades de vocês, esse gás ou esse ânimo com certeza vem do amor pelas HQs, mas esse entusiasmo alguma vez já foi abalado?
C.S.: Sim, diversas vezes. Eu mesmo já pensei em desistir várias vezes quando chega aqueles momentos em que você fica estressado pelo excesso de trabalho. Ai você fica se perguntando se todo esse esforço vale realmente a pena e se não seria mais negócio você simplesmente desencanar de tudo e ir beber com seus amigos.

Mas então eu lembro porque o Quarto Mundo existe, e porque eu estou fazendo isso, e vejo a boa repercussão que o coletivo está causando, então com isso meus ânimos são renovados. =)

IHQ.:  O coletivo pretende fazer algum evento próprio?
C.S.: No momento não. Organizar eventos é muito trabalhoso e necessita de muito tempo e dinheiro, então no momento é mais proveitoso para gente apenas colaborar com os eventos que já existem, agregando mais valor a eles, como é o caso da FestComix ou da Maratona HQ.

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IHQ.:  O que mudou no mercado depois do surgimento do 4º Mundo?
C.S.: A mudanças ainda são tímidas, mas já estão acontecendo. A mais visível delas é o aumento da produção de quadrinhos brasileiros de forma independente, seja impressa, ou online pela Internet.

Só o Quarto Mundo publicou uma média de cinco títulos por mês em 2008. Parece pouco, mas é muito mais do que tínhamos em 2007. A qualidade das publicações também vem aumentando, o que é natural, já que a produção contínua leva ao aperfeiçoamento dos quadrinistas.

As editoras também voltaram a apostar em quadrinhos nacionais, e acredito que isso se deva muito ao novo cenário de publicações independentes. Não por acaso, alguns dos álbuns publicados no ano passado por editoras foram de quadrinistas independentes, como o Fabio Lyra e sua Menina Infinito, o Pablo Mayer e o Diogo Cesar com o álbum A Casa ao Lado, e o Circo de Lucca do Jozz, pra citarmos alguns exemplos.

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IHQ.:  O coletivo pretende fazer frente às grandes editoras?
C.S.: De modo algum. O Quarto Mundo não pretende fazer frente nem as grandes e nem a pequenas editoras. O Quarto Mundo não veio para substituir as editoras, mas apenas para ser uma alternativa. E na verdade, a nossa grande alegria será quando o Quarto Mundo não mais precisar existir, pois isso significará que as editoras de quadrinhos estão de fato executando seu trabalho como editora.

Ou seja, significa que elas estão de fato editando quadrinhos, do roteiro a produção final, ao invés de apenas traduzir o material gringo (que ironicamente, muitas vezes é feito por brasileiros que foram trabalhar lá fora).

O Quarto Mundo só surgiu porque nenhuma editora até então se propôs a investir na criação de um mercado de quadrinhos nacional que forneça condições mínimas de trabalho para o quadrinistas, como ele encontra nos mercados gringos.

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Ao invés disso, as editoras em geral preferem a via mais fácil do lucro rápido e imediato, e apostam somente nos títulos já consagrados vindos de fora que não precisam de muito investimento pra vender (já que o investimento já foi feito lá fora pelas editoras que publicaram o material originalmente).

Só que a longo prazo esse tipo de política é um tiro no pé, pois fica refém dos mercados externos. Se tivéssemos um mercado interno com uma produção forte, as editoras nacionais poderiam dar as cartas. Talentos brasileiros para transformar isso em realidade nós temos, e já foram até reconhecidos lá fora.

Agora só falta as editoras os reconhecerem aqui dentro também e deixar de lado essa mentalidade de colônia.

Enquanto isso não acontece, cabe ao Quarto Mundo ir divulgando, distribuindo e vendendo a obra dessa galera que acredita ser possível construir um mercado de quadrinhos nacional.

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IHQ.: Algum projeto de ter uma loja própria para ser um ponto de distribuição fixo?
C.S.: Não. Para nós é muito mais vantajoso aproveitar a infraestrutura das lojas e pontos de venda que já existem. Sem falar que não teríamos no momento dinheiro pra montar uma loja só do Quarto Mundo.

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IHQ.: Quais as vantagens de ser integrante do 4º Mundo?
C.S.: A principal vantagem é que os quadrinistas que integram o 4mundo podem se aproveitar de toda uma infraestrutura de divulgação, distribuição e venda de seus quadrinhos que o coletivo proporciona.

Através do 4mundo o quadrinista consegue atingir muito mais leitores do que atingira sozinho.

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IHQ.: Para um quadrinhista participar do 4º Mundo o que ele deve fazer?
C.S.: O único prérequisito para fazer parte do 4mundo é ter uma publicação independente, ou participar ativamente de alguma.

Se você preenche esse requisito, então estará apto a preencher a ficha de inscrição que se encontra neste link.

Uma vez enviado a ficha de inscrição, ela será cuidadosamente analisada pelo Conselho Administrativo do 4mundo, e se for aprovado, o quadrinista em questão será chamado para integrar a nossa lista de discussão, e passará oficialmente a ser um membro do 4mundo.

Renato Lebeau4º Mundo,Cadu Simões,HQ Mix,Quadrinhos IndependentesO Impulso HQ começa o ano com uma nova entrevista realizada com Cadu Simões, um dos fundadores do 4º Mundo, que foi realizada na época comemorativa de 1 ano de existência do coletivo. Cadu Simões fala como surgiu a ideia de criar o grupo, sobre distribuição, como foi ganhar o...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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