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Por: Rod Gonzalez

Fanzineiro “das antigas” e colecionador de quadrinhos antigos, Antônio Luiz Ribeiro é articulista da revista Mundo dos Super-Heróis onde divide seus conhecimentos quadrinhísticos com os leitores da revista, seus textos sobre os super-heróis brasileiros são um grande registro e referência sobre a produção nacional de Quadrinhos.

Também é o responsável pela comunidade do orkut Mundo dos Super-Heróis Nostalgia que reúne os leitores da revista mais chegados em quadrinhos clássicos.

Antenado com a modernidade, Ribeiro tem postado seus textos na CQB – Central dos Quadrinhos Brasileiros.

Nesta entrevista ele comenta sobre o atual momento dos Quadrinhos na Internet, seus gostos pessoais, e, sem poupar palavras, expressa sua opinião sobre alguns personagens nacionais e a censura.

Entrevista:

Rod Gonzalez: Você  foi o pioneiro nos anos 1990 a fazer textos jornalísticos sobre Super-Heróis Brasileiros, no fanzine que era editado na época pelos filhos do Emir Ribeiro. Depois disso vários outros articulistas do meio das HQs fizeram também suas matérias sobre os heróis brasileiros, por exemplo, nas revistas General, Herói, Superclub e etc… Você se sente um pouco responsável por essa explosão (boom) de super-heróis brasileiros que está acontecendo atualmente?
Antônio Luiz Ribeiro:
Na verdade, puxando pela memória, o Franco de Rosa já fazia algo parecido na D’Arte, mas sem aquele esquema em capítulos dos “Os super-heróis brasileiros”. Aqueles meus textos surgiram numa época em que praticamente ninguém falava sobre super-heróis nacionais. Foi o Emir que topou publicá-los.

Na época a gente tomou a iniciativa de publicá-los também porque notamos que tinha muita gente do meio entendia do assunto, mas “represava” informações. Sabe como é, né? É a velha história: o camarada, o colecionador, o pesquisador, enfim, quer ser o fodão, só ele pode saber daquelas informações sobre determinado herói, ninguém mais pode.

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R.G: Você  imaginou que um dia a mania pelos super-heróis brasileiros atingiria tamanha proporção?
A.L.R.:
Não. Hoje em dia, graças a Deus, tem uma rapaziada por aí que vem fazendo um ótimo trabalho, como o Roberto Guedes, que escreveu um bom livro sobre o assunto.

R.G: Você  acha que essa é uma febre passageira de Internet, ou dessa vez os heróis nacionais vão emplacar de vez e chegar nas bancas?
A.L.R.:
É difícil dizer. Creio que são os super-heróis como um todo, e não apenas os brasileiros, que estão atravessando uma crise criativa.
Infelizmente ainda tem gente por aí insistindo naquele estilo narrativo da Image.

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R.G: Eu tenho esses zines dos filhos do Emir e também as edições dos fanzines Heróis Brasucas com textos seus, e em alguns deles eram acrescentados desenhos feitos por você com alguns super-heróis brasileiros. Eu particularmente gostei dos desenhos. Você não desenha mais?
A.L.R.:
Eu desenho mais como amador. Mas, quando jovem, quase ingressei no mercado. Mas acho que o destino quis que eu permanecesse apenas como fã.

R.G: Você  já produziu alguma HQ?
A.L.R.:
Negativo. Inclusive muita gente por aí  acha que eu e o desenhista da antiga Bloch, Antônio Ribeiro, somos a mesma pessoa, mas não.

R.G: Antônio, uma pergunta inevitável, você já criou seu próprio super-herói?
A.L.R.:
Olha, acho que todo fã de HQ já criou, em algum momento da vida, seu próprio herói um dia. Na minha adolescência criei alguns, mas não lembro e também não guardei.

R.G: Nas suas participações da Internet você é muito autêntico, e não  é difícil acontecer alguma discussão virtual decorrente de mensagens e postagens suas. Já teve algum problema pessoal por causa de suas opiniões?
A.L.R.:
Geralmente tem alguns “orkuteiros” que ficam putos com minhas opiniões, mas é a tal história, né? Todo mundo é macho atrás de um computador. Mas quando me vêem cara a cara disfarçam e saem à francesa…

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R.G: Você  é um dos maiores conhecedores de super-heróis brasileiros antigos. Por que eles não deram certo quando foram lançados?
A.L.R.:
São vários os fatores. Tivemos uma boa chance no início dos anos 1980, com os heróis da Grafipar, que inclusive queria trazer alguns antigos de volta, mas os planos econômicos da época puseram tudo a perder. Sem contar que as editoras brasileiras que publicaram o gênero eram mal administradas pra cacete.

R.G: Qual a sua opinião sobre os atuais super-heróis brasileiros que estão se tornando conhecidos pela Internet?
A.L.R.:
Dos atuais não conheço todos, mas gosto do Gralha, se é que se pode chamar um herói atual, afinal ele já tem um histórico… O Quebra-Queixo eu não gosto, acho que o autor tem condições de fazer um troço melhor.

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R.G: O que o autor brasileiro de quadrinhos desse tipo precisa pra melhorar seus trabalhos?
A.L.R.:
Se você está se referindo ao autor iniciante, creio que o importante, além da perseverança, é sempre estar em contato com profissionais mais velhos e experientes. Eles ensinam mais do que qualquer cursinho. Freqüentar gibiterias onde circulam os caras mais velhos, por exemplo, é uma boa. Em longo prazo, começar a se organizar
para publicar no estrangeiro, que paga melhor e dão mais reconhecimento.

R.G: Você  também é conhecido por ser um atuante editor de fanzines. Fale um pouco sobre sua produção independentes.
A.L.R.:
Durante uma época pré-internet, fiz o “Formulário Contínuo”, que o
pessoal gostou. Durou uns 15 números em formatão, mas como dizia outro fanzineiro, o falecido Márcio Costa, tudo tem um fim. Hoje procuro divulgar meus arquivos sobre HQ na rede.

R.G: A Internet matou o fanzine?
A.L.R.:
Acho a palavra “matou” um pouco forte, eu diria que a Internet facilitou para o pessoal que não tinha “know-how” para fazer um fanzine impresso. Acho que é mais uma transição. Algo como o que aconteceu com os Pulps, que se transformaram em gibis, a grosso modo falando.

R.G: Como você  vê o alcance das informações que você  sempre transmitiu com seus textos: era maior antes, nos fanzines, ou agora, com o advento internet?
A.L.R.:
O espaço na Internet é infinito, portanto agora o fanzineiro pode botar muito mais coisas, sem dúvida.

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R.G: Você  é um dos articulistas da revista Mundo dos Super-Heróis. Como surgiu a oportunidade de você trabalhar na revista?
A.L.R.:
Parece que o editor, o Manoel, leu alguns textos meus no Orkut e gostou. Daí me convidou para participar. Após publicar meu texto, fui aprovado pela editora Europa.

R.G: Pra encerrar uma pergunta bem abstrata, mas pode responder da mesma maneira que quiser, qual o futuro da HQ Nacional?
A.L.R.:
Agora você me pegou. Atualmente, em relação a revistas impressas nacionais, estou meio pessimista. Acho que com esse governo que aí está muito “chavizta” pro meu gosto. Tão doidinhos pra botar censura, disfarçada de politicamente correto.

Até o Mauricio de Sousa teve que incluir personagens “bem pensantes” na Turma da Mônica, para fugir do patrulhamento. Agora os “gayzistas” querem que ele inclua um personagem gay, só pra tu teres uma idéia. Não vem coisa boa por aí, não.

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A fofoca foi mais ou menos assim: publicou-se uma HQ onde o Cebolinha debocha de outro garoto e o chama de “mariquinhas” (ops!”Maliquinha”), ou algo do tipo. Num instante, como se obedecessem a um comando central, vários “gayzistas” foram à mídia (ou não foram, já estavam lá de plantão) e protestaram contra a tal cena, fizeram o maior “show”, bateram os pezinhos e chamaram o Mauricio de “homofóbico” e outras babaquices.

Teve uns “nazistinhas” do politicamente correto que chegaram a sugerir que o Mauricio criasse um personagem gay para “se retratar”… Dá vontade de pegar uma escopeta e descarregar nesses “gaystapos”…

R.G: Antônio, muito obrigado pela entrevista. Um grande abraço e continue com seus textos.
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O Impulso HQ agradece mais uma vez a Rod Gonzalez por sua gentileza em enviar a entrevista e permitir que ela seja publicada.

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