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Lançado recentemente pela Editora Conrad, “Os Brasileiros”, do historiador e antropólogo paulista André Toral, já pode ser considerado um dos grandes lançamentos de 2009, e o Impulso HQ bateu um papo via e-mail com o autor para saber mais sobre a obra e o seu processo de criação.

Para quem não sabe, André Toral é autor de HQs desde 1986, venceu dois prêmios HQ Mix de melhor roteirista nacional com as graphic novels “O Negócio do Sertão”(1992) e “Adeus, Chamigo Brasileiro – Uma História da Guerra do Paraguai”(1999).

Durante a entrevista ele fala sobre como começou a sua relação com as HQs e suas influências, quais as dificuldades de se produzir um álbum que narra o choque entre civilizações, seu processo de criação, o que ele acha sobre as adaptações de literatura para quadrinhos e quais são os seus próximos projetos.

O Impulso HQ agradece a André Toral pelo seu tempo e colaboração em ter respondido as perguntas.

A seguir fiquem com a entrevista:
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Impulso HQ: Como começou sua relação com as HQs e quais são as suas influências?
André Toral:
Acho que aprendi a ler quadrinhos antes de aprender a ler formalmente. acho que por isso tinha raiva de letras, de imagens com letras. No início minha vida era hergé e karl barks. ou seja gente que desenhava apoiada em documentação visual.
Impulso HQ: O seu objetivo com o álbum Os Brasileiros foi unir a antropologia e os quadrinhos?
André Toral:
Não. Quadrinhos é fantasia, imaginação. Mesmo sendo baseado em fatos reais é tudo mentira, criação subjetiva. Antropologia é ciencia academica ou compromisso com a política no caso do indigenismo, que é o trabalho prátioco com populaç~ioes indígenas. Outro departamento.Mais sério, mais real e menos divertido.

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Impulso HQ: Os Brasileiros se diferencia de outros lançamentos com personagens indígenas pelo fato de você como autor colocá-lo como protagonista da história e não coadjuvante, mas ao mesmo tempo mostra uma civilização guiada pelo canibalismo e vingança. Não existiu um receio de criar uma imagem estereotipada dos índios?
André Toral:
Eles e a história de contato com os brancos criaram sua  imagem não eu. Não tenho tanto poder. Se meu trabalho contribuir para lançar novas luzes sobre sua história já seria bom.

Impulso HQ: Por que chamar a obra de “Os Brasileiros”? A maior parte da obra retrata o encontro de dois povos que até então não tinha esse conceito de nacionalidade.
André Toral:
É exatamente por isso. Para mostrar que “brasileiro” é uma condição em permanente movimento, difícil de ser capturada porque mutável. É essa variabilidade que a identidade de “brasileiro” assume ao longo da história que me atrai. Estudar a formação de um país por meio do destino dos seus habitantes nativos é o eixo do livro.

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Impulso HQ: Muito se fala sobre o que seria a imagem de um herói brasileiro para o quadrinho nacional. No bate papo que aconteceu no Espaço Cultural IBep você expôs toda uma trajetória de vivência com tribos indígenas como professor, processos com a FUNAI, historiador e etc. Depois de tantos anos e com certeza várias histórias reais, na sua opinião os índios podem  ser considerados essa imagem que tanto se procura?
André Toral:
Não há uma imagem. Existem muitas. A minha é apenas uma. Você (leitor) tem a sua noção do seja “índio”. É por seu valor simbólico que os índios são importantes. Não por sua importância fundiária, econômica ou populacional. Porque os grupos indígenas, menos de 1% da população brasileira, são tão evidentes?

Impulso HQ: Narrar em sete histórias choque de civilizações e culturas entre os colonos e os nativos do novo continente com certeza foi um grande desafio. Qual foi a parte mais difícil para você produzir esse álbum?
André Toral:
A produção gráfica com a editora. Aí você percebe que o seu trabalho não te pertence mais e se transforma em “a coisa”.

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Impulso HQ: É possível perceber técnicas diferentes na obra, uma variação do traço e a utilização de cores em determinadas histórias, por quê dessa mudança?
André Toral:
Passei do nanquim para o lápis. Do branco e preto pra cor. Minha mão ficou mais mole e desenho melhor que antes. Estou olhando melhor o que tenho que desenhar apesar de ver mal de perto. O que prova, mais uma vez, que desenhamos com o cérebro e não com a mão (Michelangelo estava certo).

05Página de HQ, publicada na Chiclette com Banana, faz parte de uma história que deverá ser publicada novamente ano que vem, informa Toral

Impulso HQ: Como você analisa o atual momento mercado quadrinhos brasileiros e essa tendência de se produzir obras adaptadas da literatura?
André Toral:
Bom, porque dá oportunidade para muita gente. Mas é preciso olho vivo: não é porque é “histórico” que é bom. Tem muita coisa burocrática.

Impulso HQ: Quais são os seus próximos projetos que envolvam HQs?
André Toral:
Estou fazendo umas histórias de guerra. Histórias novas e umas velhas da guerra do Pacífico. Adoro esse negócio de guerra (como tema de HQ, claro).

Renato LebeauquadrinhosAndré Toral,conrad,Os BrasileirosLançado recentemente pela Editora Conrad, “Os Brasileiros”, do historiador e antropólogo paulista André Toral, já pode ser considerado um dos grandes lançamentos de 2009, e o Impulso HQ bateu um papo via e-mail com o autor para saber mais sobre a obra e o seu processo de criação. Para quem...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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