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Quem está acompanhando os lançamentos nacionais, sabe que um dos mais recentes é o álbum 7 Vidas, do roteirista André Diniz.

Editado pela Conrad, a estória narra o retorno do autor a vidas passadas com o auxilio da terapia de regressão. O relato de Diniz faz o leitor viajar a diferentes épocas, culturas e lugares diversos, da Itália da Idade Média, Peru do século XIX, Brasil do século XXI.

A obra levou três anos para ficar pronta e conta com os desenhos de Antonio Eder, e várias passagens das sessões foram recontadas em tom documental, e recriadas em detalhes pela riqueza da linguagem dos quadrinhos.

O Impulso HQ conversou com André Diniz sobre o processo de transformar sua experiência da terapia em roteiro de HQ, as dificuldades e as decisões q ele teve que tomar para escrever um relato tão intimo sobre a sua vida, se pretende voltar a regressão para escrever um novo álbum, qual foi a reação dos leitores com o tema abordado, e se teve alguma influencia sobre religião na hora de escrever.

De quebra você ainda confere quais são os seus próximos projetos do roteirista.

Entrevista:

Impulso HQ: O álbum 7 vidas é um relato autobiográfico com experiências passadas e algumas não são muito agradáveis. Como foi o processo de passar a sua própria história para a narrativa de HQ?
André Diniz:
Foi uma coisa natural para mim, não tive qualquer tipo de conflito. Logo após as primeiras regressões, eu já tinha a idéia de contar essa experiência em quadrinhos, se resultasse de fato em algo interessante.

Mas nessa idéia inicial não entrava falar da minha vida, talvez só uma introdução. Só que as duas coisas se misturaram, não tinha como isolá-las. O curioso é que todos vêm me perguntando como tive coragem de me expor tanto. Só que, apesar de ser uma pessoa muito reservada, não me senti exposto em nenhum momento.

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IHQ: Em nenhum momento da obra você questiona a veracidade das regressões, mas depois do lançamento você já foi questionado sobre a veracidade do seu relato?
A.D.:
Não, acho que ninguém acredita que eu pudesse ser tão criativo assim!… Quanto a acreditar ou não se o que vi são de fato vidas passadas ou cenas formadas pelo meu inconsciente, deixo essa decisão a cada leitor.

Em nenhum momento afirmo nada além do fato de que vi tal coisa e tive essa ou aquela reação. Até porque, acho que isso é o principal. Se foram apenas cenas do meu inconsciente, por acaso perdeu o valor? Eu fui em busca de autoconhecimento, e foi isso que eu tive.

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IHQ: Em algum momento você ou a editora consideram em não publicar o álbum por causa de questões religiosas? O álbum sofreu alguma edição por causa disso?
A.D.:
Não, isso nem foi abordado. As regressões não foram, em nenhum momento, abordadas sob a ótica mística ou religiosa, dentro do que é possível quando o assunto são vidas passadas. Mas, como eu disse, apenas narro no livro o que vi: cabe ao leitor interpretar o que de fato é isso que vi.

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IHQ: Quando foi que você decidiu transformar 10 meses de terapia em narrativa gráfica e por quê?
A.D.:
Acreditei, de fato, que aquele seria um relato interessante, e esse foi o ponto de partida. Também ando em busca de assuntos que sejam interessantes por si só, independente de serem ou não contados em quadrinhos.

Estou produzindo até o ano que vem uma HQ contando sobre a biografia de um morador do Morro da Providência, um dos mais violentos e um dos mais ricos em história do Rio de Janeiro. São relatos riquíssimos sobre sua vida e a de seu pai, um dos primeiros traficantes cariocas, além da história da comunidade desde os anos 60.

Esse também é um tema que acredito que vá interessar a muitos leitores, independente de serem ou não fãs de HQs. A prova de que esse é um caminho rico veio agora: pouco mais de um mês depois de seu lançamento, o “7 Vidas” ganha uma reimpressão.

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IHQ: Você retornaria as regressões para escrever outro álbum?
A.D.:
Não, acho que já vi o que tinha que ver e já falei o que tinha pra falar sobre esse assunto. Mas nada impede que venha, daqui a alguns anos, um novo livro meu diferente desse, mas que tenha algum tipo de ligação.

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IHQ: Como está sendo o retorno do publico em geral com a publicação de 7 Vidas? Você se surpreendeu com algo?
A.D.:
As reações têm sido excelentes. Alguns tipos de comentário tem se repetido. Um é “comprei pra eu ler, mas a minha mulher (ou namorada, ou mãe), que nem lê quadrinhos, pegou pra ler e não larga mais, agora vou ter que esperar ela chegar ao fim…”.

Outro: “Nossa, como você se expôs!”. Também: “Me deu até vontade de fazer regressão também”. Mas o melhor até agora foi a do amigo Tiburcio, com quem não me encontro já há alguns anos: “A minha maior surpresa foi saber que você já está dirigindo!”. É, eu demorei, mas tomei vergonha na cara. Mas surpresa mesmo foi essa venda tão boa e tão rápida. Esgotar em um mês e meio não é pouca coisa.

IHQ: O álbum é de uma sensibilidade e intimidade muito grande. E fica a impressão que é totalmente proposital. Existiu algum momento em que você ficou com receio de escrever o roteiro?
A.D.:
Não, foi algo bem espontâneo. Eu me abri bem com o leitor, só não acho de fato que me expus.

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IHQ: Uma questão que não posso deixar passar. Durante toda a narrativa você demonstra uma relação direta entre a sua perna e os momentos chaves das suas vidas. A sua perna ainda dói?
A.D.:
Nas sessões, ela não doía exatamente, eu a sentia muito contraída, mas sem dor. O curioso é que comecei a sentir o meu joelho direito com uma certa intensidade agora, há poucos dias, exatamente no dia em que os livros chegaram impressos lá em casa! Juro que não é golpe de marketing, e talvez não seja tão sobrenatural assim.

Andei fazendo umas sessões de bicicleta ergométrica em casa, sem acompanhamento, provavelmente foi isso. Mas já torci uma vez essa perna e tive que andar de muletas um tempo, já quebrei os dedos dos pés direito também, e foram as únicas ocorrências do tipo.

Também parece que tenho uma perna mais curta que a outra, um professor me disse uma vez, mas não lembro qual é a menor e qual é a maior.

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IHQ: Quais são os planos para os próximos projetos em HQ?
A.D.:
Tenho dois álbuns prontos e estou concluindo um terceiro agora. O primeiro é a saga de três escravos fugitivos e um branco que buscam por um quilombo utópico, meio místico, que eles nem têm certeza se existe de fato ou não. Esse já tem editora, é pro começo do ano que vem.

Outro é a adaptação do poema de Castro Alves “A Cachoeira de Paulo Afonso”. Não tem contrato ainda, mas já tem editora interessada.

E o terceiro é sobre um jovem que vem ao Rio de Janeiro em 1904, às vésperas de estourar a Revolta da Vacina, para tentar trabalhar como ilustrador em algum jornal. Fora do Morro da Providência, que começo agora.

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