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Alexandre Nagado é redator, caricaturista, professor de desenho, quadrinhista e ilustrador. Já escreveu para as revistas Herói e Henshin e especiais para o Nippo-Jovem, foi o organizador e um dos autores do álbum Mangá Tropical, é o autor do livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera), resultado de suas pesquisas sobre mangá, desenhos e seriados japoneses.

Atualmente Alexandre Nagado produz ilustrações para agências e estúdios, desenhos para comunicação empresarial, story-boards, temas infantis e outros.

Durante a entrevista Nagado revela como começou no universo das HQs, seus quadrinhistas nacionais preferidos, fala sobre a experiência de ter sido editor da revista Master Comics, sua opinião sobre um possível plágio por parte da Turma da Mônica Jovem, com o personagem criado por ele, o Blue Fighter.

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Você ainda confere a opinião de Nagado sobre o atual momento do mercado de HQ nacional, a produção de quadrinhos de super-heróis no Brasil, se o mangá é uma opção viável para o quadrinho nacional e se no momento ele está com algum projeto em andamento.

Entrevista:

Rod Gonzalez: Qual seu primeiro contato com HQs na vida, ainda se lembra?
Alexandre Nagado:
Não. Mas com certeza foi algo da Turma da Mônica ou Disney. Fui alfabetizado aos 5 anos e gibis eram minhas leituras favoritas. Também lia muito Mortadelo & Salaminho, Gasparzinho, Luluzinha e Bolinha, Heróis da TV (fase Hanna-Barbera) e muitos outros. Depois, viriam os heróis Marvel e DC, Asterix e Tintim.

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R.G.: E logo começou a desenhar?
A.N.:
Eu já adorava desenhar desde antes de aprender a ler. A leitura me motivou a querer criar minhas próprias histórias.

R.G.: Como descobriu que podia se tornar profissional?
A.N.:
Eu sempre quis trabalhar com desenho. Aos 15 anos, fui estudar no estúdio-escola Núcleo de Arte, do professor Ismael dos Santos. Foi lá que direcionei esforços para me profissionalizar, desenhando um pouco de tudo. O Núcleo foi minha grande referência e até hoje sou colaborador.

R.G.: Quais seus autores nacionais favoritos?
A.N.:
Laerte, Spacca, Fernando Gonsalez, Cláudio de Oliveira (charge), Arthur Garcia… Nenhum deles influenciou ou influencia meu estilo, mas sem dúvida mostram uma excelência técnica em todos os sentidos que eu espero alcançar um dia. E gosto muito de ler o que produzem.

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R.G.: Qual seu primeiro trabalho publicado?
A.N.:
Foi um cartum para um jornal sindical, em novembro de 1988. Como quadrinhista, foi um roteiro para Flashman, que saiu na revista Jaspion n.1, pela Ed. Abril. Isso em novembro de 1990.

R.G.: Qual foi o primeiro personagem que você criou?
A.N.:
Pra ser publicado, foi o Blue Fighter, em 1995 na revista Master Comics.

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R.G.: Quais outros trabalhos seus poderia destacar?
A.N.:
Street Fighter foi o trabalho de HQ que mais me marcou, pois foram quase dois anos de produção. A história “O Demônio Caolho”, de Dan Hibiki e Sagat, é até hoje um dos meus trabalhos favoritos.

Começa como uma homenagem ao animê clássico “O Judoka” e termina como um manifesto contra a estupidez dos duelos mortais, apenas para se provar força. De um modo ingênuo, foi uma boa história.

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R.G.: Li a revista Master Comics, com Blue Fighter, Pulsar e Aton. Por que a revista acabou? Conte-nos a experiência de editar uma revista.
A.N.:
Acabou porque vendeu pouco. O último número, o terceiro, vendeu perto de 2000 exemplares, bem abaixo dos 8000 que precisava vender. O número 4 estava pronto e o 5 estava na metade. A Escala agiu corretamente e pagou tudo direitinho pra gente.

O engraçado é que hoje, se vendesse 2000, seria considerado um sucesso de vendas. Eu tinha 24 anos quando editei a Master Comics. Era bem jovem e idealista.

E tinha um orçamento para distribuir, coisa que eu procurava fazer com bastante justiça entre os colaboradores.

A execução do meu trabalho no quesito concepção visual e editorial deixou muito a desejar, porém fazer um mix de HQs seriadas e matérias sobre HQ era algo meio inovador na época.

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R.G.: Em Street Fighter você optou por descontinuar a série norte-americana quando assumiu a revista, que tinha sido continuada pelo Cassaro. Os fãs reclamaram ou aprovaram sua decisão?
A.N.:
Pra falar a verdade, não lembro bem se teve manifestações significativas sobre esse assunto. Como fizemos questão de explicar bem o que estávamos fazendo e o porquê, os leitores foram bastante compreensivos.

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R.G.: Um blog de pouca recomendação acusou a “Turma da Mônica Jovem” de plagiar um personagem seu, o Blue Fighter. Você chegou a ver essa acusação?
A.N.:
Ah, eu soube disso… Eu vi a ilustração que motivou o burburinho. Pura bobagem. O Blue Fighter eu sempre disse que era minha homenagem (e não plágio) a Kamen Rider e seriados japoneses em geral. O visual dele, apesar de não ter cara de inseto, entrega suas referências.

O Cassaro conhece esse mesmo universo muito bem e também fez algo derivado de Kamen Rider intencionalmente. A cor azul me parece que era por causa do Sansão, o coelhinho da Mônica, o que motivou as “orelhas” do capacete.

Agora, se fosse uma homenagem ao Blue Fighter eu ficaria honrado, mas duvido que tenha sido isso, apesar do Cassaro ser meu amigo.

R.G.: Você acompanha o momento atual do quadrinho nacional? Poderia comentar o que observa?
A.N.:
Acompanho meio de longe, como se eu não fizesse mais parte disso. Vejo coisas muito legais em algumas publicações independentes, mas me entristeço por ver que isso não forma mercado. O momento é bom do ponto de vista criativo, mas péssimo do ponto de vista profissional, como meio de ganhar a vida.

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R.G.: Acredita num futuro promissor pra HQ nacional?
A.N.:
Financeiramente promissor não. Ao menos não num futuro que eu possa ver neste plano físico. Se eu tiver netos, e algum deles quiser fazer HQ, espero que seja num mercado com melhores condições de sobrevivência. Publicar só por prazer tem um limite, que é o das contas pra pagar.

R.G.: O que acha da produção de quadrinhos de super-heróis no Brasil?
A.N.:
Em termos de super-heróis, a despeito da produção feita para o mercado estadunidense, não há uma produção profissional regular aqui. Vejo mais material independente, e muita coisa inconsistente.

A maioria – ou quase tudo – não me chama a atenção. Mas isso é mais questão de gosto pessoal. Tenho apreciado mais ler histórias de cotidiano, de gente comum. Mas ainda gosto de super-heróis, só não tenho acompanhado.

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R.G.: Você acha que o mangá é uma opção viável para o quadrinho nacional?
A.N.:
Como modismo, sim. Modismos sempre ajudam a impulsionar o mercado, mas sem qualidade, não vai sobreviver ao fim da moda.

O problema é que isso tem que ser feito com algum conhecimento sobre o que é e o que não é mangá, pra não gerar aberrações, deformações e picaretagens que eu prefiro não comentar.

R.G.: E no momento, algum projeto em vista?
A.N.:
Tem alguns sim, estou sempre agitando alguma ideia. Mas não gosto de divulgar até que esteja pronto pra sair. Tem projetos de HQ independente, comercial, institucional. E um livro, que acho que só sai no ano que vem (e se sair).
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Para saber mais sobre Alexandre Nagado acesse o seu blog Sushi Pop, clicando aqui.

O Impulso HQ agradece mais uma vez a Rod Gonzalez por sua gentileza em enviar a entrevista e permitir que ela seja publicada.

Renato LebeauquadrinhosAlexandre Nagado,Almanaque da Cultura Pop Japonesa,animê,Arthur Garcia,Aton,Blue Fighter,Cassaro,Cláudio de Oliveira,Fernando Gonsalez,Henshin,Herói,Kamen Rider,Laerte,mangá,Mangá Tropical,Master Comics,Nippo-Jovem,Pulsar,Spacca,Street Fighter,Turma da Mônica Jovem,Via LetteraAlexandre Nagado é redator, caricaturista, professor de desenho, quadrinhista e ilustrador. Já escreveu para as revistas Herói e Henshin e especiais para o Nippo-Jovem, foi o organizador e um dos autores do álbum Mangá Tropical, é o autor do livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera), resultado...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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