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O ilustre quadrinhista brasileiro Adão Iturrusgarai já na estrada há um tempo é conhecido dentro e fora do país. Vivendo atualmente na Argentina, produz tiras para o mercado de lá, enquanto isso, no Brasil, Adão está sendo assunto, ou melhor, a Aline.

Estreiou ontem na Rede Globo a série Aline, personagem criada pelo quadrinhista, protagonizada por Maria Flor (Aline), Pedro Neschling (Pedro) e Bernardo Marinho (Otto), vai ao ar às quintas-feiras, às 22h50 durante sete semanas. O piloto da série foi exibido em 2008, dentro da programação especial de final de ano da emissora. Bem recebida pelo público, Aline começou a ser gravada em maio de 2009.

Vamos saber o que o autor acha sobre a adaptação e ainda ficar sabendo mais sobre a personagem, como ela nasceu, alguns episódios polêmicos em sua trajetória e como é viver na Argentina e produzir para o Brasil.

Impulso HQ: Com a sua longa história dentro do mundo das HQs nacionais e internacionais, publicando em várias publicações ícones (Chiclete com Banana, Big Bang Bam, Bundas) e também atuando como editor (DunDum 1990), você não tem interesse em lançar sua própria publicação com uma linha editorial de quadrinhos definida pelos seus critérios?
Adão Iturrusgarai:
Olha, já tive minha própria revista. Da muito trabalho e pouco retorno financeiro, e hoje em dia esta complicado vender revista em banca. E eu publico uma tira diária, o que já da muito trabalho. Enfim, sobra pouco tempo. Ter uma revista própria seria me transformar em um escravo. Mas poderia ser divertido, sei lá…

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IHQ: Atualmente você é apontado como um dos mais importantes cartunistas brasileiros, tendo suas tiras um alcance de leitores muito alto com a veiculação em jornais como Folha de São Paulo e Jornal do Brasil. Até que ponto isso é determinante na hora de criar as tiras?
A.I.:
O fato de eu publicar na folha não influencia na minha criação. Obviamente que o retorno dos leitores da um tesão para criar. Um estímulo, entusiasmo, digamos…

IHQ: Você participa da “Fierro” e chegou a desenhar uma tira de “Macanudo”, de Liniers. Foi difícil entrar no mercado argentino? Quais as principais diferenças entre os mercados argentino e brasileiro de HQs?
A.I.:
Na Argentina se lê mais, tem uma tradição maior de quadrinhos. Mas também esta difícil pras revistas aqui. O país sofreu muito depois de sucessivas crises financeiras.

Os jornais são um pouco mais conservadores na Argentina em relação às tiras. Sexo, drogas são temas mais complicados para se publicar aqui em jornais grandes, mas na Fierro pode tudo.

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IHQ: O público argentino e o brasileiro têm o mesmo humor? É necessária uma adaptação do seu estilo para algum dos países?
A.I.:
Não, mas têm piadas minhas que não funcionam na Argentina. Tenho que escolher coisas mais universais.

IHQ: Como é morar na Argentina e produzir para o Brasil? Existiu alguma dificuldade no começo? E agora?
A.I.:
Isso não é nenhuma dificuldade. A Internet tornou possível isso. Tenho um numero de São Paulo que cai aqui no meu estúdio na Patagônia, ou seja, é quase como eu estivesse morando em São Paulo.

Da folha me ligam e cai aqui. As pessoas se surpreendem quando digo que estou em outro país. Sou meio nômade e as mudanças geográficas me estimulam.

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IHQ: Como é o seu processo de produção para criar as tiras diárias de Aline? Da onde surge à inspiração?
A.I.:
A inspiração vem de qualquer coisa. Às vezes você esta no banho, lavando a louça, caminhando, lendo algo… não tem uma regra. Rabiscar esboços também ajuda a formular idéias.

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IHQ: Como você vê o resultado da transformação de Aline para um especial para a TV e agora série?
A.I.:
eu achei o especial bem bacana. Obviamente que é um produto pra televisão e tem que ser mais limpo, mais pop. Acho que eles conseguiram um resultado bem legal.

No especial 95% das piadas foram tiradas das minhas tiras, agora o pessoal da redação vai ter que criar as suas próprias piadas, bom, por 3 anos, eles vão poder fazer o que quiser com a personagem, mas não vão poder interferir na minha Aline, a de papel.

IHQ: Existe ou existiu alguma participação sua no roteiro ou na escolha do elenco?
A.I.:
Quem fez o roteiro foi um amigo, o Mauro Wilson, eu forneci material pra ele escrever, adorei o resultado.

Acho que não mexi em nada. Na escolha do elenco, o Mauro Wilson me mandava as indicações, fotos dos pretendentes, etc., mas eles que escolheram.

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IHQ: De onde veio à inspiração para a criação da Aline, como ela nasceu?
A.I.:
Nasceu em 1993, em São Paulo, depois de uma ressaca. Não sei por que eu na época estava pensando em produzir um pacote de tiras pra apresentar pra Folha de São Paulo, e a ideia foi fazer um triangulo amoroso. Acabou funcionando parece.

IHQ: Em algum momento você achou que não seria possível adequar a linguagem das tiras para a TV? Você participou de todo esse processo?
A.I.:
Não. Minha única negociação com a Globo foi a questão contratual e a questão da grana, o resto ficou com eles.

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IHQ: Como você reagiu às mudanças da personagem na TV? Na sua visão, qual foi a maior mudança que Aline sofreu? Você ficou satisfeito com o resultado final?
A.I.:
Eu acho que ela poderia ter o cabelo um pouco mais vermelhinho, poderia usar mais o uniforme dela, mas isso foi impossível de negociar, no final das contas, achei mais legal deixar na mão deles essa parte, afinal, eu não sou estilista, e a roupa da Aline não influencia no que ela é.

IHQ: Não foi a primeira vez que Aline foi adaptada para a mídia televisiva. Em 2005, a Cartoon Network produziu cinco desenhos animados da personagem. O processo de adaptação para animação foi mais fácil?
A.I.:
Animação é mais fácil porque continua sendo um desenho. TV com atores. me parece bem mais complicado.

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IHQ: Uma das fases mais polêmicas de Aline foi quando a personagem começou a tomar LSD, o que gerou muitas reclamações de leitores. Depois de tanto tempo, por que fazer a personagem usar ácido? Houve outros episódios controversos? Existe alguma possibilidade dessa fase ser reproduzida na série de TV?
A.I.:
Sim, já tive alguns probleminhas com a Aline, mas nenhum tão serio como esse do acido. Na época eu era um jovem irresponsável (rsrs). Acho difícil a Globo bancar essa do LSD, a globo não pode colocar no ar isso.

IHQ: Você se arrepende ou mudaria alguma coisa na trajetória da Aline?
A.I.:
Eu mudaria os desenhos, acho os uma merda. Gosto muito das piadas, mas o desenho a pincel e redondinho acho bem precário, gosto do desenho mais solto, de hoje.

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IHQ: Ao longo dos anos, o que mais mudou no seu no seu trabalho? Quais são os seus planos para o futuro?
A.I.:
Mudei personagens, mudei desenhos, mudei titulo de tira, estou sempre tentando buscar novos caminhos. Bom, meus planos agora são criar meus dois filhos e isso já esta de bom tamanho.

Iuri MartinsquadrinhosAdão Iturrusgarai,Aline,Bernardo Marinho,Big Bang Bam,Bundas,chiclete com banana,DunDum,Fierro,Folha de São Paulo,histórias em quadrinhos,Jornal do Brasil,Liniers,Macanudo,Maria Flor,Otto,Pedro Neschling,Rede Globo,tirasO ilustre quadrinhista brasileiro Adão Iturrusgarai já na estrada há um tempo é conhecido dentro e fora do país. Vivendo atualmente na Argentina, produz tiras para o mercado de lá, enquanto isso, no Brasil, Adão está sendo assunto, ou melhor, a Aline. Estreiou ontem na Rede Globo a série Aline,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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