Dredd – A justiça levada a sério sem olhar a quem

A convite de Paris Filmes, o Impulso HQ esteve na cabine de imprensa do filme Dredd 3D que estreiou no circuito nacional na última sexta-feira, dia 21 de setembro, e conta no elenco com os nomes não muito conhecidos do grande público como Karl Urban, Olivia Thirlby, Lena Headey e Wood Harris, com direção de Pete Travis e roteiro de Alex Garland.

Dredd é um personagem criado por John Wagner e Carlos Ezquerra, em 1977 para a 2000AD, revista em quadrinhos britânica, e suas histórias contam sobre um homem da lei obstinado que vive num futuro distante. Em seu auge, a revista vendia 100 mil cópias semanais e Dredd virou um ícone com a sua característica de ser policial, juiz, júri e executor, fazendo inúmeros fãs que ficaram fascinados com as suas aventuras recheadas de violência sombria, visceral e irônica.

O personagem dá as caras na telona pela segunda vez, a sua primeira versão foi em 1995 com Sylvester Stallone no papel principal e Rob Schneider como personagem de apoio. Não dá para dizer que a sua estreia no cinema foi um sucesso e talvez foi até facilmente esquecida, e por isso ficava a dúvida: com essa onda de remakes, a nova versão de Dredd conseguiria superar a sua antecessora mesmo sem o Stallone como “a lei”?

Pela proposta inicial, com certeza, sim. A versão do diretor Pete Travis não teve receio de colocar a violência e sangue na trama e fica evidente que a sua intenção foi seguir exatamente o que o universo dos quadrinhos segue, ou seja, ele não teve medo de mostrar que os inocentes no fogo cruzado são descartáveis e suas mortes são consequência de uma cidade em ruínas tomada pelo caos.

O filme acerta o tom. Sem piadas e o personagem é levado a sério. Karl Urban que interpreta Dredd em nenhum momento tem o seu rosto revelado, deixando ainda mais a sensação de que o personagem sempre está em alerta e pronto para executar a lei.

A trama não tem muitos mistérios ou amarrações, e vai direto ao ponto. Depois de sermos apresentados a Dredd na cena inicial, conhecemos Cassandra Anderson (Olivia Thirlby), que apesar de fracassar nos testes para ser uma juíza, é a vidente mais ponderosa que já passou pela academia. Sua segunda chance para entrar na corporação é ser avaliada pelo juiz de rua mais temido e casca grossa de todos. A partir daí ela será chamada de “novata” até o final do filme.

Após investigarem um caso de homicídio duplo no mega complexo Peach Trees, Dredd e a novata ficam presos e têm que usar toda a sua habilidade e violência para sobreviver e ainda conseguir sair com o acusado dos crimes. Roteiro simples e eficiente.

O filme esbarra em dois pontos e talvez não agrade, principalmente, aqueles que não conhecem o personagem. Primeiro, o próprio juiz Dredd, que segue a risca o personagem dos quadrinhos, ou seja, frio, sem emoção, violento e totalmente distante, logo, é difícil se apegar e torcer por ele, o que faz todas as atenções se virar para Anderson, que no decorrer da trama passa por várias situações c conflitos.

Outro ponto que pode causar estranheza nos mais desavisados é a questão da “justiça fria e sem emoção”. Dredd não tem compaixão e não é maleável. O diretor coloca isso muito bem explorando situações onde “a lei é a lei” e não importa para quem ou qual é o contexto. Quem está acostumado com o mocinho típico, com certeza não vai gostar dos “julgamentos” de Dredd.

O filme supera e muito o seu antecessor. As sequencias de ação (com exceção da perseguição inicial) são bem convincentes e os efeitos especiais são bons. Pete Travis soube usar o slow motion para impactar em algumas cenas e ainda colocou um propósito para o efeito que se encaixa perfeitamente com a história.

Dredd não é um filme que faz você ficar grudado na cadeira esperando o próximo minuto, mas consegue empolgar em certas cenas e o principal, em momento algum ofende a inteligência de quem assiste, aliás, nessa questão o filme merece ser aplaudido. Apesar de se passar em um futuro, o que dá inúmeras possibilidades fantásticas para se arrumar uma solução estapafúrdia, o roteiro se mantém no eixo e explora situações bem realistas, inclusive a corrupção daqueles que deveriam ser o exemplo máximo da aplicação da lei.

Temos uma vilã insana, Ma-Ma ( Lena Headey), que com muita agressividade domina as armas e drogas em um complexo habitacional, crimes sendo cometidos sem punição e o medo da população local que está a mercê de um contexto violento. Bem real e próximo aos tempos de hoje não?

O grande trunfo de Dredd é que ele surpreende aqueles que não esperavam muita coisa, e traz um filme de ação que garante o entretenimento repeitando o personagem. E o melhor de tudo? Nos créditos não aparece o nome Rob Schneider!

Vale a pena conferir!

Trailer:

Dredd 3D
Direção: Pete Travis
Roteiro: Alex Garland
Elenco: Karl Urban, Olivia Thirlby, Lena Headey, Wood Harris, Domhnall Gleeson e Langley Kirkwood
Duração: 95 min.
Ano: 2012
País: EUA

Renato LebeauquadrinhosAlex Garland,Domhnall Gleeson,Dredd,Karl Urban,Langley Kirkwood,Lena Headey,Olivia Thirlby,Pete Travis,Wood HarrisDredd - A justiça levada a sério sem olhar a quem A convite de Paris Filmes, o Impulso HQ esteve na cabine de imprensa do filme Dredd 3D que estreiou no circuito nacional na última sexta-feira, dia 21 de setembro, e conta no elenco com os nomes não muito conhecidos...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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