O Dia do Quadrinho Nacional é celebrado em 30 de janeiro desde 1984. A data foi escolhida porque marca a publicação da obra “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, considerada a primeira HQ brasileira, em 1869 pelo desenhista Angelo Agostini. E podemos celebrar a data com mais entusiasmo já que a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” aponta que de 13% a 29% dos leitores brasileiros, de diferentes faixas etárias, apreciam o gênero.

Conhecido como a 9ª arte, as HQs encantam crianças e adultos. Na 4º Edição da Pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, maior e mais completo estudo sobre o comportamento leitor do brasileiro, o gênero foi escolhido como preferido por 13% dos entrevistados. Essa porcentagem sobe para 29% na faixa etária de 5 a 10 anos e se mantém alta dos 11 aos 13 anos, representando 21% de jovens que apreciam as revistas em quadrinhos e, ainda, ajudam os leitores a se aproximarem de outros tipos de literatura.

O escritor Pedro Bandeira, patrono do Prêmio Retratos da Leitura, promovido pelo Instituto Pró-Livro, relembra como a leitura de quadrinhos o influenciou na sua carreira. “Para mim esta é uma data nostálgica, daquelas que nos levam a recordar as delícias da infância. Isso porque posso dizer que sou um produto dos quadrinhos. Desde muito pequeno, antes de aprender a decifrar as formiguinhas pretas que eram contidas nos balõezinhos de fala, folheávamos as revistas admirando os desenhos e inventando nossos próprios enredos. Acho que aí eu comecei a treinar minha futura carreira de escritor…”, recorda.

Assim como a Pesquisa Retratos da Leitura apresenta, Pedro concorda que a leitura de gibis faz parte da sua formação leitora, “me formei leitor a partir do momento que tive acesso às histórias em quadrinhos, e, daí, fui me apaixonando pelas aventuras”. O escritor ainda completa, “os quadrinhos criaram o prazer de ler, criaram leitores e podem voltar a prestar esses serviços à nossa cultura”.

A 5º Edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil do Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural será lançada ainda no primeiro semestre de 2020.

Quem reforça esse movimento de crescimento dos leitores de quadrinho nacional é a empresa Kindle que afirma que o gênero cresce cada vez mais dentro da leitura digital e na publicação independente. Atualmente, a Loja Kindle tem mais de 1400 quadrinhos em formato digital. Só no Brasil, são mais de 50 autores e 90 obras, entre eles Cinco mil anos: E (quase) todas as tiras de Caco Galhardo, Dois Irmão de Fábio Moon e Gabriel Bá, baseado no livro de Milton Hatoum e Toda Rê Bordosa de Angeli.

Uma obra que é considerada um dos experimentos mais ousados da história do quadrinho brasileiro e que no eBook é ampliada com histórias e ilustrações inéditas, é Baiacu, um projeto da Laerte e de Angeli, dois grandes nomes do quadrinho nacional. A antologia reúne dez grandes artistas brasileiros e é produto de uma residência artística ministrada pelos dois lendários quadrinistas.

O gênero dos quadrinhos também tem opção para quem produz suas obras de forma independente no mundo digital. A obra de artistas brasileiros Amor em quadrinhos, livro que traz 15 poemas da jornalista e poeta Glácia Marillac quadrinizados por nomes como Vitor Cafaggi e Talles Rodrigues, foi autopublicada por meio do Kindle Direct Publishing (KDP), ferramenta gratuita de autopublicação da Amazon, e está disponível gratuitamente para assinantes do Kindle Unlimited, que fornece um catálogo selecionado de um milhão de obras por apenas R﹩19,90 ao mês.

O quadrinista Luciano Freitas também achou seu espaço no Kindle Direct Publishing e levou suas obras que já faziam sucesso na internet para a ferramenta de publicação independente da Amazon. O verão da Lena já ganhou a continuação Mundo da Lena, Bahia e Parafina, que contam a história da jovem indecisa Lena, sua jornada para o mundo adulto e os desafios da maturidade.

De olho na data, o mercado também começa a entender a importância do quadrinho nacional para as vendas. É o caso da Disal que selecionou algumas obras clássicas em celebração ao Dia do Quadrinho Nacional. Além de preços atrativos, a seleção homenageia grandes autores brasileiros e adaptações literárias para o formato dos quadrinhos.

Jubiabá”, de Jorge Amado, é um romance escrito entre 1934 e 1935, tendo como protagonista Antônio Baduíno, um menino pobre nascido no morro do Capa-Negro, em Salvador. A obra ganhou sua versão em quadrinhos pelas mãos do ilustrador João Spacca, um dos maiores artistas dos quadrinhos nacionais. Para contar essas aventuras, o cartunista usa todo o seu poder de síntese: tanto as imagens como o texto são altamente informativos. Além de estudar profundamente o romance, o cartunista se baseou num extenso material sobre a Salvador de antigamente, com auxílio de livros de arte, de fotos, mapas e também outras obras de Jorge Amado.

Criando um quebra-cabeça que exige a participação ativa da inteligência do leitor, a obra de Lourenço Mutarelli “Quando Meu Pai se Encontrou Com o ET Fazia Um Dia Quente”, conta a história de um aposentado da companhia telefônica que acabara de perder a esposa. Um dia, quando sai para pescar com o irmão, o passeio familiar aos poucos é tomado por uma série de acontecimentos estranhos e inusitados, que começa com o desaparecimento do próprio viúvo. 

A famosa obra de Mario de Andrade, também ganhou sua versão em quadrinho pelas mãos de Angelo Abu e Dan X, “Macunaíma em Quadrinhos” conta com a riqueza de cores e imagens, em que a história é apresentada de maneira vigorosa, contando mais sobre o personagem singular, a quem falta caráter, mas sobra carisma e preguiça.

Macunaíma nasce índio, se transforma em um belo e loiro príncipe, encontra seres fantásticos da Floresta Amazônica, enfrenta armadilhas, perigos e viaja à cidade grande com seus irmãos em busca de mais confusões e enrascadas. Uma história que se traduz com perfeição aos quadrinhos, em uma versão que se mostra tão divertida e irreverente quanto a história original.

Inspirado no clássico de Euclides da Cunha, “Os Sertões” é uma das obras mais contundentes da nossa literatura. Nela, o autor expõe a violenta repressão sofrida pelos seguidores de Antônio Conselheiro, ao mesmo tempo que narra a nossa nacionalidade em formação.

Neste romance gráfico, livremente inspirado no clássico brasileiro incontornável, somos lançados para dentro da luta, para o coração do confronto entre um movimento messiânico sertanejo e as Forças Armadas do país. Através da tensão dramática do roteiro de Carlos Ferreira, e dos traços sombrios e torturados do desenho de Rodrigo Rosa, em “Os sertões – A Luta”, a história ganha uma visão singular e poderosa. 

Mauricio de Sousa é um dos autores responsáveis pela difusão das histórias em quadrinhos no país. Criador das histórias da “Turma da Mônica”, que é traduzida em 14 idiomas e para mais de 40 países. Na obra “Lendas Brasileiras”, o autor reúne a rica cultura do Brasil em histórias fantásticas, em que todos os personagens são representados pelos próprios personagens da “Turma da Mônica”.

#dêQuadrinhosDePresente
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