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Baseado no legendário curso de Will Eisner na Escola de Artes Visuais de Nova York, este guia inspirou gerações de artistas, estudantes e fãs. Narrativas Gráficas ensina ao leitor como ter controle sobre uma história usando com eficiência uma grande gama de técnicas.

Usando exemplos de mestres como Harold Foster, Robert Crumb, Art Spiegelman, Milton Caniff, Al Capp, e George Herriman, este livro destila a arte da narrativa gráfica dividindo-a em princípios que todo artista, roteirista ou produtor de cinema deveria conhecer.

Em Narrativas Gráficas (formato 21 x 28 cm, 168 páginas), o mestre Will Eisner ensina o que é uma história e como contá-la. Ele usa as técnicas de histórias em quadrinhos para mostrar quais são os elementos que tornam uma história interessante.

Trata-se de um livro didático, no qual o autor explica o que é uma “narrativa gráfica” por meio de histórias em quadrinhos, transformando o aprendizado numa coisa divertida e fácil de se entender.

Além das histórias escritas e desenhadas pelo próprio Eisner para explicar as partes teóricas, o leitor encontra também exemplos de quadrinhos de outros autores famosos.

Confira a apresentação de Eisner para o livro:

Essencialmente, as histórias em quadrinhos são um meio visual composto de imagens. Apesar das palavras serem componentes vitais, a maior dependência para descrição e narração está em imagens entendidas universalmente, moldadas com a intenção de imitar ou exagerar a realidade.

Ainda assim, a história continua sendo o componente crítico de uma revista em quadrinhos. Não é somente a estrutura intelectual na qual se baseia toda a arte. Ela é mais do que qualquer outro elemento, é aquilo que faz o trabalho perdurar. Este é um grandioso desafio para um meio que sempre foi considerado coisa de criança. A tarefa é trazer à tona a reação do leitor através das imagens.

Em Narrativas Gráficas, a preocupação está na compreensão básica da narração através de desenhos. Este livro irá examinar a narrativa e pesquisar os fundamentos de sua aplicação no meio das histórias em quadrinhos.
Dirigido principalmente a quem tem interesse em estudar e trabalhar com HQs, esta obra é um verdadeiro tratado sobre quadrinhos, além de uma poderosa ferramenta para a área de comunicação em geral.

O ponto alto do livro de Eisner é mostrar que as ilustrações são justamente uma ferramenta e não o coração de uma história: conhecido como ”o mestre da narrativa”, o autor explica a importância de um bom texto, com seqüências adequadas, aliado a uma boa composição e, sim, desenhos úteis e belos, utilizados para incrementar a produção, e não colocá-la em segundo plano.

Darick Robertson, co-criador e artista da série Transmetropolitan dá uma boa idéia do conteúdo do livro com sua opinião:
Pelo fato de ser um artista veterano no mundo dos quadrinhos, me pedem muitas vezes recomendações de livros para artistas que desejam se transformar em profissionais.

Nestes casos eu sempre recomendo entusiasticamente qualquer um dos livros teóricos de Will Eisner sobre o assunto (Narrativas Gráficas, Comics e Arte Seqüencial) por serem uma leitura essencial para qualquer um que queira realmente se dedicar a essa carreira.
Desde o primeiro trabalho de sua carreira, Will Eisner foi sempre um inovador, tanto em termos de texto quanto de arte. Seus livros teóricos demonstram sua genialidade num método divertido e fácil de seguir que, se colocado em prática revelarão técnicas que tornarão seu trabalho verdadeiramente profissional.

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Narrativas Gráficas teve sua segunda edição lançada no Brasil pela Devir Livraria na semana passada.

Will Eisner nasceu na cidade de Nova York, no dia 6 de Maio de 1917. Ingressou no mercado de quadrinhos em 1936, após cursar a New York Art Students League. Seu primeiro trabalho na área de quadrinhos foi publicado em 1936 na revista Wow.

Com seu sócio, S. M. Iger, fundou um estúdio que produzia revistas para várias editoras. Entre os artistas que trabalhavam no estúdio destacam-se Bob Kane, Dick Briefer, Mort Meskin, Bob Powell e Lou Fine. Além de produzir quadrinhos em massa, Eisner fazia experiências com trabalhos que poderiam ser tanto tiras quanto histórias em quadrinhos.

Um dos clientes do estúdio pediu que eles produzissem material para uma revista estrangeira semanal chamada Wags. Entre os trabalhos produzidos originalmente para esta revista encontram-se Hawks of the Sea, criado e desenhado por Will Eisner, Sheena, a Rainha das Selvas, criada por Eisner e Iger e desenhada por Meskin e Peter Pupp, um trabalho de Bob Kane. Esses trabalhos acabaram sendo publicados nos Estados Unidos e acabaram sendo a base da revista Jumbo Comics.

Nesta época muito fértil para os quadrinhos, Eisner criaria vários heróis, como O Gavião dos Mares, Tio Sam, Sr. Místico e K-5. Seu personagem mais conhecido, contudo, surgiria em 1940, numa revista distribuída aos Domingos junto com vários jornais.

Era Spirit, um mascarado que não tinha superpoderes, mas combatia o crime apenas com os punhos e a inteligência. Na revista, que duraria até 1952, Eisner usava uma técnica singular que apresentava iluminação e enquadramentos inspirados no expressionismo alemão.
Apesar do clima a primeira vista um tanto sombrio que as histórias traziam, todas eram recheadas com o mais fino humor e ironia, o que contribuiu para que The Spirit fosse considerada uma das séries em quadrinhos mais importantes de todos os tempos.

Eisner foi fundador da American Visual Corporation, que produziria quadrinhos educacionais entre os anos 50 e 70. Em 1978, ele publicou Um Contrato Com Deus, com o qual foi inventada a expressão graphic novel. Entre as honras que recebeu, está a criação de um troféu com o seu nome, que premia anualmente os profissionais que mais se destacaram no mundo dos quadrinhos.

Embora as aventuras do Spirit ainda fossem republicadas no mundo todo, Will Eisner passou a se dedicar apenas a graphic novels com temas mais realistas, como No Coração da Tempestade, O Último Dia no Vietnã e, mais recentemente, O Nome do Jogo. Além das suas premiadas graphic novels, ele também é o autor do importante estudo Quadrinhos e Arte Seqüencial.

Considerado o artista mais importante dos quadrinhos e da cultura pop do século XX, Eisner faleceu no dia 3 de janeiro de 2005, aos 87 anos de idade, após complicações pós-operatórias do implante de quatro pontes de safena feito em 22 de Dezembro de 2004.

Não houve nenhum funeral a pedido do próprio Eisner, pois, segundo sua esposa Ann, ele os detestava. Ele foi enterrado ao lado de sua filha, falecida em 1969, vítima de câncer.

Sua morte deixou órfã toda uma legião infindável de leitores e admiradores de sua obra magnífica que influenciou gerações no mundo todo, pois foi graças à sua genialidade e ao seu talento que as histórias em quadrinhos passaram a ser reconhecidas como uma forma de arte num termo que ele próprio cunhou: Arte Seqüencial.

Renato LebeauquadrinhosDevir,Narrativas Gráficas,Will EisnerBaseado no legendário curso de Will Eisner na Escola de Artes Visuais de Nova York, este guia inspirou gerações de artistas, estudantes e fãs. Narrativas Gráficas ensina ao leitor como ter controle sobre uma história usando com eficiência uma grande gama de técnicas. Usando exemplos de mestres como Harold Foster,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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