cronicas_birmanesas

Visto no Universo Fantástico

Desenhista canadense define suas histórias em quadrinhos como cartões-postais que enviaria à mãe.

Onde fica Mianmar? Por que alguns países ainda o chamam por seu antigo nome, Birmânia? Que idioma falam lá? O que aconteceu com Aung San Suu Kyi, principal nome da oposição que governa o país e que ganhou o Nobel da Paz em 1991, talvez a mais famosa cidadã de Mianmar? E, principalmente, como é a vida lá?

As respostas para as perguntas acima estão no livro “Crônicas Birmanesas” (Zarabatana, 272 págs.), do quadrinista canadense Guy Delisle. Mas, mais do que as questões pontuais, o mais interessante é o retrato que Delisle faz dos birmaneses e de seus hábitos, pontuados com a curiosidade de um estrangeiro que se vê morando em um país de hábitos tão diferentes.

“Não sei como definir meus livros”, diz Delisle, que já aproveitou períodos morando em outros países para descrever a vida na Coreia do Norte (na HQ “Pyongyang”) e na China (”Shenzhen”, inédito no Brasil).

“Não é jornalismo em quadrinhos, pois não sou jornalista. Eu diria que são grandes cartões-postais que eu enviaria para a minha mãe, por exemplo.”

Grandes e detalhados cartões-postais: em “Crônicas Birmanesas”, o canadense aborda do hábito de mascar bétele (tipo de erva) a como os locais lidam com o calor intenso, passando pela onipresença militar e pelos hábitos dos monges do budismo teravada (uma das escolas dessa religião). Há humor ao relatar adversidades frequentes, como o lento acesso à internet e a falta de energia elétrica (o que significa ficar sem ar-condicionado).

O que levou Delisle a passar um ano em Mianmar foi o emprego de sua mulher, que trabalha no Médico sem Fronteiras -razão, aliás, que faz com que esteja vivendo, também por um ano, em Israel, onde fica até agosto. Isso não significa que vá escrever uma HQ sobre lá.

“Quando eu estou no país, apenas tomo notas”, conta. “Só depois, quando eu volto para casa, vejo o que coletei e, se sentir que tenho material, escrevo e desenho um livro.”

O livro sobre Mianmar saiu há dois anos no exterior. Segundo Delisle, foi aprovado pelos birmaneses que o leram. “Eles disseram que gostaram porque, pela primeira vez, estava falando da vida cotidiana, e não de revoluções e golpes militares.”

(Em tempo: Mianmar fica no Sudeste Asiático e o idioma oficial é o birmanês. Alguns países não reconhecem a junta militar que está no poder desde 1989; por isso, ainda o chamam de Birmânia. Aung San Suu Kyi está em prisão domiciliar desde os anos 90.)

>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Pedero Cirne

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Renato LebeauquadrinhosCrônicas birmanesas,Guy Delisle,ZarabatanaVisto no Universo Fantástico Desenhista canadense define suas histórias em quadrinhos como cartões-postais que enviaria à mãe. Onde fica Mianmar? Por que alguns países ainda o chamam por seu antigo nome, Birmânia? Que idioma falam lá? O que aconteceu com Aung San Suu Kyi, principal nome da oposição que governa o...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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