Os épicos gregos sempre serviram como fonte inesgotável de inspiração ao entretenimento. E não por acaso, suas raízes dogmáticas são as que mais se aproximam da humanidade. Pois seus deuses, sim, aqueles que não conhecem a dor e nem a morte, possuem sentimentos semelhantes aos dos mortais.

Além disso, eles têm uma fraqueza pela carne, pelo caule e pela luxúria humana, gerando os pequenos e milagrosos bastardos com sangue divino nas veias. Analisando atentamente os textos mitológicos chega-se a conclusão que os homens não eram tão diferentes de suas adoradas divindades. Um pensamento extremamente arrogante, porém, verdadeiro.

Da literatura do passado a literatura do presente, escritores ecoam em suas centenas de linhas caligrafadas venturas e desventuras de homens que mais parecem deuses que propriamente homens. Das culturas vivas da atualidade, talvez a estadunidense seja a que mais abusa do tema. O caríssimo filme, Imortais, do diretor, Tarsem Singh, não foge a escrita e redundantemente repete a história.

No épico, Hipérion (Mickey Rourke), o poderoso rei de Heraclião, revolta-se contra os deuses do olimpo e declara guerra a todos os reinos da Grécia em busca do lendário Arco de Épiro, arma capaz de libertar do Tártaro os temíveis Titãs, crias de Urano e Gaia e prógonos das atuais divindades soberanas da terra antes da guerra que decidiria o destino do mundo, a famosa Titanomaquia. Sabido dos planos do monarca, Zeus (Luke Evans) incube ao mortal, Teseu (Henry Cavill), a honraria de deter o vilão e seu insano plano.

Imortais de Tarsem Singh carrega o estigma das grandes produções hollywoodianas baseados na mitologia clássica. Geralmente elas são películas caríssimas, com entorno cenográfico extravagante e fotografia majestosa que inevitavelmente pecam no engendramento do esqueleto cinematográfico, o roteiro, mas que na soma de tudo agrada boa parte do público.

A atuação dos atores não é nenhuma maravilha, entretanto, a de levar em conta os textos mais volvidos à ação, que tende a diminuir a capacidade interpretativa da camada artística. Os diálogos em sua maioria são objetivos e enfáticos não prejudicando o entendimento do que se passa na tela, mas poderiam ser melhores trabalhados.

Os mais entendidos de mitologia grega assistirão com maus olhos o desenvolver da história, já que Imortais abandona as linhas das poéticas antigas em detrimento as suas próprias linhas narrativas, como visto no clássico, Troia, de 2004.

O conjunto de atores é formoso, com grande destaque na musculatura física dos homens e no desenho esbelte e sensual das mulheres. Por tratar-se de um filme de clima caótico a escolha de atores no ápice da jovialidade atlética mostrou-se correta, todavia, a lascívia de belos corpos e rostos não justifica as habilidades sobre-humanas de alguns personagens, principalmente os nãos bastardos dos deuses.

O colossal trabalho arquitetônico do filme impressiona até mesmo espectadores já acostumados com o fado dessas produções. E isso não é tudo, a fotografia deslumbrante ostenta grandeza desde os segundos iniciais do filme. Singh soube de maneira brilhante capturar as imagens que muitos almejam e que poucos conseguem. Talvez, os milhões investidos na produção tenham ajudado.

O cinema 3D é uma maravilha e não existe nada mais gratificante que ver a imagem saltar da tela como se fosse uma serpente venenosa. O sangue sendo jorrado e fluindo causa uma emoção prazerosa. Devo admitir que a sensação abstrata e emocional geraram sorrisos nefastos e doentios de minha boca enquanto flechas e espadas saboreavam o suco escarlate de homens em queda dimanar sensualmente no ar.

Se a violência e a beleza helênica da fotografia e dos atores sustenta o ritmo do filme, o mesmo não deve ser dito do roteiro. Ele medeia entre bom e ruim, infelizmente tendendo demasiadamente para o lado ruim. Como dito, muita coisa fora alterada para se adaptar a nova história. Não que isso seja o ponto central de desfortuno, longe disto, o desagradável fica na apatia dos deuses, precisamente Zeus, a ameaça titânica e as ofensas do homem. É como se toda a mitologia fosse purgada e transformada em algo estranho, e o estranho, nesse caso, parece grotesco e intragável.

No fim todos os pontos positivos são destruídos por decisões equivocadas do roteiro. Mesmo assim, o filme deverá agradar boa parte do público com sua violência tridimensional e sua ótima fotografia.

A trilha musical de Trevor Morris é comum, explora tudo aquilo que já fora explorado, e o não ineditismo às vezes cansa, passa despercebido. Independente disso, ela não compromete o andamento das cenas, mas também não anima.

Trailer:



Titulo Original: Immortals

Título Traduzido: Imortais
Gênero: Ação / Fantasia / Mitologia
Duração: 110min
Produção: Mark Canton, Ryan Kavanaugh e Gianni Nunnari
Diretor: Tarsem Singh
Roteiro: Vlas Parlapanides e Charley Parlapanides
Trilha musical: Trevor Morris
Atores estrelados: Henry Cavill, Mickey Rourke e John Hurt
Distribuidoras: Relativity Media e Universal Pictures

José NunesquadrinhosGianni Nunnari,Henry Cavill,Imortais,John Hurt,Mark Canton,Mickey Rourke,Ryan Kavanaugh,Tarsem SinghOs épicos gregos sempre serviram como fonte inesgotável de inspiração ao entretenimento. E não por acaso, suas raízes dogmáticas são as que mais se aproximam da humanidade. Pois seus deuses, sim, aqueles que não conhecem a dor e nem a morte, possuem sentimentos semelhantes aos dos mortais. Além disso, eles...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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