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Marshall McLuhan: “O meio é a mensagem”

O texto interessante dessa sexta-feira foi retirado do Splash Pages, de Guilherme Smee, e aborda os quadrinhos mais pelo ângulo da semiótica, e explica uma teoria de Marshall McLuhan, que foi um revolucionário da comunicação da sua época, e passa por idéias de Scott McCloud sobre a revista MAD.

Abaixo segue o texto completo:

Visto no Splash Pages – por Guilherme Smee

Em 1964, Marshall McLuhan lançava o livro Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem (Understanding Media: the Extensions of Man). Suas teorias foram revolucionárias para a Teoria da Comunicação por postular, entre outras idéias, que o meio de comunicação não apenas conduz a mensagem, mas que o meio é a mensagem.

Segundo McLuhan, os meios não condicionam seu público pelo que informam, mas pela maneira como informam. A mudança de percepção ocorre devido ao meio e não ao seu conteúdo.

Seguindo esse raciocínio, o teórico dividiu os meios de comunicação em mídias “quentes” e “frias”, de acordo com as fases quentes e frias do jazz. As mídias quentes, como fotografia e cinema, são menos interativas e mais diretas; permitindo que a audiência seja passiva em relação a elas.

As mídias frias, por outro lado, requerem mais participação por parte de sua audiência e, por isso, são mais interativas. Os quadrinhos são uma mídia fria porque “o observador, ou o leitor, é compelido a participar completando e interpretando as poucas pistas deixadas nas entrelinhas”.

É a idéia da sarjeta de Scott McCloud que retorna aqui, os espaços em brancos entre quadros nos quais o leitor de quadrinhos deve depositar sua imaginação para que a história faça sentido.

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MAD: tão envolvente quanto um anúncio publicitário

Marshall McLuhan dedica um capítulo de seu livro às histórias em quadrinhos, em especial à revista MAD. O autor diz que as histórias em quadrinhos foram substituídas pela televisão e que histórias como Ferdinando, de Al Capp perderam sua audiência por causa deste advento.

Sobraria para a revista MAD encantar as crianças e os adolescentes americanos criando um envolvimento tal que, segundo o autor, é semelhante aos dos anúncios publicitários. O teórico também estabelece uma comparação entre as HQs e a televisão, pois para ele, as duas são mídias frias:

“As histórias em quadrinhos, apresentando baixa definição, possuem uma forma de expressão altamente participante, perfeitamente adaptada à forma do mosaico do jornal. Dão também um sentido de continuidade de um dia para o outro. Também as notícias sobre pessoas são de baixo teor informacional e por isso convidam a que o leitor as preencha, exatamente como acontece com a imagem da televisão e a radiofoto”.

Diz McLuhan ao final de seu capítulo sobre os quadrinhos: “A era pictórica do consumo está morta. Sobre nós vem a era icônica”. Os personagens de quadrinhos deixaram há muitos anos de ser apenas figuras para tornarem-se ícones.

Seu papel como garotos-propaganda já foi comprovado e também já foi comprovado que o estímulo que leva uma pessoa a comprar uma revista é o mesmo que a leva a comprar um alimento ou um brinquedo com as cores e o nome de seu personagem de quadrinhos.

O consumidor não leva pra casa o objeto de consumo, mas o personagem inserido nele. De forma semelhante trabalham as marcas quando o consumidor compra um produto sem levar em conta seus benefícios, mas o símbolo que está gravado nele.

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Apreensão Cognitiva, um pacto entre o autor e o leitor.

Segundo McCloud, os quadrinhos fazem uso extensivo de ícones para representar objetos, ações, entidades, idéias. São representações icônicas do mundo. Tudo isso graças à apreensão cognitiva, conforme explica Wellington Srbek em seu livro Um Mundo em Quadrinhos: “Seu figurativismo é um elemento essencial para a assimilação de uma história em quadrinhos. (…) O caráter icônico das imagens dos quadrinhos assegura um limite básico de coincidência entre as intenções do autor e a interpretação do leitor”.

Esse limite básico de coincidência é o que torna a mídia dos quadrinhos interativa. É o “pacto” estabelecido entre leitor e autor que permite uma leitura subliminar dos quadrinhos e através do qual as possibilidades comunicativas à disposição de um autor de quadrinhos tornam-se virtualmente ilimitadas, tornando as histórias em quadrinhos uma extensão de quem as produz e de quem as lê.

Visto no Splash Pages – por Guilherme Smee

Renato LebeauquadrinhosFerdinando,Mad,Marshall McLuhan,Scott McCloudMarshall McLuhan: 'O meio é a mensagem' O texto interessante dessa sexta-feira foi retirado do Splash Pages, de Guilherme Smee, e aborda os quadrinhos mais pelo ângulo da semiótica, e explica uma teoria de Marshall McLuhan, que foi um revolucionário da comunicação da sua época, e passa por idéias...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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