Quando criança, eu adorava ganhar revistas de histórias em quadrinhos, mas o engraçado é que assim que elas ficavam “velhas”, perguntava para minha mãe se podia recortá-las para brincar. Sim, brincar com os super-heróis de papel, entende?

Bom, hoje tenho um acervo de quadrinhos que soma quase quatro mil títulos, entre formatinhos, clássicos, nacionais e graphics novels. Conheço um cara aqui da minha cidade, Divinópolis, MG, que tem no mínimo o dobro da minha coleção e que fazia a mesma coisa na infância… Coisas da vida.

Você deve estar se perguntando que relação isso tem com a animação Batman Ano I, certo? Bom, eu tive a HQ escrita por Frank Miller e ilustrada por David Mazzucchelli quando menino, lançada pela Editora Abril no lendário “formatinho” e não achava graça nenhuma nela, pois Batman aparecia tão pouco que eu nem teria graça de recortá-la quando ficasse surrada o suficiente. Nem sinal da animação ainda, né? Eu sei, mas avançar para 2002, mais precisamente no lançamento de Ano I em formato americano, ainda pela Abril Jovem, e talvez as coisas comecem a fazer sentido.

Nesse meu reencontro com o texto de Miller, agora leitor maduro, constatei o que eu havia perdido. Achei a HQ fantástica em vários aspectos: arte linda, narrativa intensa… Narrativa? Narrativa! Se antes eu desmerecia o fato de Batman aparecer pouco, o fato de a trama ser narrada quase que majoritariamente pelos olhos de James Gordon é algo ímpar, genial em minha opinião. A animação? Está bem, vamos lá!

Há duas semanas foi disponibilizado na internet um vídeo com cerca de dez minutos sobre a animação de Batman Ano I. Nesse “micro making off” estão presentes os diretores do longa, que comentam suas expectativas, Dan Didio, publisher da DC Comics, o produtor Bruce Timm, mestre do segmento, e os principais dubladores escalados por Andréa Romano. Muito legal de fato… Mas ainda fico pensando sobre a necessidade dessa adaptação?

Vamos fingir por alguns minutos que não são interesses mercadológicos que ditam tais escolhas, ok? Vamos fingir que vivemos num mundo melhor para conjecturar sobre a vindoura animação (não tenha dúvidas do quanto quero assistir, sou fanático pelas animações DC, mas quero tentar entender…)! Em Batman Begin (2005) os fãs foram apresentados à origem do personagem criado por Bob Kane numa trama que bebeu largamente em elementos, personagens e conceitos presentes Ano I. O capítulo “Aurora negra” do quadrinho que o diga!

Bom, fico pensando se não teria sido melhor a adaptação de, por exemplo, Batman Ano II, escrita por Mike W.Barr com arte de Todd McFarlane e Alan Davis. Ou qualquer outra boa história! Existem centenas se pararmos pra pensar! Agora, via de regra, parece que vamos rever a origem de Batman e ainda outras coisas presentes nos geniais filmes dirigidos por Nolan…

Tudo bem, que seja. Mas minha expectativa cresce no sentido de esperar por uma literalidade na adaptação para o meio áudio-visual. E por um motivo simples, se a trama da animação for calcada em Gordon, tal qual na HQ de meados dos anos 1980, teremos algo “novo” para assistir. Felizmente, nada no referido vídeo depõe contra isso… Até agora.

Foi uma grata surpresa descobrir que Bruce Wayne/Batman será dublado pelo jovem ator Ben McKenzie (o Ryan da série The O.C – um estranho no paraíso). Fica claro o interesse da produção na caracterização. Gordon terá voz de Bryan Cranston e a Mulher-Gato será interpretada pela gatíssima Eliza Dushku. O fato do dublador de Gordon, único personagem da mitologia do Homem-Morcego que data desde a primeira aparição de Batman, em 1939, ser um ator com mais know how que o de Batman é o indício justo e muito positivo para a futura animação.

Seguiremos atentos às novidades sobre a animação e voltamos ao assunto no futuro. Afinal, o que queremos e esperamos é justamente isso: “novidades” (se é que você me entende?).

Dennis RodrigoquadrinhosBatman,David Mazzucchelli,DC Comics,Frank MillerQuando criança, eu adorava ganhar revistas de histórias em quadrinhos, mas o engraçado é que assim que elas ficavam “velhas”, perguntava para minha mãe se podia recortá-las para brincar. Sim, brincar com os super-heróis de papel, entende? Bom, hoje tenho um acervo de quadrinhos que soma quase quatro mil títulos,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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