No último sábado “fui aos EUA” assistir a nova animação DC Comics, All Star Superman (assim como faz a turma do nerdcast, se é que me entendem) e não me arrependi. Na verdade, conferir o resultado da “adaptação” me fez recordar a expectativa que nutria pelo filme Superman Returns em 2006.

A história em quadrinhos publicada em 12 capítulos magistralmente escritos e ilustrados respectivamente pelos consagrados Grant Morisson e Frank Quitely, All Star Superman (no Brasil batizado de Grandes Astros Superman) figura em qualquer lista que leve em consideração o melhor do Homem de Aço.

Tanto que virou mais uma das incríveis animações produzidas pelo talentoso Bruce Timm e cia. Tais animações, que em geral são excelentes, em algumas ocasiões cometeram deslizes (como a pífia adaptação de Liga da Justiça: A Nova Fronteira e o “excessivo” Superman/Batman Inimigos públicos), mas no caso presente, a obra, creio, foi respeitada e bem conduzida em sua versão animada.

Há alguns anos eu era leitor cativo do extinto e saudoso site A Arca. Lembro-me que num breve artigo que antevia o resultado tanto de Superman Returns quando da publicação de All Star Superman, um dos “arqueiros” comentava que os fãs do personagem deveriam se apegar a HQ como aquela que seria uma das obras definitivas sobre o Superman. E o tempo provou que foi isso mesmo. Quem dera Brian Synger tivesse levado para a tela grande o roteiro de Morisson (talvez o filme tivesse levado um Oscar, a exemplo de Cavaleiro das Trevas)!

Na HQ, em quatro meros quadros de uma única página, o escritor escocês contou a origem de Kal El como poucos conseguiram ao longo de números e mais números de tantas revistas ao longo de mais de 70 anos… Isso e outras metáforas sensacionais são articuladas para narrar a “morte do Superman”. Sim, a trama estrutura sua narrativa nos últimos meses de vida do maior herói dos quadrinhos, culminando com o embate final contra seu arquiinimigo, Lex Luthor.

Morisson faz uso elementos “pré-Crise”, como a “aura telecinética” e a “super-inteligência”, embasados em argumentos extremamente interessantes (que devem ter feito o jocoso Jeph Loeb ficar noites sem dormir de inveja) e coloca o personagem diante de situações das mais inusitadas e bem sucedidas. A animação percorre esse mesmo trajeto e “enxuga” da HQ apenas as subtramas de Jimmy Olsen e do Apocalipse (cuja ideia foi largamente usada no seriado Smallville) que, de fato, não fazem falta na animação. É simples: trata-se de uma das melhores aventuras do último Filho de Krypton a disposição em vídeo.

É curioso notar o comportamento gentil, as atitudes repletas de cordialidade e ternura do Superman de Grant Morisson. Tal “interpretação” do personagem me faz lembrar do dublador Guilherme Briggs (voz do personagem em Liga da Justiça) explicando suas motivações na hora de compor o tom do personagem.

Segundo Briggs, o Superman é um homem extremamente poderoso, mas que percebe o mundo pelos olhos de um menino da fazenda, de uma cidade pequena e que, criado por pais gentis e educados, respeita todas as formas de vida, vê com muito respeito o ciclo natural de todas as coisas – como um agricultor que ao cultivar o campo entende que nem todas as sementes vingam, mas que merecem uma chance de fazê-lo. Com esse pensamento, o ator propõe uma voz gentil e respeitosa para o personagem e isso é extremamente coerente com tudo que há na nova animação do Superman. Fico torcendo para que o filme vá para o Rio de Janeiro e que Guilherme Briggs tenha a chance de trabalhar novamente com o personagem. Ficará sublime, tenho certeza!

O visual do longa-metragem em animação é um requinte a parte. O traço caprichado, realista e anatomicamente correto do mestre Frank Quitely foi muito bem adaptado para o “estilo animated”. Nesse sentido, felizmente as animações gozam de aspectos muito positivos em quase 100% dos casos. Nova Fronteira fica excelente ao nutrir-se da bela arte de Darwyn Cooke e o desenho de Ed McGuiness cai como uma luva no desnecessário Inimigos públicos (único mérito do longa na minha opinião – mencionar “Maggpie”? quem autorizou uma referência dessas?)

No mais, cabe encerrar comentando a uma das mais belas metáforas presentes na trama que dura 1h16m. Sim, a partir daqui tem spoiler. Avisei. O fato do Superman, no desfecho de sua aventura final, ir se transformando em energia pura significa que ele nunca irá embora, não morrerá, mas irá se transformar. Afinal, energia não pode ser destruída, mas transformada. É também a transformação de uma excelente HQ numa animação que merece ser conferida.

Dennis RodrigoquadrinhosAll Star Superman,Bruce Timm,DC Comics,Frank Quitely,Grant MorissonNo último sábado “fui aos EUA” assistir a nova animação DC Comics, All Star Superman (assim como faz a turma do nerdcast, se é que me entendem) e não me arrependi. Na verdade, conferir o resultado da “adaptação” me fez recordar a expectativa que nutria pelo filme Superman Returns...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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