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Visto no Blog dos Quadrinhos – por Paulo Ramos

“Flores Manchadas de Sangue”, nome da obra, começou a ser vendida nesta semana  era para ser uma homenagem em vida.

Claudio Seto selecionou as cinco histórias da edição, fez textos de apresentação para cada uma, reviu o material antes de ser impresso.

Mas o desenhista não viu a versão final, que começou a ser vendida neste final de semana em lojas de quadrinhos de São Paulo (Jacaranda / Devir; 128 págs., R$ 28).

O álbum com as histórias de samurai feitas por ele no Brasil há quase 40 anos transformou-se involuntariamente numa lembrança póstuma à memória do artista.

Por isso, há duas leituras deste álbum em preto-e-branco. Uma são as histórias fictícias que ele traz. Outra são as histórias reais que a obra também apresenta.

As narrativas ficcionais reunidas em “Flores Manchadas de Sangue” foram produzidas entre 1970 e 1972. Todas foram publicadas em revista da extinta editora Edrel.

Foi pela editora que Seto estreou suas sagas de samurai, em 1968. As histórias ganharam título próprio, “O Samurai”, embora não houvesse personagem fixo.

O escritor e desenhista se preocupava em narrar situações vividas por samurais. Cada conto em quadrinhos ajustava o foco em um deles.

O motivo da escolha das histórias é justificado por Seto antes de cada uma delas. A de abertura, por exemplo, “O Sósia”, é por ter definido o estilo de desenho das demais.

Mais do que expor motivos para a seleção, ele esmiúça como as espadas eram espiritualmente nomeadas e revela um profundo conhecimento sobre a cultura japonesa.

Essa bagagem de referências era transposta para as aventuras, algo que muito provavelmente passou despercebido de quem as leu quando foram lançados décadas atrás.

As histórias eram adultas, violentas, produzidas na forma do que hoje conhecemos como mangá, o quadrinho japonês. Era algo que destoava do que era produzido à época.

Nesse ponto, destacam-se as histórias reais que o álbum traz.

Uma delas é Seto ter sido o pioneiro na produção de mangás no Brasil.
Embora as histórias se assemelhem muito às da série japonesa “Lobo Solitário”, já lançada no Brasil, o samurai de Seto foi criado dois anos antes.

A associação de que teria copiado o trabalho de Kazuo Koike e Goseki Kojima seria uma das mágoas que o desenhista guardava. O álbum corrige isso, mesmo que postumamente.

Há outras histórias, contadas por quem conviveu com Seto. O jornalista Franco de Rosa relata o espanto que teve ao ler na infância a violência nos quadrinhos da série.

O editor deste projeto, Toninho Mendes (o mesmo da revista “Chiclete com Banana”), descreve o primeiro encontro que teve com o desenhista para discutir a seleção.

O encontro foi na casa de Seto, em Curitiba, cidade que adotou como morada nas décadas finais de vida.

O texto de Mendes é tão saboroso quanto as histórias de bastidores de Seto.

Diversos revezes levaram Claudio Seto a abandonar os quadrinhos nos anos 1980.

Na última edição do HQMix, principal premiação de quadrinhos do país, seu samurai serviu de molde para o troféu entregue aos vencedores.

A cerimônia ocorreu no dia 23 de julho no teatro do Sesc, em São Paulo. Seto, no palco, emocionou-se. Foi a última homenagem que teve em vida.
A morte brusca em 15 de novembro, após tanta vitalidade, supreendeu a todos. Foi vítima de AVC, acidente vascular cerebral.

A cerimônia do HQMix e este álbum trouxeram Seto de volta ao circuito dos quadrinhos.

A maioria não o conhecia. As revistas de samurai e suas outras publicações em quadrinhos são raras. Estão guardadas em coleções imprenetráveis ou nas memórias de poucos.

O desenhista produziu mangás no Brasil quando o gênero ainda era algo vago em todo o Ocidente. Hoje, o mercado tem nos quadrinhos japoneses um de seus pontos fortes.

Dizer que Seto estava na vanguarda ainda é pouco para fazer jus a seu trabalho. Era um visionário. Fez o que se lê hoje nos mangás com 40 anos de antecedência.

Visto no Blog dos Quadrinhos – por Paulo Ramos

Renato LebeauquadrinhosCladio Seto,Edrel,Flores Manchadas de Sangue,SamuraiVisto no Blog dos Quadrinhos – por Paulo Ramos 'Flores Manchadas de Sangue', nome da obra, começou a ser vendida nesta semana  era para ser uma homenagem em vida. Claudio Seto selecionou as cinco histórias da edição, fez textos de apresentação para cada uma, reviu o material antes de ser impresso. Mas...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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