Entrevista: Will – Quarto Mundo
Por Alexandre Manoel | 22 julho de 2010Após a palestra na Comic Fair, o Impulso HQ teve uma rápida conversa com Will, para que ele esclarecesse melhor alguns pontos mencionados na apresentação do coletivo:
Impulso HQ: O que mudou na cena independente do surgimento do Quarto Mundo pra cá?
Will: As pessoas despertaram mais para essa coisa dos quadrinhos independentes. O Quarto Mundo ajudou a dar fôlego na produção independente, não que antes não tivesse, quadrinhos independentes sempre existiram no Brasil, mas o Quarto Mundo ajudou no sentido de: “Opa, tá rolando de novo o quadrinho independente”. E uma coisa a destacar é a qualidade das publicações, em relação a conteúdo, visual e acabamento gráfico.
IHQ: Na palestra, o Alex Mir disse que a cada evento vocês conseguem um público novo e, depois, você mencionou que o público do Quarto Mundo não é necessariamente o público de quadrinhos. Você saberia informar o perfil do público que lê as publicações do Quarto Mundo?
Will: O público que consome o Quarto Mundo é um público que também consome outras mídias, música, cinema etc. Ele não é aquele público só ligado a quadrinhos. Acho que ele [o público] não lê [as publicações do Quarto Mundo] por ser quadrinhos, ele lê porque a história é legal e esta no formato quadrinho – que é uma mídia bacana.
Publicações do coletivo Quarto Mundo
IHQ: Como é o retorno do público nesses eventos que o Quarto Mundo participa?
Will: Hoje a gente participa de menos eventos, nos concentramos mais nos principais deles. Houve uma época, no começo, em que a gente participava de muitos eventos, mas ai vimos que não tínhamos pessoas suficientes para participar [de tantos eventos]. Também participamos de eventos que foi zero em vendas, um fiasco total.
Lógico que em eventos menores, vendas menores. Agora, participar de um FIQ ou um Fest Comix é muito mais compensador em termos de vendas e de contatos. Aqui, nós estamos numa outra configuração do Anime Friends, se fosse como as versões antigas, pra gente não compensaria mais, nada contra o fanzine, mas pra gente não compensaria mais [nota do editor: nesta edição, o coletivo estava pela primeira vez com um Stand exclusivo, nas edições anteriores o coletivo participava na Fanzine Expo, lugar do evento dedicado aos fanzines – a estrutura geralmente é apenas uma mesa na qual o fanzineiro pode expor seu material].
Daniel Esteves no stand do Quarto Mundo. Não peguei o nome da menina para legenda!
IHQ: Durante a palestra, vocês mencionaram que faltavam mais publicações em estilo infantil e mangá no Quarto Mundo. Como é trazer tantas publicações para cá, menos mangás, num evento freqüentado principalmente por fãs de mangás?
Will: O público que freqüenta o Anime Friends também freqüenta o Fest Comix. O mangá está presente em vários eventos que o Quarto Mundo participa. Então, há o público que já nos conhece de outros eventos.
Quanto ao público que não nos conhece, a diversidade [das publicações do Quarto Mundo] é tão grande que se esse público der uma chance, ele vai gostar de alguma coisa. É impossível não gostar de alguma coisa, porque aqui tem quase tudo: humor, terror, suspense, cotidiano, romance, policial, ficção científica, enfim muita coisa. E de qualidade.
Hugo Nani faz caricatura ao vivo no stand Quarto Mundo
IHQ: E tem aquele lance de formar público? Conversar com as pessoas, perguntar o que elas gostam…
Will: Uma coisa legal é isso: a pessoa vem para o stand e aqui vai encontrar um autor, pelos menos um autor, e são aqueles autores que já estão acostumados com eventos e conhecem o material e podem indicar algo para o leitor, que também pode perguntar para esse autor “por que aqui você fez assim? ali você fez assado? etc.” e isso é muito bacana.
IHQ: Falando um pouco do Quarto Mundo, deu uma enxugada no número de participantes, não?
Will: É uma coisa natural, as pessoas entram para participar e às vezes pensam que Quarto Mundo é uma coisa que o coletivo não é, não deu o retorno que a pessoa pensou que daria etc. Mas é um processo natural, algumas pessoas saem, outras entram.
Atualmente temos cerca de 50 colaboradores. Até o começo de 2009 chegamos a ter mais de 100 pessoas. Agora deu essa enxugada, mas, como disse, é um processo natural.
Cadu Simões, que não faz mais parte do coletivo, esteve presente para dar uma força aos amigos
IHQ: Mas o coletivo continua aberto a novos integrantes?
Will: Continua. Se você tem uma revista e quer distribuir e divulgá-la, o coletivo pode ajudá-lo nisso. Mas tem uma contrapartida, você tem que ajudar o Quarto Mundo de alguma forma.
IHQ: Mas não é ai, nessa ajuda ao coletivo, que fica muito difícil para o autor? Ele já é o desenhista, roteirista e editor do trabalho e ainda tem que se comprometer ir a eventos, ou participar do núcleo de tradução, ou qualquer outro núcleo dentro do Quarto Mundo…
Will: Eu sou autor, desenhista, editor e também participo de eventos. O Daniel Esteves também: ele edita, escreve, conversa com os desenhistas, corre atrás de gráfica, faz o trabalho dele na escola e participa dos eventos.
Will
IHQ: Mas você concorda que isso é uma pegada mais pesada?
Will: Sim, mas alguém tem que fazer.
IHQ: Para finalizar, que dica você daria para quem está começando agora?
Will: Continue fazendo, faça cursos, se aprimore, se junte com amigos, vá a eventos… e continue fazendo.
Tags: Comic Fair, Quarto Mundo, Will








Uia, interessante as perguntas finais da entrevista…
Acompanho bastante o 4 mundo no site e tbm compro várias Hq como tempestade cerebral e garagem hermetica.
[...] Entrevista: Will – Quarto Mundo [...]
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PREZADO WILL,
LER QUARTO MUNDO, LEVA VOCÊ PRA QUARTA DIMENSÃO?
ESTÁ PERGUNTA JÁ ME FIZ VÁRIAS VEZES.
POIS É SEMPRE, UMA GRANDE VIAGEM.
PARTINDO DE UM “GRANDE IMPULSO.”
UM ABRAÇO DO AMIGO
DINO ALVES.