Entrevista: Alexandre “Cavalo” Dias – HQ Velhas Virgens
Por Renato Lebeau | 26 fevereiro de 2010
O entrevistado da semana no Impulso HQ é Alexandre “Cavalo” Dias, que além de quadrinhista, também e integrante do grupo Velhas Virgens, que há anos toca rock’n'roll, e agita as noites com música, bebidas e histórias alucinantes.
E no ano passado essas histórias deram origem ao álbum “As Eletrizantes e Etílicas Aventuras das Velhas Virgens”, escrito por Alexandre “Cavalo” Dias e ilustrado pelos gaúchos André Andrade e Deivy Costa ambos do estúdio Inkdrop de Porto Alegre.
Durante a entrevista Alexandre fala sobre rock e quadrinhos, como foi transformar em roteiro as histórias da banda e quais são os seus planos para um próximo álbum sobre a banda.
Acompanhem a entrevista:
Impulso HQ: O que o leitor vai encontrar no álbum As eletrizantes e etílicas aventuras das velhas virgens?
Alexandre “Cavalo” Dias: São quatro história com roteiros baseados ´nas músicas da banda. Canções como Homem Lindo, Cubanajarra, Vampiro e Mulher do Diabo viram pano de fundo pra aventura de uma banda de rock que toca em qualquer lugar. Até no inferno!

IHQ: Como foi adaptar as letras da banda para as narrativas dos quadrinhos?
A.C.D.: Foi fácil. Essa banda por si só já é um prato cheio pra roteirizar. Na verdade acontece tanta coisa estranha, absurda ou louca que dava pra escrever histórias pro resto da vida.
IHQ: Sempre existiu um senso comum de que quadrinhos e rock’n'roll são muito próximos. Como você vê a relação dessas linguagens? Em quê elas são próximas?
A.C.D.:Tanto HQs como o Rock fazem parte da cultura Pop. Esse lance adolescente de ser jovem pra sempre. Atualmente existe uma produção forte de quadrinhos relacionados com música: Há o Matanza Comix, o NFL Comics, Power Trio, sem mencionar o recém lançado no Brasil The Umbrella Academy, escrito pelo vocalista da banda My Chemical Romance, Gerard Way.
IHQ: Você acompanha algum desses títulos ou outro tipo de HQs? Qual a influência delas no seu trabalho com os quadrinhos?
A.C.D.: Conheço todos os citados e gosto de muitas coisa. Minha escola foi uma mistura inusitada de HQ pornô e Disney. Escrevi patos e pornôs durante muitos anos.
No meio dos quadrinhos existem muitos autores que também gostariam de ser músicos.
IHQ: E no meio da música, existem muitos músicos que gostariam de ser autores de quadrinhos?
A.C.D.: Tem mesmo. Alguns poucos são as duas coisas. Não sei como eles conseguem conciliar. São expressões art[isticas que se completam. Especialmente se tratando de Rock e HQ.

IHQ: O que é mais difícil, fazer uma HQ ou compor uma música?
A.C.D.: A HQ é muito mais trabalhosa. A música vc entra no estúdio e logo vê a cara dela. Os quadrinhos demoram pra ficar finalizado. Um trabalho braçal e solitário!
IHQ: Como foi a reação da banda quando surgiu a idéia de adaptá-los para HQs? Eles participaram do processo criativo?
A.C.D.: Eles adoraram virar esses anti-heróis! Desse primeiro participaram apenas com suas personalidades caricatas. No segundo quero que eles participem mais!
IHQ: Você já tem uma relação bem forte com as HQs, trabalhou no estúdio da Disney Brasil e em 2004 lançou Noite de Caça e agora assina os roteiros dos quadrinhos sobre a banda. Como você analisa a sua carreira nos quadrinhos e qual foi a sua maior evolução?
A.C.D.: Quando fui sócio de uma editora e tinha que fazer roteiros de acordo com o cliente. Aprendi pacas, E com os editores da abril e da disney foi uma puta escola também. Mas na quantidade foi o pornô. Escrevia páginas e mais páginas sobre um assunto que todo mundo já falou. Epor fim fazer o lance adulto da gráfic novel Noite de caça que durou mais de 5 anos pra terminar. Passei por tudo só não fiz Maurício de Souza!

IHQ: Para finalizar, as eletrizantes e etílicas aventuras das velhas virgens vão continuar? Para quando seria um próximo álbum?
A.C.D.: Quero lançar o segundo pra comemorar os 25 anos de banda em 2011! E tem um terceiro no plano também. Vamos ver o que vai acontecer e o tempo que teremos sobrando pra fazer isso!
“As eletrizantes e etílicas aventuras das Velhas Virgens”
94 páginas
Conteúdo: preto e branco
Capa: colorida
Tamanho 170×260 mm
Editora: Realejo Livros
Tags: Alexandre Cavalo Dias, André Andrade, As eletrizantes e etílicas aventuras das velhas virgens, Deivy Costa, Inkdrop, Velhas Virgens

