A influência dos heróis na vida das crianças

Por Renato Lebeau | 28 abril de 2009

criancas_quadrinhos

Visto no Revista Crescer – por Ana Paula Pontes

Estudo revela que os eles estimulam as crianças a defender ideais, proteger os mais fracos e combater o inaceitável. Entenda como esses personagens podem influenciar a formação da personalidade do seu filho.

Super-Homem, Homem-Aranha, Batman. Branca de Neve, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho. Os super-heróis dos desenhos e histórias em quadrinhos e os heróis e heroínas dos contos de fadas são muito presentes na vida das crianças, assim como foram na sua infância.

Mas, afinal, qual é o poder desses heróis na vida dos pequenos? Um estudo realizado pela fábrica de brinquedos Mattel do Brasil, em parceria com o Instituto GFK Indicator, revela que eles não só influenciam o dia a dia das crianças como são essenciais para a formação da personalidade do seu filho.

Segundo Lidia Aratangy, psicóloga e consultora da pesquisa, é nessa relação da criança com os super-heróis que são plantadas as sementes de valores, como ética, coragem, humildade. “Nos contos de fadas, os heróis são os mais humildes e bondosos da família ou da aldeia. São os que aceitam enfrentar a perigosa tarefa que irá salvar o reino, o rei, o pai”, diz.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores observaram um grupo de meninos de 6 a 10 anos, estimulado a construir uma história de encontro com seu super-homem, com etapas que vão até o momento em que o garoto se transforma em herói.

No enredo inventado, não aparece somente o poderoso, mas aquele que tem seus momentos de fraqueza e medos. “Essas fragilidades abrem a brecha para o processo de identificação [da criança com o personagem]. Na maioria das histórias, é o garoto que tira o herói da dificuldade, para então se tornar seu aprendiz”, afirma a especialista.

E os vilões, que seriam o lado do mal da história, valorizam ainda mais a razão de ser do herói. Eles são importantes para que a criança saiba que o mal também existe. “Porém, ao final de uma história, quando os heróis são agraciados ou recompensados, é uma demonstração de que o bem pode triunfar”, diz.

E a pesquisa foi além: as crianças que participaram do estudo demonstraram compreender que as características dos vilões são inerentes a qualquer pessoa. Segundo Lidia, as crianças reconhecem seu lado invejoso, ciumento, vaidoso e a capacidade destrutiva de cada um. Ou seja, por meio das histórias, são capazes de entender que somos todos contraditórios.

Se você tem receio de como as lutas entre o bem e o mal que habitam as histórias podem incentivar a violência, saiba que elas são benéficas ao ensinar que até mesmo num conflito é possível ser ético. “O incentivo à violência vem de uma cultura violenta, e de pais que perdem o controle e podem ficar violentos”, afirma Lidia.

O papel dos pais no imaginário infantil

Não se assuste se um dia o seu filho resolver que só vai atender a um chamado seu se você se referir a ele como Batman. “Essa fuga [da realidade], esse exercício da fantasia, é inevitável, faz parte do desenvolvimento humano – e pode ser benéfica. É uma forma de ele se aproximar do ídolo, no processo de identificação”, afirma Lidia.

A presença dos pais, no entanto, é fundamental no mundo imaginário da criança. “Qualquer personagem, real ou imaginário, pode ser positivo ou negativo, dependendo da leitura que se faz. Por isso, é importante a presença dos pais (ou avós) junto da criança, ajudando-a a fazer uma interpretação correta do que vê”, afirma a especialista.

No estudo também foi analisada a visão dos pais sobre o imaginário da criança, e o resultado revelou como as brincadeiras com bonecos representando heróis no contexto da família aproximam filhos e pais, além de ser instrumentos de educação.

E você, também gosta de super-heróis? Há uma explicação para que as salas de cinema de filmes com esses personagens estejam sempre lotadas de adultos. “Continuamos a precisar de heróis pela vida afora. Precisamos que nos reassegurem que existe a possibilidade de vencer o mal. E que ele pode ser combatido eticamente”, diz Lidia.

Visto no Revista Crescer – por Ana Paula Pontes

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