Por Alex Doeppre*

Overdoses de violência, escatologia, irreverência e baixaria generalizada fizeram de El Cazador (O Caçador) o personagem mais popular dos quadrinhos argentinos na década de 1990. Seu criador, Lucas (Jorge Luis Pereira), trabalhou para a Marvel Comics, desenhando títulos como Inumanos, Vingadores, Pantera Negra e Wolverine.

A primeira versão do Cazador apareceu no único número de Arkham, fanzine publicado por Lucas e amigos em março de 1990 – disponível no blog Argenzines. Entre agosto e outubro do mesmo ano, o personagem retornou numa minissérie em três partes e formato americano co-editada pelas revistas Reo e Comic Magazine, intitulada “Las sombras del Apocalipsis”. A primeira parte reescrevia a história publicada em Arkham. Terminada a minissérie, a revista não teve continuidade.

Em sua primeira concepção, El Cazador era um amontoado de clichês inverossímeis típicos dos comics norte-americanos. A ação se passava nos Estados Unidos, o personagem usava um uniforme com uma estrela na testa, andava armado como o Justiceiro e pulava entre edifícios como Batman e Demolidor.

Seu nome era Robert Howard, cientista da NASA que fora convocado para trabalhar na investigação secreta de um cilindro encontrado num OVNI caído. Após descobrir que o cilindro permitiria construir uma bomba devastadora, nega-se a prosseguir. Em represália, sua família é morta. Disposto a vingar-se e deter a construção da bomba, Robert torna-se El Cazador.

Em 1991, a direção do vento mudou para o quadrinho argentino. O país estava mergulhado em alta inflação e para combatê-la o governo substituiu o Austral, moeda vigente na época, pelo Peso, igualando seu valor ao Dólar. Isto barateou a importação de produtos estrangeiros, quebrando empresas nacionais e aumentando o desemprego.

Também inundou as bancas com comics norte-americanos e mangá japonês, tornando difícil a sobrevivência da produção local.

Pouco a pouco desapareceram as revistas de antologias, com muitas páginas e várias HQs, para dar lugar ao formato comic-book, que passou a predominar na produção argentina.

Esta nova tendência do mercado editorial ficou clara quando, em dezembro de 1992, Ediciones de la Urraca cancelou a revista Fierro (uma das mais importantes das HQs argentinas) no número 100 e lançou El Cazador de Aventuras em formato americano, capa colorida e miolo em preto e branco. Passou a chamar-se apenas Cazador a partir do número 5 (outubro de 1993). Mas o personagem publicado em suas páginas era completamente diferente daquele visto em Arkham. A começar pela estrela na testa, que deu lugar a uma cruz invertida.

*Designer gráfico, desenhista e fanzineiro
Contato: [email protected]
Na Web: alexandredoeppre.blogspot.com
Ilustração: Lucas (Cazador antes) e Mauro Cascioli e Lucas (Cazador depois)

Denilson Reisrealidade alternativaEl Cazador,Fierro,Jorge Luis PereiraPor Alex Doeppre* Overdoses de violência, escatologia, irreverência e baixaria generalizada fizeram de El Cazador (O Caçador) o personagem mais popular dos quadrinhos argentinos na década de 1990. Seu criador, Lucas (Jorge Luis Pereira), trabalhou para a Marvel Comics, desenhando títulos como Inumanos, Vingadores, Pantera Negra e Wolverine. A primeira versão...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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