Hoje vou destacar o trabalho de Henrique Magalhães e sua editora Marca de Fantasia com a Série Repertório, que tem trazido publicações de artistas independentes, não só do Brasil, como de outros países. Confira:

Quando Tem Que Ser – A França é um paraíso para quem curte quadrinhos e quer produzir e publicar quadrinhos, pois lá a arte tem o reconhecimento que aqui passa quase batido. De qualquer forma, mesmo com muitas editoras e edições de quadrinhos comerciais, a cena alternativa ou independente também existe e com muita força, onde são publicados muitos fanzines e trabalhos coletivos.

Um destes coletivos é o L’Association, que publica trabalhos diversos na revista “Lapin”. Foi desta publicação que Henrique Magalhães trouxe os quadrinhos do desenhista Patrice Killoffer, na série Relatório Volume 4 (2010), a coletânea “Quando tem que ser’’ (Quand faut y Awer).

O quadrinho de Killoffer é bastante experimental, mas com um traço marcante. As HQ’s deste álbum narram situações do cotidiano do autor, ou seja, é uma obra autobiográfica e isto justifica passagens onde temos texto, que a primeira passada, parece excessivo para uma página de quadrinhos. Mas como disse, parece, pois o conjunto da obra é muito bom.

Mundo Feliz – A série do quadrinhista e fanzineiro Edgard Guimarães, “Mundo Feliz’’, foi publicada originalmente no fanzine QI, editado pelo próprio Guimarães, nos número 50, 51 e 53 ao 65. Depois, Edgard Guimarães resolveu compilar sua série numa edição única lançada por ele mesmo, mas para um público bastante restrito. Agora temos a 3ª edição desta obra como o Volume 5 da Série Repertório (2011).

O trabalho de Edgard ganhou uma edição bacana, feita no maior capricho em formato livro de bolso trazendo, além das HQ’s do autor, texto de apresentação, comentários dos leitores que acompanharam a publicação original e também comentários do próprio autor.

Quanto à HQ, Edgard Guimarães produziu um trabalho fantástico, onde cada capítulo traz um suspense que estimula a leitura do capítulo seguinte, mostrando que o autor é um roteirista de primeira linha, e sabe conduzir o leitor ao longo do texto, e nos surpreender a cada capítulo apresentado.

Carne Argentina – As HQ’s argentinas (chamadas historietas) já revelaram grandes mestres e clássicos que se consagraram em todo mundo. Atualmente, muitos desenhistas argentinos – tal como ocorre com brasileiros – ocupam generosos espaços nas grandes editoras norte-americanas.

Mas o quadrinho underground e alternativo também sobrevivem na Argentina em trabalhos editados por coletivos (grupos) de quadrinhistas, algo muito próximo do que ocorre no Brasil.

A Marca de Fantasia lançou a publicação “Carne Argentina’’, produzida pelo coletivo La Productora, que reúne nomes das historietas underground: Gervásio, José Mazzone, Ángel Mosquito, Luís Guaragna, Aón, Cristian Mallea e Jok.

O traço dos desenhistas segue o tradicional underground com muita competência. Já o texto gira em torno dos acontecimentos sociais de dezembro de 2001, em uma Argentina abalada pela convulsão econômica. A obra é fundamental do ponto de vista artístico, pois reúne ótimos desenhistas e também do ponto de vista sociológico, pois no universo ficcional se revelam tensões sociais reais vivida pelo povo Argentino. “Carne Argentina’’ foi publicada em 2011 como volume 6 da série Repertório.

O Baú do Irrthum – Quem acompanha as publicações independentes e o movimento fanzineiro no Brasil, nas últimas duas décadas, já se deparou com a obra do mineiro Luciano Irrthum. Seu trabalho já abrilhantou uma diversidade de fanzines e revistas independentes e, pelo seu traço ímpar, inconfundível, ao botar o olho em uma HQ ou ilustração, logo sabemos que é do próprio, pois Irrthum desenvolveu uma forma de expressão em seu desenho que é único.

Este é o segundo trabalho de Irrthum pela editora Marca de Fantasia, que já havia publicado um gibi e agora lança um álbum coletânea pela série Repertório, com algumas das melhores HQ’s feitas por Luciano, “O Baú do Irrthum’’ (2012).

O álbum foi dividido em dois capítulos onde os desenhos de Irrthum são finalizados com técnicas diferentes, mostrando a qualidade gráfica do artista. Os desenhos são magníficos, independentemente da técnica utilizada. Já o texto gira em torno de temas escatológicos, mas com conteúdo reflexivo, onde a narrativa esta adequada ao estilo de desenho de Irrthum.

Ilustrações: Luciano Irrthum e Edgard Guimarães

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