Por Alex Doeppre*

De dezembro de 1992 até outubro de 1994, saem sete números de El Cazador por Ediciones de la Urraca, com periodicidade irregular. Roteiros e arte eram produzidos a oito mãos por Jorge Lucas, Ariel Olivetti, Claudio Ramirez e Mauro Cascioli.

Nas capas coloridas, a arte dos desenhistas mostrava-se em todo seu fulgor. No miolo em preto e branco, os artistas revezavam-se, alternando momentos de traço primoroso com outros mais desleixados. Na mesma época, foram publicadas HQs curtas e satíricas do Cazador em Comiqueando, revista especializada em quadrinhos.

O novo Cazador é um brutamontes violento, inconsequente e grosseiro que não defende outra coisa além de seu sossego e suas necessidades: cerveja, mulheres e assistir os jogos do Racing (clube de futebol para o qual torce).

Sua origem, contada na sétima edição, remonta a 1536, quando, já sob a alcunha de Caçador, liderava um grupo de espanhóis exilados expulsos da recém-fundada Buenos Aires, acusados de canibalismo. Buscando o perdão de Deus, o bando dedica-se a saquear as aldeias dos indígenas, a quem culpam por sua desgraça. Seu líder os proíbe de comer carne humana: viverão dos alimentos pilhados dos nativos.

Durante os massacres, o Caçador marca a testa de suas vítimas com uma cruz de ferro incandescente antes de executá-las. Porém, um nativo consegue escapar à morte convencendo o Caçador de que pode guiar seu bando até um lugar repleto de prata pura e muita comida. Após semanas de busca infrutífera, o Caçador conclui ter sido enganado e mata o índio usando violentas torturas aprendidas com seu avô paterno, que serviu no exército de Vlad Tepes, o Empalador Romeno.

Logo após a morte do índio, uma chuva de lanças dizima o grupo. Único sobrevivente, o Caçador é capturado por figuras sinistras, que o advertem: ele está na “terra dos mortos”.

Os estranhos marcam sua testa com a cruz cristã invertida e o amaldiçoam. Possuído por espíritos sombrios, o Caçador foge pela floresta. Seu passado desconhecido lhe é revelado: sua mãe era uma índia daquela terra e casou-se com seu pai, um mercenário alemão, acreditando que ele era um deus por ter o cabelo dourado.

Ela morreu no seu nascimento e seu pai o levou embora para a Europa. Buscando o fim de seu tormento, o Caçador joga-se do alto de uma rocha, apenas para descobrir que não pode morrer, pois fora castigado com a imortalidade.

El Cazador participou de muitas guerras no decorrer dos séculos (Primeira e Segunda Guerras Mundiais, Vietnam, Malvinas, Guerra do Golfo…) e sobreviveu à derrota diante de inúmeros adversários, graças à sua maldição. Por fim, fixou-se em uma igreja abandonada nos arredores de Buenos Aires.

*Designer gráfico, desenhista e fanzineiro
Contato: [email protected]
Na Web: alexandredoeppre.blogspot.com
Ilustração: Jorge Lucas

Denilson ReisindependentesAriel Olivetti,Claudio Ramirez,El Cazador,Jorge Lucas,Mauro CascioliPor Alex Doeppre* De dezembro de 1992 até outubro de 1994, saem sete números de El Cazador por Ediciones de la Urraca, com periodicidade irregular. Roteiros e arte eram produzidos a oito mãos por Jorge Lucas, Ariel Olivetti, Claudio Ramirez e Mauro Cascioli. Nas capas coloridas, a arte dos desenhistas mostrava-se...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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