Daqui a alguns anos, as futuras gerações perguntarão para nós sobre importantes eventos de 2014. Muitos se lembraram da copa do mundo realizado em nosso país, das eleições, falcatruas do governo, a pior edição do Big Brother, o beijo gay na novela das 9 horas… Outros, no entanto, irão recordar e contarão para seus netos sobre o lançamento do mangá de Sailor Moon no Brasil.

Ok, talvez tenha exagerado um pouco, mas é perdoável levando em conta o quando as aventuras das Guerreiras da Lua eram aguardadas entre os fãs brasucas. Quando os mangás começaram a invadir as bancas nacionais, a partir de 2000, a galera deu mais saltos ornamentais e piruetas triplas no ar que ginastas olímpicos. E enquanto nos esbaldávamos lendo Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e Yu Yu Hakusho esperamos com ansiedade a publicação de Sailor Moon.

E esperamos.

E esperamos.

E esperamos um pouco mais.

O chá de cadeira durou até 2013, quando a grande corrida pelos direitos de publicação das guerreiras cochudas que lutam pelo amor e a justiça foi vencida pela editora JBC!

Weeeeee! Houve grande alegria, a paz mundial foi alcançada, mas tivemos que aguentar mais um ano de espera até que a revista chegasse definitivamente nas bancas. Então, depois de toda essa enrolação, valeu mesmo a pena a espera? O mangá é tão bacana quando o anime? E porque raios a droga da HQ demorou tanto para chegar aqui?!

Indo por partes: Sailor Moon é um dos mangás shoujos (quadrinhos voltados para o publico feminino) mais populares da década de 1990, criado por Naoko Takeuchi, e até hoje é referência nas obras mahou shoujo (garotas mágicas). Sailor Moon é um “upgrade” de outra obra de Naoko, Codename wa Sailor V, de 1991. Devido ao grande sucesso, e com o incentivo financeiro da produtora Toei Animation, a série foi expandida com a criação de Sailor Moon em 1992.

O anime veio pouco depois sendo sucesso no mundo inteiro. No Brasil, Sailor Moon foi uma das séries exibidas na chamada “era de ouro dos animes” na extinta Rede Manchete, e posteriormente voltou para TV, com nova dublagem, na Cartoon e na Rede Record.

Apesar da base solida de fãs brasileiros, a demora das editoras para publicar o mangá por aqui é justificada pela recusa da própria Naoko e da editora Kodansha em ceder os direitos devido à péssima experiência com a publicação da obra no exterior. Com a proximidade do aniversário da criação do mangá e com o bom retorno (e qualidade!) da versão americana, o mangá chegou ao Brasil.

Sabendo a senhora responsa que tinha nas mãos, a JBC teve grande e cuidado e esmero na hora de produzir o material, chegando a criar uma série de vídeos chamados Diários Sailor Moon contando passo a passo do trabalho de adaptação.

Uma das noticias mais esperadas nesses diários era a respeito dos nomes dos personagens: usariam os nomes originais ou as versões ocidentais popularizados na série animada? No fim optou-se pelo original, mas os golpes foram traduzidos para o português e grande parte dos honoríficos (os “kuns”, “chans” e “sempais” da vida) foram limados da tradução permanecendo apenas em um ou outro caso.

Na parte gráfica e acabamento, a JBC se superou. O miolo ficou em papel offset (aquele branquinho) com boa gramatura e ótima impressão. As paginas coloridas estão absurdamente lindas, e a capa está um mimo. Acredite, o volume vale cada centavo dos R$ 16,50 de seu preço!

A historia é basicamente a mesma do anime. Usagi Tsukino é uma adolescente preguiçosa de 14 anos sem grandes preocupações na vida além de comer, dormir e tentar tirar boas notas na escola. Gosta de passear com as amigas, frequentar o fliperama e é viciada no jogo inspirado na misteriosa heroína que ronda a cidade, a Sailor V. Sua rotina pacata muda quando ajuda uma gatinha preta na rua e fica surpresa ao ver que o animalzinho tem uma lua tatuada na testa. Não só isso, a tal gata fala! Ela se apresenta como Luna e sem perder tempo diz que Usagi é uma das guerreiras escolhidas para defender a cidade, deve encontrar as demais guerreiras para juntas proteger a princesa da lua e o Cristal de Prata! Caramba… Tudo isso só porque ajudou uma gata na rua!

Luna entrega a Usagi um broche que a transformar em Sailor Moon, com poderes e apetrechos que a ajudam a lutar contra os monstros e enviados do Reino Sombrio, que também estão em busca do Cristal de Prata. Outra figura misteriosa que também está em busca do Cristal é o galante Tuxedo Mask, um jovem mascarado que ajuda Sailor Moon sempre que a situação aperta.

Quem conhece a Sailor Moon apenas pelo anime, deve estranhar a primeira vista o traço do mangá, mais delicado e esguio. Outra diferença marcante é que enquanto o desenho animado tinha grande foco no humor a HQ se foca no romance e fantasia, com uma narrativa dinâmica onde a ação se desenvolve de forma rápida. Em alguns capítulos rápido até demais, já que esse primeiro volume a maioria das guerreiras da lua (Sailor Mercury, Sailor Mars e Júpiter) já se juntam a Usagi na luta conta os inimigos! Futuramente a historia se torna mais sombria, bem diferente do anime.

No fim, a espera valeu a pena e agora aguardo a publicação do próximo volume!

Sailor Moon nº1
Editora JBC
Autores: Naoko Takeuchi
12 volumes
200 páginas
12 x 18 cm
R$16,50

Lily CarrollmanganimeJBC,Kodansha,mangá,Naoko Takeuchi,Sailor Moon,Shoujo,Toei AnimationDaqui a alguns anos, as futuras gerações perguntarão para nós sobre importantes eventos de 2014. Muitos se lembraram da copa do mundo realizado em nosso país, das eleições, falcatruas do governo, a pior edição do Big Brother, o beijo gay na novela das 9 horas... Outros, no entanto,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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