Vejam vocês como as coisas são. Na virada do ultimo milênio a galera estava em polvorosa com profecias sobre apocalipse ou apreensivas com o tal bug do milênio. E como previsões do fim do mundo são mais furadas que minha carteira, os alarmistas do juízo final tiveram que se contentar com a invasão dos mangás nas bancas brasileiras. Não tão legal quanto um holocausto zumbi, mas, hei, finalmente tínhamos Cavaleiros do Zodíaco e Sakura Card Captor para ler!

Com o sucesso dos títulos nipônicos nas bancas, editoras de todos os tamanhos tentaram garantir o leitinho das crianças publicando todo e qualquer quadrinho mande in Japan que estivesse à mão. Curiosamente a poderosa Abril se manteve afastada desse mercado, continuando com seu monopólio Disney nas bancas.

Mas não se dá as costas ao dinheiro, não senhor! Em 2008 os boatos que a editora negociava a publicação de Kingdom Hearts, adaptação do famoso game homônimo da Square correu por pela internet e fãs de Sora e Riku deram piruetas duplas. Mas o baldo de água fria veio a seguir com a própria Square Enix barrando as negociações devido o game não possuir distribuição oficial em território nacional.

Então em 2013, provando que até os Maias não sabem nada de fim dos tempos, KH chega às bancas brazucas! Weee! Me pergunto o que raios os diretores da Abril fizeram para conseguir esse licenciamento nessa altura do campeonato ou se a galera da Square anda tão desesperada que vem empurrando seus produtos para conseguir grana a qualquer custo. A nós, resta apenas especular. Enfim, a espera valeu a pena ou estaríamos melhores com o Ragnarok?

Kingdon Hearts, o jogo, é uma das mais populares franquias da Square Enixe. Sua grande sacada é unir os medalhões da empresa com os carismáticos personagens da Disney num único e coeso universo. Ou tão coeso quanto um jogo onde o pato Donald desce a porrada no Sephiroth pode ser.

O mangá é adaptação fiel das aventuras mostrada no game, e nele conhecemos Sora, um energético e corajoso garoto que tinha uma vida pacata na ilha onde vivia com seus amigos Riku e Kairi. A garotinha, aliás, é o grande ponto de mudança, pois foi encontrada há alguns anos na praia vinda de “outro mundo”. O trio decide então construir uma jangada para levar Kairi de volta ao seu lar e também explorar as terras que existem do outro lado do oceano.

Enquanto isso, em outro mundo, Donald está quase tendo um derrame seguido de uma parada cardiorrespiratória ao encontrar uma carta do rei Mickey que partiu numa jornada para descobrir porque as estrelas estão se apagando e o céu esta sendo tomado pela escuridão. Aos seus fieis amigos, Pateta e Donald, deixa a missão de encontrar o portador da “chave” e não o perderem de vista.

Na véspera da viagem, Sora esta mais elétrico que jornalista na cafeteria, quando as coisas começam a dar errado. Muito errado. A ilha esta sendo tomada por estranhas criaturas negras e Sora corre para encontrar seus amigos e acaba sendo engolido pela escuridão. Antes que pudesse fazer sua última prece uma voz do além lhe diz para ter coragem e que dentro de si possui a arma mais poderosa de todas. É quando em suas mãos se materializa a Keyblade, misto de chave e espada, com a qual não apenas destrói os inimigos como também se liberta das trevas. O problema é que não estamos mais no Kansas Totó…

Sora cai em Traverse Town, um lugar onde todos aqueles que perderam seu lar para a escuridão tentam reergue suas vidas e onde encontramos algumas caras conhecidas dos game maníacos, como Cid e Yuffie de Final Fantasy 7 e Squall, digo, Leon de FFVIII. E graças à sempre presentes leis da conveniência universal também esbarra no Donald e Pateta. Que lugarzinho movimentado esse, hein?

Papo vai e papo vem, Sora descobre que:
A) criaturas conhecidas como Heartless estão devorando os corações das pessoas e estão ligadas as trevas que vem destruindo os mundos;
B) os Heartless são atraídos pela Keyblade, o que faz de Sora um grande alvo;
C) o menino deve viajar pelos diversos mundos da Disney numa nave pilotada por dois esquilos, acompanhado de um pato e um cachorro falante na esperança de encontrar seus amigos e o rei rato.

Como bônus de viagem o trio deve descobrir as “portas” dos mundos visitados e tranca-las para impedir um grande desastre além de salvar as princesas que estão sendo raptadas e levadas pelos grandes vilões do lugar mais feliz do mundo. Definitivamente esse não era o tour que Sora tinha planejado.

A arte e o roteiro da versão em quadrinhos ficaram a cargo do mangáka Shiro Amano, que teve um trabalho do cão em adaptar os diversos estilos de desenhos da Disney para seu traço como também suou a camisa para fazer justiça ao character design das crias da Square. Mesmo com um traço mais simples, Shiro realiza um trabalho agradável e bonito e por decisão dos produtores, o sentido de leitura do primeiro arco de aventuras foram desenhadas seguindo o estilo ocidental.

Mesmo sendo um título aguardado entre os leitores, a versão da Abril tem altos e baixos. O papel do miolo é nosso velho conhecido papel jornal, semelhante ao usando nos primeiros mangás publicados pela JBC e Panini, e que amarela com o tempo. A capa está próxima ao original, mas com destaque ao logo do game.

A editora também optou por usar como base a edição italiana, com isso todas as onomatopeias foram “ocidentalizadas”. O formato da publicação, maior que os demais títulos nas prateleiras, é um bom diferencial, mas não há extra, pagina colorida ou qualquer mimo, apenas uma introdução dispensável sobre a série e uma rápida introdução sobre a estética dos mangás. O que é pouco levando em conta que o preço de capa é R$ 12,00 enquanto outros títulos da concorrente têm mais paginas ilustrações coloridas e papel (um pouco!) melhor.

Apesar dos pontos negativos, pretendo completar a coleção e que o bom retorno de vendas incentive a publicação dos demais títulos da franquia. Mesmo sendo mais fácil acontecer o segundo impacto gostaria que a Abril investisse num melhor acabamento nas edições.

Bem, when you wish upon a star, your dream comes true…

Lily CarrollmanganimeAbril,Disney,Kingdom Hearts,mangá,Shiro AmanoVejam vocês como as coisas são. Na virada do ultimo milênio a galera estava em polvorosa com profecias sobre apocalipse ou apreensivas com o tal bug do milênio. E como previsões do fim do mundo são mais furadas que minha carteira, os alarmistas do juízo final tiveram que se...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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