Sabem, eu não dei a mínima atenção a esse lançamento da editora JBC. Assim como o resto do mundo estava guardando as moedas para o lançamento de Ataque do Titãs, da editora concorrente, então, sério, porque raios iria me importar com outro mangá de suspense? Mas acabou que consegui o volume de Jogo do Rei (Ousama Game no original) antes, então aqui estamos.

O mangá segue o gênero que a JBC vem apostando em seus últimos títulos: histórias mais sombrias, com toques de terror, suspense e jogos psicológicos. Jogo do Rei foi publicado originalmente no formato de romance para celular, escrito por Hitori Renda, ganhando sua versão em quadrinhos em 2010 que condensou a historia em apenas cinco volumes.

Jogo do Rei é uma boa pedida para quem já não tem saco para acompanhar séries gigantescas e quer apenas uma boa HQ para passar o tempo. Confesso que me incluo nessa categoria, e nos últimos anos tenho evitado mangás com mais de 10 volumes como a peste bubônica.

Estou com muitas coleções de mangás incompletas seja por preguiça para voltar acompanhar ou por falta de verba mesmo. Porque, verdade seja dita, a pessoa precisa ter a carteira recheada igual a do Bill Gates para manter seus mangás em dia…

Voltando a resenha, a primeira coisa que nos chama atenção aqui é o traço de Nobuaki Kanazawa, desenhista da série. O desenho de personagens, enquadramento e diagramação são tremendamente parecidos com o trabalho de Takeshi Obata, o f*** mangáka de Death Note, Bakuman e Hikaru no Go.

Procurei alguma informação sobre o autor, mas não topei com nada oficial que justifique a semelhança, mas não é um detalhe que afete negativamente o mangá. Kanazawa conduz bem a ação, seja nos momentos de descontração e diálogos, seja nas passagens violentas e sangrentas da historia. A cena onde um dos personagens comente suicídio no primeiro volume é particularmente perturbadora.

A edição brasileira segue o acabamento padrão que a editora apresenta na maioria de seus títulos: bom papel, boa impressão, a mesma ilustração da capa e uma adaptação para o português fluida que não cai nas armadilhas de gírias. Mas não tem ilustrações coloridas ou qualquer extra.

Falar da trama é um tanto complicado. Jogo do Rei não é nenhum best seller, possui muitos dos clichês e estereótipos do gênero de historias de sobrevivência e algumas explicações são tão forçadas que dói. Apesar disso, quando começamos a ler, e os capítulos avançam nos encontramos estranhamente presos ao “jogo” e ansiosos para saber qual o destino dos personagens. A resolução dos mistérios não acontecem até os últimos quadros e logo estamos virando as paginas para o próximo capitulo e ver o que mais nos aguarda.

A historia começa quando o estudante Nobuaki Kanazawa recebe no meio da noite uma mensagem do seu celular. Tem coisa mais incomoda ou preocupante que receber mensagens à noite? Sempre achamos que aconteceu alguma desgraça e que vamos ter que sair correndo de pijamas para ajudar alguém. Para sorte de Nobuaki (ou não) a mensagem dizia apenas que ele agora fazia parte do Jogo do Rei, e que todos os participantes eram obrigados a obedecer todas as ordens dessa entidade ou receberia uma punição. Desistir também não é uma opção.

Morrendo de sono, o garoto ignora a coisa toda, acreditando ser apenas um spam ou alguma bobagem do gênero. Qual não é sua surpresa ao chegar à escola no manhã seguinte e descobrir que todos seus colegas de classe receberam a mesma mensagem e que a primeira ordem era que dois alunos se beijassem. Levados pela empolgação o casal se beija e no instante seguinte uma nova mensagem chega para todos. Obediência confirmada.

Todos os dias uma nova ordem chega, e aos poucos o jogo toma rumos mais extremos, culminando no evento trágico para os estudantes.

A partir dai Nobuaki com ajuda de seu melhor amigo Naoya e sua namorada Chiemi lutam contra o tempo e as intrigas dos outros alunos para descobrir a identidade do Rei e quais são seus planos. E acima de tudo, evitar a morte de outros alunos causada por esse cruel jogo.

No fim, é apenas um quadrinho morno. Ele te distrai enquanto você o acompanha, mas depois da leitura, tanto a história quanto os personagens não ficam muito tempo na sua mente. Apesar de possuir algumas cenas mais fortes, a violência do Jogo do Rei não se compara ao de Battle Royale (mangá publicado aqui pela Conrad, sendo a bíblia dos mangás de sobrevivência) e seus personagens estão longe de terem o carisma de Diário do Futuro, também da JBC.

Jogo do Rei

Editora JBC
Autores: Nobuaki Kanazawa (História) e Hitori Renda (Arte)
5 volumes
13,5 x 20,5 cm
200 páginas
R$11,90

Lily CarrollmanganimeHitori Renda,JBC,Jogo do Rei,mangá,Nobuaki Kanazawa,Ousama GameSabem, eu não dei a mínima atenção a esse lançamento da editora JBC. Assim como o resto do mundo estava guardando as moedas para o lançamento de Ataque do Titãs, da editora concorrente, então, sério, porque raios iria me importar com outro mangá de suspense? Mas acabou que consegui...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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