“Que valor têm os humanos que se deixam controlar e apenas vivem de acordo com a vontade de Sibyl?”

É com esse questionamento que entramos na história futurista de Inspector Akane Tsunemori, mangá publicado pela editora Panini que chegou recentemente às bancas. A arte é de Hikaru Miyoshi, conhecido pelos leitores brasileiros por seu trabalho na série Tutor Hitman Reborn!.

A história adapta o anime Psycho-Pass lançado em 2012 pela Production I.G., mesma produtora de Ghost in the Shell. A mudança do nome da série, aliás, gerou certa polêmica ao ser anunciada. Porém, a alteração foi um pedido direto da editora japonesa como forma de diferenciar o mangá do anime, já que a linha narrativa das duas obras se difere justamente pelo mangá ser contado sob o ponto de vista da personagem Akane. Essa mudança também aconteceu nas edições de outros países como na alemã, italiana e francesa.

Futuro utópico?

No mangá, a mente humana é mapeada constantemente por um programa chamado “Psycho-Pass”. Com ele pode-se verificar o estado emocional das pessoas e identificar àquelas que estão mais sujeitas a colocar as suas vidas e a de outras pessoas em risco, representando um perigo para a sociedade.

Esses indivíduos são considerados criminosos latentes e, assim que identificados, são procurados por grupos da polícia e colocados em tratamento psicológico, em casos mais simples, mas também podem ser presos ou até mesmo executados em casos extremos, em que coloquem outras vidas em perigo durante sua captura.

Com isso, a criminalidade foi reduzida a números baixíssimos, já que a população começou a se preocupar em controlar os índices de seus Psycho-Pass enquanto a polícia atua identificando criminosos antes que eles cometam os crimes.

Além dessa função, o Sistema Sibyl passou a identificar as aptidões das pessoas e direcioná-las diretamente às tarefas as quais estão mais aptas a realizar. “Faz o que deve ser feito aquele que é capaz de fazê-lo. Essa é a graça trazida pela Sibyl para a humanidade”, essa é a filosofia estabelecida na sociedade futurista do mangá.

A partir dessas premissas somos apresentados aos personagens da série. Akane é uma jovem que acabou de realizar seus testes de aptidão e descobre que alcançou a nota máxima em praticamente todos os quesitos e, por ter uma avaliação sempre saudável de seu Psycho-Pass, pode escolher qualquer cargo que desejar.

O que faz com que ela seja uma das poucas pessoas a ter dúvidas sobre qual profissão escolher, algo raríssimo no futuro apresentado na série. Ela conversa com as amigas e com a família, que esperam que ela escolha um alto cargo no governo ou uma profissão de grande importância em alguma empresa.
Mas com a frase “faz o que deve ser feito aquele que é capaz de fazê-lo”, em mente, ela percebe que em todas as vagas disponíveis existe alguém apto a ela, com exceção a vaga na Agência de Segurança Pública, em que ela foi a única aprovada.
É assim que ela entra para o Departamento de Investigação Criminal, onde começa a trabalhar como inspetora.

Akane começa a trabalhar com o Inspetor Ginoza, um veterano do departamento. Os dois são líderes de uma equipe que busca criminosos latentes e têm sob sua responsabilidade um grupo de pessoas que foram identificadas exatamente como este tipo de criminoso, mas passaram a trabalhar para o governo como “Executores”, também chamados de “Cães de Caça”, indo atrás de outros criminosos e realizando sua captura.

O grupo liderado por Akane e Ginoza é um dos elementos mais interessantes do mangá. São quatro pessoas visivelmente diferentes umas das outras e suas histórias começam a ser desenvolvidas paralelamente às missões na polícia. Dois deles ganham mais destaque nesse primeiro volume: Shinya Kougami, que está na capa da edição, um jovem executor de poucas palavras, e Tomomi Masaoka, um homem mais velho e ex-policial da época “pré-Sibyl”, que se mostra uma figura bondosa e ajuda Akane nas primeiras missões. É através dele e de uma situação logo na primeira missão de Akaneque começamos a perceber como o sistema pode ser falho e muitas vezes injusto.

Referências

O mangá teve mais de um milhão de cópias impressas no Japão e conquistou muitos leitores ao redor do mundo.

A história aborda temas como o controle do Estado na vida das pessoas, a alienação perante um sistema político e a influência das grandes organizações. Uma frase de George Orwell do livro “1984” é citada já na primeira página do mangá: “O crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte”, o que dá o clima para esse futuro que pode parecer perfeito no início da história, mas assim como a obra de Orwell, revela um sistema que bloqueia a liberdade de escolhas e até mesmo de pensamento de seus moradores.

A ação policial no mangá, que busca agir antes que os crimes aconteçam, também se assemelha muito à apresentada por Philip K. Dick em Minority Report. Além dessa obra, logo no início do mangá acompanhamos o inspetor Ginoza entrevistando um criminoso latente em uma cena muito parecida à cena de abertura de Blade Runner, inclusive na narrativa gráfica que começa fora do prédio e vai para uma sala com inspetor e acusado frente a frente. Só faltou mesmo o ventilador de teto girando devagar.

Além disso, quem curte Black Mirror tem grande chance de gostar do mangá, que mostra um cotidiano futurista bem parecido com o de alguns episódios da série.

Arte e edição

A arte de Hikaru Miyoshi é bem realista e eficiente, com uma narrativa fluida e boas cenas de ação. Não é uma arte que se propõe a ser a mais estilizada ou ousada, mas cumpre bem seu papel.

A edição da Panini é com uma capa brochura em verniz UV, papel Pisa Brite e arte em preto e branco. A coleção terá periodicidade bimestral e será completa em seis volumes.

Uma boa leitura seja você um otaku experiente, um fã de quadrinhos em geral ou um novo leitor.

Inspector Akane Tsunemori (Psycho-Pass) Vol. 01
Editora Panini – Planet Manga
Autor Hikaru Miyoshi
Capa: Brochura em Verniz UV
Papel Pisa Brite
Preto e Branco
192 páginas
Periodicidade: Bimestral
13,7 x 20 cm
R$ 14,90
Concluída no Japão com 6 volumes

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