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Para finalizar a nossa série de posts sobre a etapa final do WCS, que ocoreu no último dia 20 de junho no Espaço Hakka em São Paulo, colocaremos uma entrevista realizada com Julio Moreno, diretor executivo da JBC, que foi cedida para o Impulso HQ durante o evento.

Julio Moreno revela como está impressionado com a evolução do evento, e a filosofia da empresa JBC para aproximar o Brasil e o Japão. Quais são as estratégias que possibilitam que a editora nunca tenha cancelado um título no meio da série até hoje.

Durante a entrevista você ainda pode conferir se nos planos da JBC está a publicação de mangás produzidos no Brasil, e a dificuldade de se manter a produção de 200 páginas em uma edição com um desenhista que trabalha em outras empresas, principalmente no Brasil.

E finalizando a entrevista Julio Moreno revela sua opinião sobre as publicações Luluzinha Teen e Turma da Mônica Jovem.

E não podemos esquecer que já está liberada masi duas galerias de imagens do evento, clique aqui e aqui para conferir.

Fiquem com a entrevista:

Impulso HQ: Como você considera esse grande evento espaço Hakka, uma rápida retrospectiva de em relação a quando começou na Barra Funda.
Júlio Moreno:
Impressionante a evolução tanto dos cosplayers e a reação do publico, o primeiro evento que fizemos para o publico foi uma curiosidade que coisa diferente, esse ano o grande catalisador é analisar o quanto de imprensa está presente, desde MTV até SBT, Bandeirantes, Record, as grandes emissoras estiveram aqui, a imprensa já descobriu o concurso e o publico também.

A evolução dos cosplayers é impressionante porque a dupla que ficar em último lugar aqui (15 duplas) ela provavelmente estaria entre os três primeiro de anos atrás, o nível está muito bom, isso faz com q o Brasil se torne mais que referência.

Participamos 3 anos no WCS Mundial na Final do Japão, e já ganhamos duas, com esse nível que estamos muito acima do mundial ,eu diria que ganhar aqui hoje é quase mais difícil do que ganhar lá fora, é impressionante o que alcançamos hoje.

IHQ: Sobre a JBC trazer moda urbana japonesa, e toda uma cultural oriental para o Brasil, a empresa vai continuar a investir nesse tipo de ação?
J. M.:
Sim. Vamos continuar, o objetivo da JBC, a missão da empresa é aproximar Brasil e o Japão, umas das formar de fazer isso é através do mangá, tanto que nosso slogan os quadrinhos japoneses é “Mangá é a nossa língua”, mas mais do que isso o slogan da JBC como um todo é “Conecte-se ao Japão”, e para isso não tem forma melhor do que a cultura pop, e o Japão hoje é líder em Street Wear, tanto que os estilistas de Milão vão estudar em Tóquio, o que quisemos trazer aqui hoje é mostrar o quanto essa tendência fashionista no japãp está muito a frente do que em qq lugar do mundo, temos o livro Tokyo Girls justamente para mostrar o quanto o Japão tem a ensinar para o mundo sobre outros assuntos.

IHQ: A JBC nunca interrompeu um título. O que dá credibilidade a JBC de terminar séries tão extensas como Inu-Yasha tem 112 edições, comparando com outras editoras que não conseguem manter a publicação?
J. M.:
Na verdade eu considero que é a filosofia de trabalho. A JBC é uma empresa japonesa, nós temos escritório no Japão, o dono da empresa é japonês, então toda a filosofia da empresa é japonesa, isso quer dizer, trabalhar com projetos.

Quando comecei a trabalhar na JBC, no começo até me incomodou, porque é tudo muito tão planejado, que enquanto as outras editoras no Brasil hoje, estão pensando o que vão lançar daqui a quatro meses, a JBC está pensando no que vai lançar em 2011, daqui dois anos, e isso exige muito trabalho, muito esforço da equipe.

Tudo que está acontecendo nesse WCS já foi pensando desde um ano atrás, essa seria o nosso diferencial para nunca descontinuar.
As outras editoras dependem muito do rendimento, se um mangá começa a não gerar dinheiro, elas não conseguem continuar. A JBC já começa sabendo que, por exemplo, Ranma ½ são 38 volumes, então já sabemos que durante os próximos quatro anos teremos que  lançar Ranma e o investimento é “X”, então a empresa só entra nessas empreitadas grandes e fortes, quando sabemos que teremos o caixa garantido para isso.

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IHQ: Dentro da filosofia de aproximar Brasil e o Japão, entraria novos álbuns em mangá produzidos aqui no nosso país com autores nacionais?
J. M.:
Já chegamos a ter ações como essas no passado, nós lançamos Combo Rangers e ganhamos até prêmios com a publicação, e em 2008 lançamos o Catador de Batatas e o Filho da Costureira, que está concorrendo ao Troféu HQMIX desse ano.

Nós gostamos muito de quadrinhos nacional. A dificuldade do quadrinho nacional é que primeiro, temos desenhistas muito bons, mas faltam bons roteiristas, eles ainda não estão no mesmo nível de quem desenha.

Fora isso tem o problema no Brasil de tempo de produção. Como é um tempo muito longo, é comum artista desistirem no meio, já tivemos projetos que queríamos fazer, mas não conseguimos porque os artistas desistiram, porque é muito difícil fazer manga, não é fácil.

Desenhar 200 páginas de uma história não é simples, e infelizmente o Brasil ainda não é profissional no sentido de mercado, não tem tanto dinheiro circulando para se pagar o profissional somente para desenhar. Os desenhistas têm que ter outras profissões para se manter, porque ninguém tirando o Paulo Coelho, consegue viver de livro no Brasil, logo é muito duro o profissional trabalhar o dia inteiro e a noite ter que desenhar, o que acaba não saindo o álbum.

É uma pena, adoraríamos lançar mais álbuns, porque tem desenhistas muito bons.

IHQ: Você tem alguma opinião sobre a Luluzinha Teen e a Turma da Mônica Joven? O que você acha dessa ação de resgatar quadrinhos que são clássicos da infância e transformá-los em uma versão jovem e em mangá?
J. M.:
A minha opinião é que estou achando o máximo. A Turma da Mônica Jovem ela conseguiu atingir um buraco que exista no público, que é o que agente chama de between, que é o pessoal entre 10 e 13 anos que parou de ler gibi e não leu mangá porque não é uma leitura simples, alguns lêem obviamente, mas não é o público principal, que começa a partir de 14 anos.

Projetos como esse da Mônica mangá vieram exatamente atingir esse público, e isso é ótimo porque ele não vai perder o interesse pelos quadrinhos, e quando ele tiver apto para ler mangás mais elaborados como os japoneses, eles já estarão mais acostumados com os quadrinhos. Eu acho ótimo.

Galerias WCS – Etapa JCB:

Galeria 1 | Galeria 2 | Galeria 3 | Galeria 4 | Galeria 5

Renato Lebeaumanganimeanimê,Júlio Moreno,JBC,mangá,WCSPara finalizar a nossa série de posts sobre a etapa final do WCS, que ocoreu no último dia 20 de junho no Espaço Hakka em São Paulo, colocaremos uma entrevista realizada com Julio Moreno, diretor executivo da JBC, que foi cedida para o Impulso HQ durante o evento. Julio Moreno...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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