Entrevista: Wilson Kohama – quadrinhista

Por Renato Lebeau | 17 agosto de 2010

Wilson Kohama é professor, ilustrador e quadrinhista. Durante a São Paulo Comic Fair, ele foi um dos profissionais que ministraram workshops gratuitos para o público, mas precisamente seu workshop foi sobre Desenhos a partir de referências fotográficas.

Formado em publicidade, Kohama se define como um daqueles garotos que desde de pequeno gostava de desenhar, e se você olhar o caderno da 8º série os desenhinhos estão todos na margem das folhas. Atualmente trabalho com a Editora Crás e como freelancer.

Confira o breve bate-papo que o Impulso HQ teve com Wilson Kohama sobre a importância da referencia fotográfica para os quadrinhos:

Impulso HQ: Qual é a sua participação na Editora Crás?
Wilson Kohama:
Na editora Crás, cada um faz um título e fica responsável pelos desenhos, edição e etc., e vende nos eventos. No meu caso eu faço os títulos World police e Antes da Mata.

IHQ: Seu workshop foi sobre referências fotográficas. Como você utiliza isto no seu cotidiano?
W.K.:
No caso falei da importância da referência fotográfica para os cenários. Esse tipo de recurso é importante porque se você tenta desenhar de cabeça, o resultado será um cenário simples, um prédio e uma janela. Quando você tem uma referência fotográfica você consegue mais detalhes porque as pessoas só guardam na memória apenas 30% do que visualizam no dia a dia. Logo com as referências fotográficas conseguimos um resultado mais detalhado.

IHQ: Qual a importância de um cenário com referências fotográficas em uma HQ?
W.K.:
Muitos não dão importância para os cenários, particularmente considero o cenário um aspecto da HQ fundamental. Vamos supor que você irá desenvolver uma historia que se passa em São Paulo, que nem no World Police que eu publico, a pessoa vai saber onde estão ocorrendo os fatos quando percebe a Avenida Paulista, a fachada do Metro Liberdade ou outro ponto conhecido.

O cenário serve para situar as pessoas. Se você não conhece a cidade de São Paulo e precisa fazer algo que acontece aqui, você tem que buscar uma referência fotográfica de cada parte da cidade.

IHQ: Como você aplica esse recurso nos mangás e em outros estilos de quadrinhos, já que a referência fotográfica é fiel à realidade? Como fica a questão do estilo?
W.K.:
Têm pessoas que pensam que é só copiar a foto e acabou. Não é só simplesmente copiar colar a foto ali. A importância da referência fotográfica é que você tem que estudar o que você vai desenhar para poder passar para o desenho, tem que fazer todo o estudo. É igual você criar um personagem, você tem que fazer uma estrutura, rascunhar primeiro para fazer os detalhes depois.

A referência fotográfica costuma ser uma base do que você vai desenhar, por exemplo, se você vai desenhar o MASP, em relação a estilo não muda muita coisa ele serve para te dar uma referência e para situar aonde acontece a história.

Se você apenas copiar você pode não passar aquilo que queria no cenário então é importante estudar a foto através da referência fazer todo o esquema direitinho para você entender o desenho e representá-lo com o seu estilo gráfico.

IHQ: Sobre o que trata o seu título World Police?
W.K.:
World Police é uma historia policial como o nome sugere. Fala de duas unidades policias, uma de São Paulo que se une a polícia japonesa para caçar um traficante de armas italiano. Toda a ação ocorre na cidade de São Paulo. É uma aventura policial, detetive e ação.

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