Série volta com menos terror, aposta na interação dramática entre os personagens e amplia as possibilidades

Strangers Things com apenas oito episódios virou fenômeno e a série original da Netflix entrou no coração dos nerds, sendo os Gonnies dessa geração. Mais que ansiosos, os fãs estavam aflitos para o retorno da série sensação de 2016: muitas perguntas, muitas teorias, e uma nova temporada à frente.

Os irmãos Duffers, criadores da série, na primeira temporada encontraram um elenco mirim incrível, trouxeram Winona Ryder do esquecimento e transformaram David Harbour em grande astro. Muita sorte ou resultado de um trabalho bem estruturado e pensado?

De fato, os Duffers sabiam que para a continuação, encomendada, aliás, pela Netflix durante as gravações da segunda temporada, eles não teriam mais o acontecimento que moveu e ligou todo o elenco na primeira temporada: o sequestro de Will Byers.

A decisão foi não recriar a fórmula e sim mostrar as consequências. Para apresentar isso, o primeiro episódio já responde uma dúvida que muitos fãs possuem. Sim, teoria confirmada, e Eleven não é um número apenas sem significado. Para ampliar ainda mais o universo da série, essa sequencia não se parece com nada do que foi mostrado até o momento, inclusive porque ela não se passa em Hawkins e sim em Pittsburgh, Pennsylvania.

Apesar de ter passado um ano do desaparecimento de Will Byers (Noah Schnapp) tudo ainda é um mistério para a pequena cidade de Hawkins que não se esqueceu de seu sumiço durante uma semana “na floresta”. O garoto vive sendo lembrado a todo o momento que de alguma forma passou por um trauma, sendo na escola sofrendo bullying ao ser chamado de garoto zumbi, pelos seus melhores amigos que tentam o proteger de qualquer coisa, ou pela sua mãe Joyce (Winona Ryder), que o sufoca com tamanho medo de acontecer algo novamente.

Winona mais uma vez desempenha um ótimo papel. Joyce é paranoica porque sabe o que realmente aconteceu com o seu filho e ao mesmo tempo não pode revelar (resultado de um acordo com o laboratório) sendo vista pela cidade como desequilibrada pelo excesso de proteção. E como não ficar feliz por ela ao ver que mesmo assim, ela conseguiu arrumar um par romântico, Bob Newby, interpretado por um carismático Sean Astin, que por si só já é um easter egg da série.

O fato que deixou muitos fãs tristonhos na primeira temporada acaba virando um elemento muito importante para o fechamento desse retorno. A morte de Barbara Holland, a querida Barb, não foi esquecida. Coube a amiga Nancy e ao irmão de Will, Jonathan, fazer justiça e levar a verdade à tona. Bem, quase, mas o desfecho foi satisfatório. Barb teve o seu enterro digno, dando conformo aos pais da garota que estavam se endividando a procura da filha.

Nancy, Jonathan e Steve representam o triângulo amoroso óbvio da série e esse conflito deu espaço para o amadurecimento dos personagens. Nancy está cada vez mais independe e decidida, Jonathan vira o irmão mais velho que todo caçula deseja ter e Steve teve o maior crescimento de todos: deixou de ser o babaca da série para ser o protetor das crianças.

Essa alteração de status de Steve provocou uma das maiores mudanças da série no núcleo normal humano da série. Os Duffers já sabendo disso, adicionaram um importante elemento: Billy (Dacre Montgomery). Você não vai gostar dele, não vai simpatizar, não vai torcer em momento algum e ainda vai pensar que ele é um psicopata. Billy é o vilão humano, aquele que rouba a popularidade (nem que seja na porrada) do querido da escola. O terror dos nerds.

Billy não vem sozinho. Mad Max está com ele. Interpretada muito bem por Sadie Sink, a garotinha aparece não só para mostrar para os quatro amigos que garotas jogam videogame como também para mexer com o coração de Dustin e Lucas. Com personalidade forte ela vem para ser a “Zoomer” do grupo, a contragosto de Mike (Finn Wolfhard).
Mike também sofre, mas pela falta de Eleven (Millie Bobby Brown). Sem ter ninguém para proteger ou procurar, o personagem ficou meio apagado na temporada, vindo a brilhar somente no final quando encontra a maga do grupo, que como todos sabemos, também enfeitiçou o seu coração.

A grande surpresa da temporada, no entanto é a relação entre Eleven e o xerife Jim Hooper (David Harbour). A dupla cativa. Hooper por tentar fazer o papel de pai da filha que ele perdeu, mas sem deixar de ser durão e Eleven que traz uma mistura de fase pré-adolescente, com frustrações e super poderes. A falta de “sensibilidade” de Eleven chega a dar um pouco de medo. Max poderia ter se dado muito mal com o ciúme da moça.

A “falta de sensibilidade” de Eleven também é explorada e até explicada de certo modo. Sua curiosidade pelo seu passado antes do Laboratório a faz descobrir o seu verdadeiro nome, encontrar a sua mãe e localizar a sua irmã. “A Irmã Perdida”, o sétimo episódio da temporada, pode ser o mais controverso. Ele propositalmente destoa de todos os outros e não faz parte da história de Hawkins, porém serve para ampliar os conceitos da série, amadurecer Eleven e ainda deixar pontas soltas para novas teorias.
Apesar de estar mais focada na interação dramática dos personagens e menos no terror, a série sim tem os seus momentos de arrepiar. Quase todos vividos Noah Schnapp, que consegue transmitir toda a agonia de um conturbado e possuído Will. Por ele ser o elo com o Mundo Invertido, Will é o que mais sofre e o que mais assusta.

Tudo é maior na segunda temporada, inclusive a ameaça. Se antes Demogorgon era a maior ameaça, agora literalmente ele diminuiu para o cão ameaçador de um senhor muito mais perigoso: o Devorador de Mentes. Não é mais uma fera destruidora e quase irracional, e um ser pensante, capaz de elaborar estratégias mortais, enganar e se espalhar por toda a cidade.

Como as referências foram as grandes marcas da série na primeira temporada, o seu retorno não podia deixar de aplicar a mesma estratégia. A trilha sonora, os filmes em cartazes, pôsteres nas paredes e até figurinos são uma brincadeira a parte para os saudosistas.

Para não deixar de ser, a temporada se encerra em um grande baile da escola, do mesmo modo que os filmes dos anos 80 acabavam. É um momento bonito na qual você faz as suas apostas para quem vai ficar com quem. E não fique triste pelo Dustin (Gaten Matarazzo) que continua sendo um dos personagens mais fofos da série, ou como Nancy mesmo diz, “o preferido dos amigos”.

Ainda não está claro o que é o Mundo Invertido, quais as suas regras, quem são os outros serem que o habitam e o que o laboratório deseja tanto. De certo, é que ele continua lá, e com certeza iremos saber mais dele nas próximas temporadas.

Stranger Things 2 chega ao fim do nono episódio deixando o público com vontade de mais, por isso só, já podemos dizer que a série manteve o nível e pelo menos alcançou as expectativas. Apesar de não ter finalizado com uma cena tão impactante (mas não significa que não foi) o público já espera pela terceira temporada de uma das séries mais originais e amadas da Netflix.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/10/stranger-things-1-1.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/10/stranger-things-1-1-150x150.jpgRenato LebeaucinemaNós assistimosBrett Gelman,Caleb McLaughlin,Charlie Heaton,Dacre Montgomery,David Harbour,Finn Wolfhard,Gaten Matarazzo,Jessie Nickson-Lopez,Joe Keery,Justin Doble,Kate Trefry,Linnea Berthelsen,Matt Duffer,Matthew Modine,Millie Bobby Brown,Natalia Dyer,Netflix,Noah Schnapp,Paul Dichter,Paul Reiser,Ross Duffer,Sadie Sink,Sean Astin,Stranger Things,Will Chase,Winona RyderSérie volta com menos terror, aposta na interação dramática entre os personagens e amplia as possibilidades Strangers Things com apenas oito episódios virou fenômeno e a série original da Netflix entrou no coração dos nerds, sendo os Gonnies dessa geração. Mais que ansiosos,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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